Por Alexandra Cavaler
De uma cultura ainda recente a uma atividade que movimenta propriedades rurais e conquista espaço na agricultura catarinense. A pitaya vem ampliando sua presença no Sul de Santa Catarina e, ano após ano, os pomares entram em novas fases de produção, elevando o volume colhido e consolidando a região como o principal polo produtor do Estado. Na safra 2025/2026, o resultado foi mais um recorde: aproximadamente 7,8 mil toneladas da fruta foram produzidas no Sul catarinense.
O desempenho acompanha uma trajetória de crescimento construída ao longo dos últimos anos. Santa Catarina já ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de pitaya do Brasil, e cerca de 90% de toda a produção estadual está concentrada no Sul. O avanço é resultado da expansão das áreas cultivadas, da entrada de novos pomares em produção e, principalmente, da evolução das técnicas empregadas pelos agricultores.
Para Eusébio Pasini Tonetto, engenheiro agrônomo e responsável pelo Programa de Fruticultura da Epagri no Sul de Santa Catarina, a região alcançou um nível tecnológico elevado no cultivo da fruta.
“O Sul de Santa Catarina corresponde por 90% da produção de pitaya de Santa Catarina, e Santa Catarina é o segundo maior produtor do Brasil. Aqui no Sul, a gente concentra hoje altos níveis tecnológicos, seja na questão genética, variedades, plantas autoférteis, sistema de produção e supradensamento”, explica.
Segundo Tonetto, o conhecimento acumulado pelos produtores também avançou em áreas como fertilidade do solo e manejo das plantas. “A gente domina bem a questão de fertilidade de solo, mas principalmente o que diz respeito à promoção de saúde das plantas. A gente promove o conforto dessas plantas, então elas são bem produtivas”, destaca.
Uma cultura que ainda está crescendo
Apesar da importância conquistada atualmente, a história comercial da pitaya em Santa Catarina é relativamente recente. A cultura começou a ganhar espaço no Sul por volta de 2010 e, desde então, novas áreas vêm sendo implantadas de maneira gradual.
“Como a pitaia é uma cultura recente, ela entrou aqui no Sul de Santa Catarina cerca de 2010, por aí. Então, ano após ano, vai tendo um incremento de área. Os agricultores vão entrando com novas áreas e, conforme o pomar vai ficando mais velho, a área vai entrando em fase produtiva, vai aumentando a produção da fruta”, explica o engenheiro agrônomo.
O processo ajuda a entender por que os números continuam crescendo. A pitaya é uma cultura perene e, à medida que os pomares amadurecem, aumenta também a capacidade produtiva das propriedades.
A expansão, porém, não ocorre apenas pelo aumento da área. Os novos plantios chegam acompanhados de conhecimento e tecnologias que permitem maior aproveitamento do espaço e melhor produtividade. “Todo ano, teoricamente, é um recorde”, resume Tonetto.
Na safra anterior, o volume chegou a cerca de 7 mil toneladas, segundo a Epagri. O resultado foi favorecido tanto pela ampliação das áreas em produção quanto pelo bom desempenho das plantas e pelas condições climáticas.
“Além do aumento da área plantada, as novas áreas também têm um ganho um pouco melhor, são mais produtivas e mais adensadas. Então, a gente teve um recorde de produção. A gente atingiu 7 mil toneladas. E o que a gente tem que deixar claro é que também foi devido a esse aumento da área plantada, mas o clima foi muito bom, muito favorável, o que contribuiu para que chegasse nesses números”, explica.
Produção exige atenção ao clima
Para a próxima temporada, a expectativa é manter os níveis elevados de produtividade. O desafio, porém, está nas condições climáticas previstas para o período.
Tonetto alerta que a influência do fenômeno El Niño pode trazer um cenário mais chuvoso e exigir cuidados redobrados dos produtores, principalmente nos períodos mais importantes para o desenvolvimento da cultura.
“Este ano a gente está trabalhando para que consiga se manter esse nível de produção, essa produtividade. Porém, a gente tem a expectativa e sabe, tem a previsão no caso do El Niño, então vai ser um ano mais chuvoso, um ano mais crítico”, afirma.
Entre os momentos que mais preocupam está o período de floração. Para que a produção alcance bons resultados, as condições climáticas durante essa fase são importantes.
“A gente tem que ter sorte para quando chega a época, principalmente da florada, a gente consiga pegar uma época boa, de clima bom”, observa.
Diante desse cenário, a orientação é trabalhar de maneira preventiva e preparar os pomares para enfrentar o excesso de chuva e outros efeitos provocados pelo clima.
Manejo é aliado do produtor
Entre as recomendações da Epagri está a manutenção adequada das áreas de cultivo. Em terrenos planos, por exemplo, é fundamental garantir que a água tenha condições de escoar rapidamente.
“Algumas recomendações para os agricultores são manter as áreas planas, manter as valas de drenagem sempre bem limpas, para que essa água escoe rápido”, orienta Tonetto.
Nas áreas mais declivosas, a recomendação é manter o solo protegido. “Áreas mais declivosas, manter plantas de cobertura, sempre esse solo coberto para evitar erosão”, explica.
Outro cuidado importante está relacionado aos ventos. Em propriedades sujeitas a rajadas mais fortes, os quebra-ventos precisam estar bem estruturados e receber manutenção constante. “Áreas que têm incidência de ventos fortes, manter os quebra-ventos sempre bem feitos, bem cuidados”, reforça.
São medidas que, segundo o engenheiro agrônomo, podem ajudar o produtor a reduzir os impactos das condições adversas. “Então, alguma forma que tem para o agricultor tentar atenuar esse efeito do El Niño” é justamente trabalhar antecipadamente no manejo e na estrutura dos pomares.
De alternativa de renda a cadeia em expansão
A evolução da cultura também representa uma nova possibilidade de renda para propriedades familiares. Em diferentes municípios do Sul catarinense, a pitaya passou a integrar sistemas produtivos que anteriormente tinham forte presença de outras culturas, inclusive o tabaco.
A atividade se expandiu especialmente no Extremo Sul, com destaque para municípios como São João do Sul, Santa Rosa do Sul e Sombrio. Turvo também ocupa um lugar importante nessa história, por ter sido um dos municípios onde os primeiros pomares comerciais de Santa Catarina começaram a ser implantados.
O avanço tecnológico e o amadurecimento dos pomares ajudam a explicar a evolução dos números. Em levantamento anterior da Epagri, Santa Catarina contabilizava centenas de produtores e milhares de toneladas colhidas. Com a entrada de novas áreas em produção, a cadeia continua em transformação.
Mais do que aumentar a quantidade produzida, o desafio agora é manter a produtividade, enfrentar as variações climáticas e garantir condições econômicas para que a atividade continue sendo atrativa aos agricultores.
A pitaya, que há pouco mais de uma década ainda começava a conquistar espaço nas propriedades catarinenses, hoje se tornou uma cultura de relevância para o agronegócio regional. E, no Sul do Estado, o conhecimento acumulado pelos produtores e o investimento em tecnologia colocam a região no centro dessa expansão.
Variedade

Colorida, nutritiva e cada vez mais presente na mesa dos consumidores, a pitaya deixou de ser apenas uma fruta exótica para se tornar uma alternativa sólida de renda no campo. Um dos diferenciais da fruta está na diversidade de cultivares: pitaya roxa, branca, amarela e outras variedades, inclusive algumas com espinhos e características específicas de sabor. Tem variedades mais doces, outras com características diferentes.



















