segunda-feira, 6 julho, 2026
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Após corte de tratamento, mãe luta para devolver qualidade de vida ao filho com paralisia cerebral

Por Alexandra Cavaler

 

Quando Pedro Gabriel Domingos Américo completou um ano de idade, a mãe, Priscila Soares Domingos, recebeu um diagnóstico acompanhado de um prognóstico devastador. Segundo ela, os médicos afirmaram que o menino, que tem paralisia cerebral, jamais andaria ou falaria e passaria o resto da vida em uma cama. “Disseram que ele nunca ia andar, nunca ia falar e que seria uma criança que ficaria o resto da vida numa cama. Ouvir isso foi muito difícil”, recorda.

Nos primeiros anos, Pedro realizou fisioterapia pelo SUS, mas a mãe afirma que não houve evolução significativa. Inconformada, ela buscou alternativas até encontrar uma clínica especializada em tratamento neurofuncional, em Tubarão. Foi ali que a realidade começou a mudar. “Ele começou a sentar, brincar, comer sozinho. Depois ficou em pé e chegou a andar no andador. Nós percebemos que ele tinha potencial e precisava do tratamento adequado”, relata.

A família conseguiu na Justiça que o Estado custeasse o atendimento especializado. Dos três aos sete anos, Pedro participou do tratamento intensivo e apresentou avanços importantes. Porém, quando começava a caminhar com auxílio, o custeio foi interrompido.

“Disseram que o tratamento do SUS era a mesma coisa, mas nós já tínhamos passado por ele e não tivemos os mesmos resultados. O Pedro estava andando no andador. Era visível a diferença”, afirma a mãe acrescentando que após o corte, Pedro foi encaminhado para outra clínica sem a mesma especialização. Com o passar do tempo, ele perdeu parte dos ganhos conquistados e voltou a depender da cadeira de rodas. “Ele começou a piorar. Ao invés de evoluir, passou a apresentar deformidades”, conta.

Consequências físicas

Desde 2023, a família realiza campanhas para custear novamente o tratamento especializado, que inclui fisioterapia intensiva, terapia ocupacional e acompanhamento psicológico. O custo gira em torno de R$ 34 mil por mês.

As dificuldades também trouxeram consequências físicas. Pedro desenvolveu deformidades nos pés, precisou passar por três cirurgias e enfrenta dores constantes. Em uma das intervenções, parafusos implantados precisaram ser retirados porque foram rejeitados pelo organismo em razão dos espasmos involuntários causados pela paralisia cerebral.

Além dos desafios físicos, o impacto emocional também foi profundo. “Ele dizia que queria andar como as outras crianças, queria ter uma vida normal. Depois da última cirurgia, falou que estava cansado e queria desistir. Foi um período muito difícil”, relembra Priscila.

Atualmente, a esperança da família está na realização de uma risotomia dorsal seletiva, cirurgia que pode reduzir os espasmos musculares involuntários, aliviar as dores e permitir que Pedro volte a evoluir na fisioterapia. “Hoje o maior obstáculo dele são os espasmos e as dores. Eles impedem que ele avance. Essa cirurgia representa a nossa esperança. A esperança de acabar com o sofrimento dele, diminuir as dores e permitir que ele volte à fisioterapia. Hoje, essa cirurgia representa o futuro do Pedro”, afirma a mãe de Pedro emocionada.

A cirurgia é considerada complexa e exige internação hospitalar, incluindo permanência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no pós-operatório. Segundo Priscila, os próprios profissionais que acompanham Pedro acreditam que ele ainda possui potencial de evolução funcional, desde que os espasmos sejam controlados.

Enquanto aguarda o procedimento, Pedro, hoje com 12 anos, passa grande parte do tempo em repouso. Longe da escola, dos amigos e de atividades que gostava de realizar, ele vive uma corrida contra o tempo para evitar novas deformidades e perda de mobilidade.

Campanhas

Para custear a cirurgia e os tratamentos, a família mantém campanhas de arrecadação e mobiliza a comunidade. Priscila faz um apelo para que mais pessoas conheçam a história do filho. “As pessoas acham que um real não faz diferença, mas faz. Se muitas pessoas ajudarem com pouco, podem transformar o futuro do Pedro. Hoje, qualquer ajuda representa esperança para ele”.

Acompanhe a história de Pedro Gabriel, as campanhas realizadas pela família e as formas de contribuir,  pelas redes sociais: bazarcomproposito_pedro; e todospor_pedro.

 

 

 

 

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