Com mais de três décadas de história, a Sorvetes Lelé sempre foi um nome querido no litoral Sul, especialmente entre aqueles que recordam a infância com nostalgia, associando a marca a momentos de lazer e diversão nas praias da região. Em 2024, a tradicional fábrica de sorvetes e picolés passou a ter uma nova gestão, agora sob o comando de Rafael e Camila Rübensam. Com um projeto focado na expansão e renovação da marca, o casal, que vem de uma trajetória no setor cerâmico e de consultoria, está apostando em inovação, qualidade e em uma abordagem comercial que visa fortalecer a presença da Lelé o ano todo, e não apenas durante o verão. A busca por abrir franquiados, novos produtos e um modelo de negócios simples e rentável são as grandes apostas da nova gestão.
A decisão de comprar a Sorvetes Lelé não foi uma escolha simples para Rafael e Camila. Rafael, sócio-proprietário da empresa, explica como surgiu a oportunidade e o processo que levou à aquisição. “Eu venho do setor cerâmico e de consultorias e já atuamos com recuperação de empresas. A oportunidade de conhecer a Lelé surgiu por meio de um amigo em comum. Em janeiro deste ano, viemos até a fábrica, conversamos sobre números e o mercado, e fomos costurando uma negociação longa, pois a compra envolvia mais do que a empresa, envolvia um sentimento”.
Luiz Joaquim Elias, o fundador da Sorvetes Lelé, foi uma figura central nesse processo. “O seu Luiz tem um grande apreço pela marca. São 32 anos de história, e a negociação foi bem sensível porque envolvia uma marca que não é apenas um produto, mas também uma memória afetiva de muitos consumidores”, explica Rafael. O cuidado e o respeito com a história da empresa foram fundamentais para que o casal se sentisse confortável com a aquisição. “A Lelé é muito mais do que uma simples fábrica de sorvetes. Ela carrega um peso sentimental, uma identificação com a região, com a infância das pessoas. Essa conexão é algo que sempre esteve presente na nossa cabeça durante todo o processo”.
Após meses de negociação, a compra foi finalizada em junho de 2024, e desde então, Rafael e Camila iniciaram a implementação de sua visão de renovação e expansão da Lelé. “Nosso principal objetivo com a aquisição foi reavivar a marca, modernizar a produção e expandir a presença dela para além do verão, sem perder a essência do que ela representa para a região”, afirma.
Inovação e qualidade da marca
A Sorvetes Lelé sempre foi reconhecida pela qualidade de seus produtos, e a nova gestão não quer que isso mude. Rafael destaca que a principal aposta da Lelé é garantir que a qualidade continue sendo o ponto forte da marca, enquanto ela se adapta às demandas contemporâneas do mercado. Um dos aspectos que a nova gestão tem focado é o uso de ingredientes naturais, algo que sempre fez parte da filosofia da empresa.
“A Lelé sempre foi uma marca que prezou pela qualidade. Nossos sorvetes nunca utilizaram gordura hidrogenada, algo que é comum na indústria de sorvetes. Eliminamos esse componente, justamente porque acreditamos que as pessoas merecem consumir um produto de qualidade e que não faz mal à saúde. Nossos produtos têm um sabor autêntico, porque usamos frutas naturais e ingredientes de qualidade. E isso é um diferencial importante para nós”, afirma.
Além de eliminar a gordura hidrogenada, a marca também se preocupa com outras questões de saúde e bem-estar. “A nossa linha é isenta de glúten, o que já torna nossos produtos acessíveis a pessoas com intolerância. Também lançamos recentemente um picolé sem açúcar, feito com suco natural de manga e mamão, além de pedaços de fruta. É uma opção 100% natural, sem conservantes, e pensada especialmente para crianças e pessoas que têm intolerância ao açúcar”, completa o empresário.
Outro ponto importante na reformulação da Lelé foi a implementação de um departamento dedicado ao preparo das frutas. Rafael explica que a marca dá preferência à compra de frutas frescas da região, garantindo não apenas a qualidade dos ingredientes, mas também apoiando a economia local. “Todos os dias recebemos frutas frescas de produtores locais. É uma forma de fortalecer a nossa comunidade, enquanto garantimos que nossos produtos sejam sempre frescos e naturais”.
Abertura de franquias na região
Com a experiência acumulada no setor comercial, Rafael e Camila estão buscando expandir a marca através de franquias. No entanto, o modelo de franquia da Lelé não segue o caminho tradicional, com taxas de franquia e royalties elevados. Em vez disso, o casal tem como objetivo criar uma rede de franquias com baixa barreira de entrada e alta rentabilidade, com três tipos de lojas pensadas para se adequar a diferentes necessidades e orçamentos. Rafael detalha os três modelos de franquia que a Lelé está oferecendo: a Lelé Express, a Lelé Sorveteria e a Mega Loja.
“O modelo Lelé Express é o mais simples. Trata-se de uma loja de atacado, com preço de fábrica e atendimento autosserviço, onde o cliente escolhe seu produto, faz o checkout e leva para casa. O modelo Lelé Sorveteria mistura o formato de autoatendimento com um bufê de sorvetes, com mais de 20 sabores diferentes. Já o modelo Mega Loja é um conceito maior, com várias opções de freezers e bufê, ideal para locais com grande movimento”, explica Rafael.
A aposta da Lelé, no entanto, não está apenas em abrir novas lojas, mas em criar uma rede de parceiros, que, mais do que franqueados, serão colaboradores no sucesso da marca. “Não gostamos de chamar nossos futuros franqueados de franqueados, porque nossa intenção é mais uma parceria. Eles terão todo o apoio necessário, desde o treinamento até o suporte comercial. O sucesso do nosso negócio depende da venda e da rentabilidade do nosso parceiro, por isso, estamos focados em garantir que eles tenham uma margem boa e possam ter lucro com a venda dos produtos”, destaca o empresário.
Rafael também afirma que a escolha de abrir franquias na região próxima à fábrica tem um motivo estratégico. “Queremos estar perto da fábrica para garantir a qualidade do atendimento e o controle logístico. Além disso, essa proximidade com a fábrica nos ajuda a lidar melhor com a sazonalidade do mercado, já que o consumo de sorvetes tende a ser maior no verão e menor no inverno. Por isso, a expansão será gradual e bem planejada, para que possamos dar atenção a cada unidade de forma eficaz”.
Com a intenção de abrir dez unidades na região, a Lelé já está em processo de negociação com alguns interessados. “Já fechamos parcerias com duas cidades da região e temos outras propostas em análise. A ideia é garantir um crescimento orgânico e sustentável, com unidades que realmente façam sentido no mercado local”.
Além disso, a Lelé continua com sua tradição de vender sorvetes por meio de carrinhos, uma prática que é parte do charme da marca. “Os carrinheiros vão continuar, com a equipe do seu Luiz, que ainda está à frente da sorveteria no Rincão. A ideia é continuar com esse modelo tradicional, mas também expandir para novos pontos de venda, como supermercados e franquias, para que a Lelé seja acessível durante todo o ano”, aponta.
Para saber mais sobre as franquias ou os produtos, os interessados podem entrar em contato através do Instagram @lelesorvetes ou pelo WhatsApp (48) 3462-0748.
Colaboração: jornal Tribuna de Notícias / Edson Padoim



















