domingo, 5 julho, 2026
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Sul do Estado interrompe sequência de quatro meses positivos na geração de empregos

Lançamento oficial da plataforma será realizado sexta-feira, dia 15, no Centro de Inovação Criciúma

O Sul do Estado voltou a registrar saldo negativo na geração de empregos formais em maio. Depois de quatro meses consecutivos de resultados positivos, a mesorregião encerrou o mês com fechamento de 1.239 vagas com carteira assinada, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O desempenho interrompe a sequência positiva observada entre janeiro e abril. No período, o Sul catarinense registrou saldos positivos de 1.315 vagas em janeiro, 2.328 em fevereiro, 3.018 em março e 551 em abril, já considerados os ajustes. Em dezembro de 2025, a mesorregião havia apresentado saldo negativo de 5.223 postos de trabalho.

Na comparação com os meses de maio dos anos anteriores, o resultado de 2026 foi o segundo pior da série histórica iniciada em 2020. Ficou acima apenas de maio de 2020, período diretamente impactado pela pandemia, quando o saldo foi negativo em 3.896 vagas. Em maio de 2021, o Sul catarinense havia criado 1.693 empregos formais; em 2022, 973; em 2023, 988; em 2024, 626; e, em 2025, já havia registrado o fechamento de 544 vagas.

Tendência estadual

O movimento negativo foi observado também em outras escalas territoriais. Em maio, Santa Catarina fechou 662 vagas formais, enquanto a Região Carbonífera teve saldo negativo de 196 postos de trabalho. Em Criciúma, o resultado também foi negativo, com fechamento de 68 vagas.

Apesar do cenário regional, seis municípios da Amrec contrariaram a tendência e encerraram o mês com saldo positivo. Içara teve o melhor desempenho, com 79 vagas acrescentadas ao longo de maio, seguida por Morro da Fumaça, com 39; Orleans, com 22; Forquilhinha, com 15; Treviso, com 10; e Nova Veneza, com quatro novas vagas formais.

Por outro lado, houve perda de postos de trabalho com carteira assinada em outros seis municípios da região. O maior saldo negativo foi registrado em Urussanga, com fechamento de 199 vagas, seguido por Siderópolis, com 70; Criciúma, com 68; Lauro Müller, com 22; Balneário Rincão, com três; e Cocal do Sul, também com três vagas encerradas.

Análise

De acordo com o economista Leonardo Alonso Rodrigues, o resultado regional acompanha uma tendência mais ampla do mercado de trabalho formal.

“Esse movimento não foi registrado só na região: no país, foi o pior desempenho para o mês de maio desde a pandemia. Olhando para o cenário, é clara a tendência de diminuição da atividade econômica, redução da geração de empregos, o que aos poucos pode elevar o desemprego, principalmente porque a taxa de juros do Brasil está muito alta”, aponta.

“O arrefecimento da atividade econômica já era um resultado esperado devido aos juros em patamares elevados, para diminuir a inflação. Nos últimos dois anos, continuamos a gerar empregos, mas em um ritmo menor”, acrescenta Rodrigues.

Na última reunião, realizada em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou para 14,25% ao ano. O comitê iniciou a série de cortes em março deste ano, quando a taxa foi reduzida de 15%, mantida desde junho de 2025, para 14,75%.

A inflação de maio, de 0,58%, desacelerou em relação ao resultado de abril, de 0,67%. Mesmo assim, acumula alta de 3,20% nos primeiros cinco meses de 2026 e chega a 4,72% nos últimos 12 meses, acima da meta definida para este ano. A meta oficial de inflação para 2026 está fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, podendo variar de 1,5% a 4,5% ao ano.

O economista Alison Fiuza destaca que, apesar do desempenho negativo no mês, os indicadores acumulados permanecem positivos. “Até maio, Criciúma soma 584 vagas formais, a Amrec acumula 2.297 e o Sul catarinense registra 5.973 empregos formais criados em 2026. Esses números confirmam que a economia regional segue ampliando sua base de empregos, ainda que em ritmo inferior ao observado nos últimos anos”, afirma.

Com base nos dados do Novo Caged, os economistas elaboram o Boletim do Emprego Formal, disponibilizado pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic). O estudo completo pode ser acessado no site da entidade.

 

 

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