
Sentir-se triste ou abatido às vezes, é uma situação normal e que faz parte do nosso dia a dia. A tristeza é um sentimento experimentado em alguns momentos de nossa vida, são exemplos os lutos, perdas, decepções. Muitas pessoas se referem a este sentimento como depressão, porém, o que se sabe é que a tristeza é natural e expressa algum tipo de sofrimento, mas não compromete de maneira relevante as atividades cotidianas de uma pessoa. Para que isso ocorra, é necessário que as alterações tomem uma proporção patológica, acarretando prejuízos pessoais e sociais, dentre outros.
O transtorno depressivo maior, como é chamada popularmente a “depressão”, é um transtorno de humor que ocorre uma ou mais vezes ao longo da vida. Pode se apresentar de forma leve, moderada ou grave. Pessoas depressivas nem sempre sentem tristeza por tudo, mas é como se a vida não tivesse mais significado, como se estivessem em um “túnel sem saída” ou “buraco escuro”. Os planejamentos futuros passam a não ter valor e aquilo que lhe era prazeroso passa a não importar mais.
É necessário obter apoio dos familiares e de pessoas próximas, incentivando a compreensão da situação, uma vez que a há rompimentos na esfera bio-psico-social, e este apoio se torna relevante, visto que pode contribuir evitando o agravamento da situação ou a interrupção de tratamentos propostos nesta fase em que a pessoa se encontra.
Em episódios depressivos típicos, o indivíduo apresenta alguns dos sintomas a seguir, que são geralmente os mais frequentes : 1) angústia ou sensação de vazio; 2) desânimo; 3) falta de sentido na vida; 4) baixa autoestima; 5) incapacidade de sentir prazer/satisfação; 6) insônia ou sonolência excessiva; 7) pensamentos sobre morte ou suicídio, dentre outros. As comorbidades mais comuns associadas à depressão se referem ao uso de substâncias psicoativas e apresentação de transtornos de ansiedade generalizada, pânico e fobias.
Para melhores resultados no tratamento da depressão, é necessário que seja elaborado um diagnóstico cuidadoso e particular e um acompanhamento com diferentes profissionais. O médico psiquiatra, por exemplo, se envolve nas questões físicas (clínicas), pois, em alguns casos, é necessário que seja feito uso de medicações que auxiliam na melhora dos sintomas.
O psicólogo por sua vez, auxilia de forma fundamental na elaboração dos sentimentos vivenciados, trazendo meios para que a pessoa encontre uma forma de lidar com a situação em que se encontra naquele momento. É importante que a mesma seja estimulada a ter novos objetivos e busque alcançá-los, para que se sinta satisfeita e pronta a buscar outras situações que lhe causem novamente prazer. Buscar atividades agradáveis, novas possibilidades de interações com outros meios, outras pessoas, diminuem muito o contato com o que causa o sofrimento, repensando sua realidade atual e intervindo ela mesma na sua própria reinvenção.
Buscar auxílio profissional é essencial para que não haja o agravamento desses sintomas e possíveis ideias equivocadas de que o suicídio seja a única saída para os problemas decorrentes do estado deprimido, buscando dessa forma oferecer alívio dos mesmos, para uma mudança e melhora na qualidade de vida das pessoas.
Aline Castagnetti Borges
Psicóloga Clínica CRP-SC 12/14464



















