Morreu neste sábado, dia 22, aos 88 anos, o ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias, uma das figuras mais conhecidas da política catarinense e nacional. Com uma trajetória de mais de seis décadas na vida pública, Dias tinha uma ligação histórica com Içara, município onde iniciou sua caminhada política.
Manoel Dias havia completado 88 anos no último dia 13 de agosto. Conhecido também como Maneca, iniciou sua atuação política ainda jovem e, em 1962, foi eleito vereador de Içara pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), integrando a primeira legislatura do município.
Sua passagem pela Câmara de Vereadores de Içara, no entanto, foi interrompida após o golpe militar de 1964. Manoel Dias teve o mandato cassado e foi preso, permanecendo cerca de 11 meses no cárcere.
Mesmo diante da perseguição política, seguiu atuando na vida pública. Em 1965, participou da organização do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina e, no ano seguinte, foi eleito deputado estadual. Em 1969, durante o período do AI-5, voltou a ter o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos.
Com a redemocratização do país, Manoel Dias se consolidou como uma das principais lideranças do trabalhismo brasileiro. Ao lado de Leonel Brizola e de outros nomes históricos, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), legenda à qual dedicou grande parte de sua trajetória política.
Ao longo dos anos, ocupou diferentes funções partidárias e públicas, tornando-se uma das principais referências do PDT em Santa Catarina e mantendo forte atuação também no cenário nacional.
O ponto mais alto de sua trajetória no Executivo Federal ocorreu em 2013, quando Manoel Dias assumiu o cargo de ministro do Trabalho e Emprego, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Ele permaneceu à frente da pasta até 2015.
Mesmo com a projeção nacional, Manoel Dias nunca perdeu a ligação com Santa Catarina e, especialmente, com o Sul do Estado. Em Içara, seu nome permanece diretamente ligado ao início da história política do município, já que integrou a primeira formação do Legislativo içarense após a emancipação.
A morte de Manoel Dias encerra uma trajetória que atravessou alguns dos períodos mais marcantes da história política brasileira: o início da organização política de Içara, o regime militar, a redemocratização, a reconstrução do trabalhismo e a chegada ao primeiro escalão do Governo Federal.
Manoel Dias deixa um legado marcado pela atuação política, pela defesa das causas trabalhistas e por uma história que teve em Içara um de seus primeiros e mais importantes capítulos.
As informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.


















