quarta-feira, 22 abril, 2026
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Quando o telefone vira arma

Os golpes virtuais têm se tornado cada vez mais comuns e agressivos, seja pela sofisticação tecnológica, seja pela forma como exploram o medo. Em uma ocorrência registrada em Criciúma, uma trabalhadora foi mantida por horas em ligação telefônica sob grave ameaça, após um criminoso afirmar que estaria em frente ao local de trabalho com comparsas armados e que conhecia detalhes de sua vida pessoal e familiar. A exigência era uma transferência imediata via Pix, sob pena de morte.

O elemento que mais desestabiliza nesse tipo de golpe é a impressão de que o criminoso “sabe demais”. Nomes, endereços, locais de trabalho e vínculos familiares são usados como prova de que a ameaça seria real. Acontece que hoje em dia, essas informações estão amplamente disponíveis na internet, em redes sociais, cadastros vazados e em dados fornecidos pelo próprio usuário ao longo do tempo. Ter acesso a informações não significa estar fisicamente presente, muito menos ter capacidade de executar a ameaça.

A estratégia é psicológica e consiste em manter a vítima isolada em ligação contínua, impedir que desligue o telefone, gerar urgência e pânico, levando a decisões impulsivas e financeiramente danosas. Quando o medo toma conta, a pessoa deixa de pensar com clareza, e o golpe se concretiza sem que o criminoso precise sair de onde está.

Nesse cenário, a subseção da OAB em Criciúma iniciou uma campanha de combate ao chamado “golpe do falso advogado”, modalidade que vem causando prejuízos tanto a cidadãos quanto ao sistema de justiça como um todo. A ação reforça exatamente o ponto central desse tipo de crime, que é a exploração da confiança e da urgência para induzir pagamentos indevidos, geralmente via Pix. Entre as orientações divulgadas estão a necessidade de nunca realizar transferências sem confirmação direta, utilizar apenas canais oficiais e desconfiar de solicitações financeiras feitas por aplicativos de mensagem, mesmo que a foto de perfil seja de alguém conhecido.

É justamente a partir dessas orientações que se extrai uma lição importante, desconfiar não é exagero, não é fraqueza e muito menos paranoia, é procedimento. Na prática policial, esse tipo de ocorrência não é exceção, é rotina, e o padrão se repete: quanto mais a vítima confia e permanece na ligação ou troca de mensagens, maior tende a ser o prejuízo.

Portanto, desconfiar é uma atitude racional diante de um cenário em que o crime se vale da informação e da pressão emocional para agir. Interromper a ligação, conversar com alguém de confiança e acionar a polícia não agravam o risco, ao contrário, encerram o golpe. Em tempos de exposição constante e comunicação instantânea, confiar cegamente é que se tornou perigoso. Ter cautela não é sinal de medo, mas de consciência, e ser precavido é entender que, no ambiente digital, quem desconfia se protege.

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