A Cruz Vermelha de Criciúma e a UniSatc lançaram a campanha de Natal “Abrace uma História”, com o objetivo de arrecadar brinquedos e alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade. Para ajudar, foi criada uma lista com os alimentos necessários para complementar as cestas básicas. No site www.cruzvermelhacriciuma.org.br, é possível conhecer a iniciativa e as formas de colaborar.
É uma iniciativa simples, que utiliza o poder de mobilização das redes sociais para aproximar pessoas de uma causa. Afinal, uma lista compartilhada pode fazer com que uma doação chegue a quem precisa.
Mas, depois das eleições, começaram a circular outras listas nas redes sociais da região. Dessa vez, com nomes de empresas, profissionais e até de um conjunto musical, associados a uma suposta preferência política. Junto aos nomes, mensagens incentivavam as pessoas a não comprar, contratar ou frequentar esses estabelecimentos e serviços.
Imagine estar em um grupo da família, do bairro, da igreja ou do trabalho e receber uma imagem com nomes de padarias, oficinas e lojas. A mensagem sugere que aquelas pessoas pensam de determinada maneira e, por isso, não deveriam receber o dinheiro dos consumidores. Em poucos minutos, a lista pode chegar a centenas de pessoas, muitas vezes sem que ninguém saiba quem a criou ou de onde vieram as informações.
Consumidores têm liberdade para escolher onde comprar, contratar ou frequentar. Também podem manifestar suas opiniões e criticar empresas. O problema surge quando essa manifestação ultrapassa a escolha individual e passa a envolver ofensas, acusações, constrangimento ou perseguição.
Vale lembrar que uma informação compartilhada muitas vezes não passa por qualquer verificação. Uma preferência política pode ser verdadeira, equivocada ou simplesmente atribuída a alguém sem fundamento. E mesmo quando a informação é verdadeira, isso não dá a ninguém autorização para ofender, ameaçar ou perseguir outra pessoa.
Dependendo do conteúdo e das circunstâncias, a divulgação pode ter consequências jurídicas. Afirmar falsamente que alguém cometeu um crime pode configurar calúnia. Atribuir a alguém um fato que prejudique sua reputação pode caracterizar difamação. Já insultar ou atacar diretamente a honra de uma pessoa pode configurar injúria. As três situações são previstas no Código Penal como crimes contra a honra.
Quem apenas compartilha também precisa ter cuidado. Conforme o que divulga e o que sabe sobre o conteúdo, pode responder pelo que ajudou a espalhar. Se a publicação causar prejuízos à imagem ou à reputação de alguém, a pessoa atingida também pode procurar a Justiça para pedir reparação.
Quem encontrar seu nome ou seu negócio em uma dessas publicações deve preservar as provas. Guardar capturas de tela, links, mensagens, datas e informações sobre os perfis envolvidos pode ser importante. Evitar confrontos e procurar orientação jurídica são medidas prudentes. Se houver ameaças ou perseguição, a situação deve ser comunicada à polícia.
A mesma força de mobilização que faz uma lista circular rapidamente pode ser usada para ajudar. A Cruz Vermelha tem como princípio prestar ajuda sem distinguir as pessoas por suas opiniões políticas. A campanha “Abrace uma História” segue até 20 de dezembro, e o site apresenta os alimentos necessários e os pontos de coleta.
Uma lista pode ajudar uma família. Outra pode prejudicar pessoas e negócios. Antes de apertar “encaminhar”, vale pensar no que estamos ajudando a espalhar. Compartilhar é uma escolha, e ninguém colhe a paz semeando a discórdia.

ALÉM DA RONDA | Felipe Trichez
Policial militar por profissão, cidadão por princípio.

















