Com índices que chegam a até 30% de absenteísmo em consultas e exames, um dos principais gargalos do sistema público de saúde começa a ganhar uma resposta inovadora em Criciúma. Uma das linhas de pesquisa do PET Saúde da Unesc aposta no uso de inteligência de dados para prever faltas e tornar o atendimento mais eficiente.
O problema é recorrente e impacta diretamente a gestão. Na atenção básica, as ausências variam entre 12% e 15% ao mês, enquanto nas especialidades chegam a 20% a 22%, números que representam vagas ociosas e aumento no tempo de espera da população.
Diante desse problema crônico, um grupo formado por professores, profissionais da rede municipal de saúde e acadêmicos de diferentes áreas, trabalha na criação de um dashboard inteligente capaz de prever a ausência de pacientes com base em dados e variáveis específicas.
A equipe é composta por professores do curso de Ciência da Computação, preceptores da Secretaria de Saúde e estudantes de cursos como Computação, Direito e Design, promovendo uma atuação interdisciplinar voltada à inovação no serviço público.
De acordo com o professor Luciano Antunes, responsável pelo grupo de pesquisa do projeto, o problema é significativo e impacta diretamente a eficiência do sistema de saúde. “O absenteísmo hoje gira entre 20% e 30% nas consultas e exames. Isso representa um desperdício de vagas que poderiam estar sendo utilizadas por outros pacientes que aguardam atendimento”, explica.
A solução proposta utiliza inteligência artificial e análise de dados para identificar padrões de comportamento dos pacientes, considerando fatores como idade, localização e histórico de comparecimento. A partir disso, o sistema estima a probabilidade de faltas e permite uma gestão mais estratégica dos agendamentos.
“Com essa ferramenta, o gestor poderá, por exemplo, agendar mais pacientes do que o número de vagas disponíveis, com base em uma previsão segura de ausências. Isso torna o sistema mais eficiente e reduz o tempo de espera da população”, destaca Luciano.
O projeto já conta com aprovação da Prefeitura de Criciúma e está em fase de desenvolvimento. A próxima etapa prevê a realização de um projeto-piloto em uma unidade básica de saúde do município, com testes programados para os meses de setembro e outubro.
Para o secretário municipal de Saúde, Deivid de Freitas Floriano, a iniciativa chega em um momento estratégico para qualificar ainda mais os serviços prestados à população. “O absenteísmo é uma situação crônica no SUS em todo o território nacional, e Criciúma também enfrenta essa dificuldade. Hoje, a atenção básica registra uma média de 12% a 15% de faltas ao mês, enquanto nas especialidades esse número chega a 20% a 22%. Já avançamos com ferramentas como o aviso de consultas via WhatsApp, mas queremos ir além. Esse aplicativo certamente vai contribuir para melhorar nossos indicadores e otimizar o atendimento”, afirma.
A iniciativa envolve duas frentes de trabalho: uma voltada ao desenvolvimento da interface do sistema (front-end), que será utilizada pelos gestores, e outra responsável pela estrutura e processamento dos dados (back-end).
Para a reitora licenciada da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta, o programa reforça o papel da universidade como agente de transformação social. “O PET Saúde representa a essência da universidade comunitária, que une ensino, pesquisa e extensão para resolver problemas reais da sociedade. Projetos como esse mostram como o conhecimento acadêmico pode gerar impacto direto na qualidade de vida das pessoas”, afirma.
De acordo com o coordenador do PET Saúde Unesc, Rafael Amaral, caso os resultados do piloto sejam positivos, a expectativa é que o sistema seja ampliado e implementado de forma mais abrangente na rede municipal já no próximo ano. “A ideia é que possamos transformar essa experiência em uma solução efetiva para a rede pública, contribuindo para uma gestão mais eficiente e, principalmente, mais humanizada da saúde”, destaca.


















