segunda-feira, 6 julho, 2026
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Melanoma preocupa em Santa Catarina: Estado deve registrar 1,2 mil novos casos até o fim de 2026

Por Alexandra Cavaler

 

Santa Catarina segue entre os estados brasileiros com maior incidência de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. A estimativa é de aproximadamente 1.220 novos casos até o final de 2026, segundo projeções da Secretaria de Estado da Saúde (SES). O cenário acende um alerta contínuo, especialmente na Região Sul, onde a combinação entre características populacionais e hábitos de exposição solar contribui para índices elevados da doença.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o melanoma ocupa posição de destaque entre os tipos de câncer mais frequentes na região Sul do país, figurando como o sétimo mais comum entre mulheres e o nono entre homens. Em Florianópolis, a estimativa é de cerca de 70 novos casos até o fim de 2026.

Embora represente uma parcela menor dos cânceres de pele em geral, o melanoma é responsável pela maior parte das mortes relacionadas à doença, devido ao seu alto potencial de disseminação para outros órgãos. Ainda assim, especialistas reforçam que, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são elevadas.

Perfil da população influencia incidência

 Segundo o dermatologista oncológico Dr. Luiz Felipe Blanco, fatores genéticos ajudam a explicar a maior incidência da doença em Santa Catarina. “O estado tem uma população com predominância de descendência europeia, especialmente germânica, italiana e polonesa. São pessoas com fototipos de pele mais claros, que possuem menos proteção natural contra os efeitos da radiação ultravioleta”, explica.

Essa característica, somada à exposição solar ao longo da vida, especialmente sem proteção adequada, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento do melanoma.

Exposição solar acumulada: o risco invisível

 

O especialista reforça que o melanoma não está relacionado apenas à exposição solar recente, mas principalmente ao acúmulo de danos ao longo dos anos.

“As queimaduras solares na infância e adolescência são um dos principais fatores de risco. Cada exposição intensa ao sol sem proteção adequada contribui para alterações celulares que podem se manifestar décadas depois”, afirma Dr. Blanco.

A média de idade dos pacientes diagnosticados com melanoma gira em torno dos 40 a 45 anos, o que reforça a ideia de que a doença se desenvolve ao longo do tempo, silenciosamente.

Lesões que merecem atenção

 Na maioria dos casos, o melanoma se apresenta como uma lesão pigmentada, geralmente escura, que passa por mudanças progressivas. Mais de 80% dos casos apresentam coloração enegrecida, mas o principal sinal de alerta não está apenas na cor, e sim na transformação da lesão ao longo do tempo.

“O que chama atenção é a mudança: uma pinta que cresce, altera a cor, muda o formato ou começa a apresentar sintomas como coceira ou sangramento. Muitas vezes são lesões silenciosas, mas com evolução contínua”, detalha o dermatologista.

O especialista destaca ainda que a observação de familiares pode ser fundamental no diagnóstico precoce, principalmente em áreas do corpo de difícil visualização. “Regiões como costas, parte posterior dos braços e coxas muitas vezes passam despercebidas pelo próprio paciente. Por isso, o olhar de alguém próximo pode ser decisivo para identificar uma alteração suspeita”, acrescenta.

Diagnóstico precoce ainda é o principal fator de cura

O melanoma, apesar de agressivo, apresenta altas taxas de cura quando identificado nas fases iniciais.

No Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), unidade de referência do Estado, foram registrados 171 atendimentos a pacientes com melanoma em 2025. Em 2026, até o momento, já são 66 casos atendidos.

Para o diretor-geral da instituição, Dr. Alvin Laemmel, o diagnóstico precoce segue sendo a principal ferramenta no combate à doença. “O melanoma é um câncer agressivo, mas altamente tratável quando detectado no início. O desafio está em conscientizar a população sobre os sinais e a importância de procurar atendimento médico ao notar qualquer alteração na pele”, afirma.

Genética

Além da exposição solar, o melanoma também possui forte componente genético. Pessoas com histórico familiar da doença apresentam risco aumentado e devem redobrar a atenção.

No entanto, o fator ambiental continua sendo determinante.

