O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura do câncer em crianças e adolescentes. Durante o Setembro Dourado, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a importância de pais, responsáveis e profissionais de saúde fiquem atentos a sinais que podem indicar a doença. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 350 novos casos de câncer infantojuvenil em Santa Catarina.
O câncer infantojuvenil corresponde a um grupo de doenças caracterizadas pela proliferação descontrolada de células anormais, podendo ocorrer em qualquer parte do organismo, entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Diferentemente dos tumores em adultos, os cânceres nessa faixa etária são predominantemente de natureza embrionária e costumam afetar as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação.
Santa Catarina possui uma rede oncológica com 21 unidades que realizam o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), distribuídas em diferentes regiões.
Nas últimas décadas, os avanços no diagnóstico e no tratamento foram significativos. Atualmente, cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados quando a doença é identificada precocemente e o tratamento é realizado em centros especializados. No Brasil, entretanto, o câncer já é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes, segundo o INCA.
“O câncer infantojuvenil abrange diversas doenças e suas causas variam conforme a idade. Em bebês e crianças muito pequenas, alguns tumores, como o retinoblastoma, podem estar ligados a fatores hereditários. Já em crianças maiores e adolescentes, observamos com mais frequência linfomas e leucemias, além dos Sarcomas, que nessa faixa etária acometem mais os ossos, ligamentos, tendões, e que podem estar relacionados ao estirão de crescimento. Outros tumores, em adolescentes, são relacionados à maturação sexual, especialmente nos meninos. Tumores de testículo, por exemplo, são mais comuns em jovens”, explica o Dr. Matheus Cadore, oncologista clínico do setor de Adolescentes e Adultos Jovens do Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON).
Sinais de alerta
Como, na maioria dos casos, não há um fator específico que permita prevenir o câncer infantojuvenil, a atenção aos sinais e a busca por avaliação médica são fundamentais para o diagnóstico precoce.
Entre os sinais que merecem atenção estão febre persistente por mais de uma semana sem causa aparente; palidez acentuada; hematomas ou sangramentos sem explicação; aumento dos linfonodos (ínguas) sem sinais de infecção ou que não desaparecem em até dez dias; perda de peso sem explicação; aumento do volume abdominal; e dor óssea localizada que piora progressivamente.
Outro cuidado importante está relacionado ao retinoblastoma, um tipo de tumor ocular que pode ocorrer principalmente em crianças pequenas. Uma medida simples é observar o reflexo dos olhos em fotografias feitas com flash. Se, em vez do reflexo avermelhado habitual, aparecer uma mancha ou reflexo esbranquiçado em um dos olhos, é importante procurar avaliação médica. A orientação não substitui o teste do olhinho, realizado pelo pediatra após o nascimento.
Prevenção e hábitos saudáveis
Embora muitos tipos de câncer infantojuvenil, especialmente os sarcomas, não tenham medidas específicas de prevenção, a promoção da saúde desde a infância contribui para reduzir riscos de doenças ao longo da vida. Por isso, manter hábitos saudáveis e o acompanhamento regular de saúde são importantes desde os primeiros anos.
“O que podemos e devemos fazer também é investir em saúde preventiva para a vida adulta, como manter o calendário vacinal em dia — a exemplo das vacinas contra hepatite B e HPV —, estimular hábitos saudáveis, boa alimentação, prática de exercícios físicos e atenção à saúde mental. Esses cuidados terão impacto direto na redução de alguns tipos de câncer ou outras doenças no futuro”, completa o oncologista.
O diagnóstico precoce, aliado a um tratamento especializado e humanizado, podem fazer a diferença no enfrentamento ao câncer infantojuvenil, aumentando as chances de cura e proporcionando melhor qualidade de vida às crianças e adolescentes.
Jornalista responsável: Michelle Valle



















