quinta-feira, 7 maio, 2026
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El Niño já mobiliza cidades do Sul

Foto: Nilton Alves

Santa Catarina deve sentir os efeitos do El Niño mais cedo do que o esperado neste ano. O fenômeno, tradicionalmente associado à primavera, está se desenvolvendo com maior rapidez e já deve dar sinais a partir de julho, ainda durante o inverno. Diante do cenário, municípios têm intensificado ações de prevenção, especialmente no Sul do Estado.

Em Criciúma, o monitoramento já ocorre há cerca de um mês. Segundo o diretor da Defesa Civil, Fred Gomes, os modelos meteorológicos indicam avanço significativo na probabilidade de ocorrência do fenômeno. “Primeiro começou com essa questão de El Niño de 60%. Agora tem modelo que mostra 90% de chance do El Niño acontecer, então a gente tem trabalhado já nessa questão do El Niño forte que possamos ter nos próximos meses. Uma transição da saída da La Niña para a entrada do El Niño. Tem uma neutralidade ali, que cada município possa pensar de que forma pode mitigar os riscos na sua cidade, que cada coordenador, cada prefeito sabe o que tem na sua cidade e sabe o melhor caminho para estar atendendo, aqui em Criciúma não é diferente”, disse.

Uma reunião com todos os setores da prefeitura está marcada para a próxima semana, com o objetivo de alinhar estratégias de resposta. “Secretaria de Obras, Assistência Social, Defesa Civil, todo mundo envolvido para estarmos cientes do que possamos ter. O que me deixa mais tranquilo, é que a gente já vem trabalhando a prevenção na cidade, porque é uma coisa que não pode parar. Por exemplo, a limpeza de bocas de lobo. A gente tem milhares de bocas de lobo. E isso acontece de forma frequente. A Secretaria de Obras é muito atuante. Limpeza de rios, a gente também vem fazendo isso também com bastante frequência. A gente trabalha o ano todo, para que não tenha tanto problema em relação a um possível El Niño forte”, afirma Gomes.

Algumas regiões da cidade devem receber atenção especial por conta do histórico de alagamentos.  “A gente tem alguns pontos mais baixos da cidade, então vamos trabalhar nesses pontos que a gente sabe que pode ter uma problemática maior. Na Grande Rio Maina, tem Monte Castelo, tem Vila Zuleima, Vila Francesa, seguindo para frente tem Imperatriz. Tem Sangão, tem São Roque. Esses pontos, por conta do Rio Sangão que corta eles, a gente tem que ter atenção. Verdinho também a gente tem um monitoramento em relação à água cair fora da calha do rio, então temos toda uma preocupação”, diz.

Descarte irregular preocupa

Além das condições climáticas, a Defesa Civil aponta o descarte irregular de lixo como um dos fatores que agravam os alagamentos. “O que tem de preocupação maior é a quantidade de lixo que a gente vê nas ruas, que a gente vê colocado de forma errada. A gente teve um chamado no Renascer nas últimas chuvas que deu. Teve um ou outro ponto de alagamento, que é normal. Uma problemática que saiu um curso d’água fora da calha. Fomos descobrir que tinha um colchão bloqueando a entrada do dreno. A gente pede que a população faça o descarte correto, para que não aconteça nada de mais grave”.

Região também se prepara

Outros municípios do Sul também reforçam as ações preventivas. Em Cocal do Sul, a limpeza de praticamente toda a extensão do Rio Tigre já foi realizada, além de intervenções em trechos do Rio Cocal para ampliar a capacidade de vazão. A cidade também instalou grades em bocas de lobo em pontos críticos. “Estamos trabalhando com planejamento e antecedência. São várias frentes acontecendo ao mesmo tempo, com o objetivo de preparar a cidade para um volume maior de chuva e reduzir ao máximo os transtornos para a população”, disse o prefeito Ademir Magagnin.

O coordenador da Defesa Civil do município, Luciano Brolesi, destacou que o foco é evitar a repetição de problemas recentes. “A gente já fez a limpeza de praticamente todo o Rio Tigre e também pontos do Rio Cocal. A ideia é deixar o sistema preparado para receber um volume maior de água e evitar situações de alagamento”, afirmou.

Debate estadual

Em nível estadual, a Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou a realização de uma audiência pública para discutir ações de prevenção e gestão de riscos frente a eventos climáticos extremos.

A proposta é reunir especialistas, órgãos de segurança e defesas civis para avaliar o preparo do Estado diante das projeções relacionadas ao El Niño. “Dada a gravidade das previsões, se faz necessária a promoção dessa audiência para discutir com meteorologistas, órgãos de segurança, defesa civil para saber como Santa Catarina está se preparando e para que não ocorra aqui o que aconteceu no Rio Grande do Sul há dois anos”, disse o deputado Matheus Cadorin.

Entenda o fenômeno

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, na região próxima à linha do Equador. Para ser configurado, esse aquecimento precisa atingir pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado, o que interfere diretamente na formação de nuvens e na distribuição de chuvas, especialmente nas regiões tropicais.

 

Colaboração: Thiago Oliveira – Jornal Tribuna de Notícias

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