“Não é apenas uma questão genética. A exposição cumulativa à radiação ultravioleta é o principal fator modificável. Isso significa que a prevenção é possível e extremamente eficaz”, destaca o especialista.

Bronzeamento artificial x proteção solar

Entre os fatores de risco evitáveis, o bronzeamento artificial é um dos mais preocupantes. A exposição controlada a câmaras de radiação UV é considerada altamente nociva e associada ao aumento do risco de melanoma.

Da mesma forma, as queimaduras solares intensas, especialmente repetidas ao longo da vida, representam um dos principais gatilhos para o desenvolvimento da doença. “Uma única queimadura solar grave na infância já pode aumentar o risco futuro. Quando isso se repete, o efeito é cumulativo”, alerta o médico.

Embora o uso de protetor solar seja amplamente difundido, especialistas reforçam que ele não deve ser a única forma de proteção.

“O erro mais comum é acreditar que o protetor solar permite exposição prolongada ao sol sem risco. Isso não é verdade. Ele reduz, mas não elimina os danos”, explica Dr. Blanco repassando recomendações como: evitar exposição entre 10h e 16h, usar roupas com proteção UV, utilizar chapéus e óculos de sol e buscar sombra sempre que possível.

Já a dermatologista oncológica do Cepon, Dra. Elisangela Boeno, reforça o uso diário de protetor solar com FPS acima de 30, e acima de 50 para pessoas de alto risco. “Além disso, a reaplicação é fundamental, especialmente durante exposição prolongada. O ideal é reaplicar a cada duas horas em ambientes externos”, orienta.

Inverno também exige cuidado

Ao contrário do que muitos imaginam, o inverno não elimina os riscos da radiação ultravioleta.

Segundo o Dr. Blanco, a radiação solar continua ativa mesmo em dias frios ou nublados, e pode causar danos cumulativos. “O frio, o vento e a baixa umidade também afetam a pele, tornando-a mais sensível. Isso pode deixá-la mais vulnerável no verão seguinte”, explica.

Ao mesmo tempo, ele destaca que a exposição solar moderada em períodos de menor intensidade pode trazer benefícios, como a produção de vitamina D e fortalecimento do sistema imunológico.

O acompanhamento dermatológico regular é recomendado mesmo para pessoas sem histórico da doença. A periodicidade varia conforme o perfil de risco, mas consultas anuais são frequentemente indicadas. Especialistas também ressaltam sinais de alerta: pintas que mudam de tamanho ou formato. lesões que escurecem ou clareiam rapidamente, feridas que não cicatrizam, coceira ou sangramento. “O mais importante é não ignorar mudanças. O melanoma pode ser silencioso no início, mas extremamente agressivo quando avançado”, reforça Blanco.

A prevenção do melanoma não se limita ao verão ou a momentos de lazer ao ar livre. Trata-se de um conjunto de hábitos diários que devem ser mantidos ao longo da vida. “O cuidado com a pele precisa ser contínuo. A proteção solar deve ser rotina, assim como hábitos saudáveis de vida, alimentação equilibrada e atenção às mudanças do corpo”, conclui Dr. Luiz Felipe Blanco.

 

INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028

Fonte: Inca

Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença por ano até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados constam da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil (abre numa nova janela), do INCA divulgada nesta quarta-feira, 4, Dia Mundial do Câncer, no edifício-sede do Instituto, no centro do Rio de Janeiro.

As previsões confirmam que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares. Os números refletem o envelhecimento da população, desigualdades regionais e desafios persistentes no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Entre os homens, os cinco tipos de câncer mais incidentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente.

Entre as mulheres, em ordem de incidência, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

O câncer de pele não melanoma permanece como o mais frequente em ambos os sexos, sendo apresentado separadamente em razão de sua alta incidência e baixa letalidade.

 

TIPOS DE CÂNCER MAIS INCIDENTES

Homens

Próstata (30,5%)

Cólon e reto (10,3%)

Pulmão (7,3%)

Estômago (5,4%)

Cavidade oral (4,8%)

 

Mulheres

Mama (30,0%)

Cólon e reto (10,5%)

Colo do útero (7,4%)

Pulmão (6,4%)

Tireoide (5,1%)

 

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