Falta de higiene,espaço físico inadequado, inacessibilidade. Essas são apenas algumas das reclamações feitas pela servidora pública Silésia Pizzetti Augustinho, a respeito da Junta Médica Trabalhista da Prefeitura Municipal de Içara. Ela passou por uma cirurgia de quadril e se locomove apenas com o auxílio de um andador, e precisando do atendimento da Junta pôde comprovar as condições precárias do local. Segundo Silésia, durante o tempo que ficou aguardando ser atendida pelo médico, sentiu fortes dores, passou mal e não tinha nenhum copo para tomar água.
“Após ser submetida a uma artroplastia total de quadril com reconstrução, eu tive que passar pela Junta Médica, mas o local apresentou péssimas condições de atendimento. Os pacientes, em medida de 10 a 12 pessoas e mais crianças e pais que consultam com a psicóloga, têm que aguardar em um corredor de um metro de largura com cinco cadeiras, enquanto os demais aguardam na rua. O corredor não comporta a passagem de uma pessoa, tampouco um paciente com andador – como eu, muletas, cadeira de rodas, etc”, coloca.
Já no consultório médico, ela relata que a situação do espaço inadequado se repetiu, assim como as condições precárias como a falta de uma pia. “Mal havia espaço para a pequena mesa e duas cadeiras. Todos os pacientes estão afastados do trabalho por problemas de saúde e, o local é de inacessibilidade e de conforto zero. Quando me queixei com o médico sobre a falta de copo para tomar água, ele reclamou que não tinha nem uma pia para poder lavar as mãos. A situação é mesmo um caos”, garante Silésia.
Outro problema, de acordo com a servidora, é a falta de banheiro não só para os pacientes como também para os funcionários. Assim como a utilização inadequada do espaço para depósito de materiais aleatórios. “O local também não disponibiliza de banheiro para os pacientes e funcionários. Os doentes passam horas aguardando o atendimento e não têm banheiros ou simples local para beber água. Por ali, passam todos os tipos de doentes, inclusive de possíveis contágios, e o consultório não oferece salubridade e higiene aos pacientes e ao próprio médico, conforme exigem as Leis de saúde pública”, revolta-se. “A Junta Médica ainda é utilizada como depósito do materiais de segurança usados pelos funcionários da Prefeitura. Amontoados de materiais pelo chão e sobre os armários e arquivos, isso é inaceitável”, acrescenta.
Divisão de espaço
O espaço pequeno, que se resume a um estreito corredor, possui duas portas. Uma delas dá acesso direto ao médico, a outra, é o consultório da psicóloga que presta serviços para a Secretaria de Educação. Para Silésia, essa junção de serviços atrapalha ainda mais o atendimento prestado aos doentes.
“Isso não é adequado,pois é comum conflitos com pacientes da Junta que discordam da análise do médico e entram em discussões e brigas no consultório, podendo ser ouvidos pelas crianças no consultório do psicólogo ao lado, divididos por uma única parede de madeira, o que deve prejudicar o tratamento. Proximidade absolutamente incompatível e prejudicial”, coloca.
Indignada com a situação, a servidora pública encaminhou um ofício à Prefeitura Municipal e também à presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindeserpi), solicitando soluções para o problema. “Espero sinceramente não ter que recorrer ao Ministério Público para que se faça cumprir a Lei e dar o mínimo de tratamento humanista àqueles que dedicam sua vida a servir a população içarense”, completa.
Contraponto
De acordo com o secretário de Administração, Tiago Fogaça, a Prefeitura Municipal é conhecedora dos problemas existentes, e soluções estão sendo buscadas para tentar resolver o problema. Segundo ele, a situação já é antiga.
“Conversei com o doutor Luís, que é o responsável, e ele me disse que não presta atendimento médico, só realiza o controle. Todavia, se houvesse um espaço maior, seria possível também realizar o atendimento. Nós somos conhecedores do problema, que já é antigo e se estende há alguns anos. Me comprometi com ele então, a analisar o que podemos fazer sobre isso. Ou adequamos aquele espaço, ou procuramos um outro para oferecer o atendimento adequado aos servidores que necessitam”, assinala.
O secretário, no entanto, diz que não é possível estipular um prazo para a resolução do problema, mas garante que colocará a situação na pauta de assuntos prioritários. “Infelizmente, dependemos de recursos. Por isso prefiro não dar um prazo e depois não cumprirmos. Mas vou fazer uma reunião com o doutor Luís e conversar com ele sobre o que pode ser feito, e também colocar o assunto em pauta para ser discutido logo”, finaliza Fogaça.
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