O Sul do Estado encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 5.096 empregos formais. O resultado, no entanto, representa uma redução de 52% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram criadas 10.611 vagas, e é o menor registrado para os seis primeiros meses do ano desde 2020.
Após o saldo negativo de 9.641 postos de trabalho entre janeiro e junho de 2020, ano marcado pelos impactos da pandemia, a região apresentou forte recuperação em 2021, com a criação de 15.172 vagas no primeiro semestre. Entre 2022 e 2025, o saldo para o período se manteve entre 9.210 e 10.980 novos empregos, patamar interrompido em 2026.
“Não existe apenas um motivo para essa desaceleração. Já havia um cenário tendencial de redução do ritmo de crescimento econômico no país, por questões que estamos acompanhando há algum tempo, como a manutenção dos juros em patamares elevados”, observa o economista Leonardo Alonso Rodrigues.
A análise mensal mostra que o desempenho positivo ficou concentrado no início deste ano. Janeiro registrou a criação de 1.319 vagas, fevereiro somou 2.332 e março alcançou o melhor resultado do semestre, com 3.027 novos postos de trabalho.
Juntos, os três primeiros meses acumularam saldo positivo de 6.678 empregos. A partir de abril, porém, houve uma mudança de trajetória: o resultado caiu para 566 vagas e passou ao campo negativo em maio, com o fechamento de 1.157 postos, e em junho, com a perda de 991 vagas. Dessa forma, o segundo trimestre terminou com saldo negativo de 1.582 empregos.
“Nos últimos dois meses, a mesorregião teve saldos negativos bastante expressivos. De janeiro a abril, tivemos resultados positivos e, em maio e junho, houve um desempenho ruim. Em economia, para confirmar uma tendência (para séries mensais), precisamos que os dados mostrem retração ou inclinação de alta por pelo menos três meses consecutivos”, afirma o especialista.
Com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Rodrigues e o também economista Alison Fiuza elaboram o Boletim do Emprego Formal, disponibilizado pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic). O documento completo, com informações e análises, pode ser consultado no site da entidade.
Saldo de empregos na Amrec recua 49%
Nos 12 municípios da Região Carbonífera, o saldo foi de 2.112 empregos formais no primeiro semestre de 2026. O número representa uma queda de 49% em relação às 4.146 vagas criadas no mesmo período de 2025 e também configura o menor resultado positivo da série analisada.
Assim como no conjunto do Sul catarinense, o desempenho da Amrec foi sustentado pelo primeiro trimestre. Janeiro registrou 302 novas vagas, fevereiro somou 835 e março alcançou 1.234. No período, foram criados 2.371 empregos.
Em abril, o saldo caiu para 129 vagas. Maio e junho apresentaram resultados negativos, com o fechamento de 154 e 234 postos de trabalho, respectivamente. Com isso, o segundo trimestre terminou com perda líquida de 259 vagas.
“Boa parte da sustentação da geração de empregos formais vinha dos serviços e da indústria. Mais recentemente, porém, houve um impacto no setor de serviços, que emprega mais em comparação com outras atividades, e isso gerou uma preocupação maior”, ressalta o economista Alison Fiuza.
Desempenho diferenciado entre municípios
Entre os municípios da Amrec, Içara liderou a geração de empregos no semestre, com saldo de 621 vagas, resultado ligeiramente superior ao registrado em 2025, quando foram criados 614 postos. Na sequência aparecem Nova Veneza, com 307 vagas; Orleans, com 300; Balneário Rincão, com 288; Criciúma, com 254; e Morro da Fumaça, com 245.
Dos 12 municípios, dez encerraram o período com saldo positivo. Lauro Müller apresentou fechamento de 122 postos de trabalho, enquanto Siderópolis registrou saldo negativo de 199 vagas.
Criciúma teve a retração mais expressiva na comparação anual. O município passou de 1.836 empregos gerados no primeiro semestre de 2025 para 254 em 2026, redução de aproximadamente 86%. A diferença de 1.582 vagas respondeu por cerca de 78% da queda registrada no saldo total da Amrec.
Em sentido contrário, Morro da Fumaça avançou de 104 para 245 vagas; Balneário Rincão passou de 254 para 288; e Treviso reverteu o saldo negativo de 41 postos em 2025 para um resultado positivo de 18 empregos em 2026.
“A leitura dos dados mostra que a retração não foi uniforme: parte relevante dos municípios da Região Carbonífera apresentou saldo positivo, enquanto as perdas ficaram concentradas principalmente em Criciúma”, destaca Fiuza.


















