Por Alexandra Cavaler
A Região Carbonífera vive um cenário de alerta na saúde pública com o avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Dados atualizados às 12h30 desta segunda-feira, dia 4 de maio, pelo Centro de Informações Estratégicas para a Gestão do SUS (Cieges) apontam um volume elevado de internações e mortes associadas a doenças como influenza (gripe), bronquiolite e outras infecções respiratórias, em 2026. Quanto aos leitos de UTI o painel aponta que a ocupação atual é de 76% com 48 leitos disponíveis em toda a Região Sul.
Até o momento, já são 537 casos confirmados de SRAG, com 535 hospitalizações, o que indica que praticamente todos os pacientes evoluíram para quadros que exigiram atendimento hospitalar. Desses, 68 necessitaram de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O número de óbitos também chama atenção: 22 mortes foram registradas na região.
O cenário se agrava com a aproximação das temperaturas mais baixas, período historicamente associado ao aumento da circulação de vírus respiratórios.“Atualmente, observa-se um aumento sazonal dos casos de síndromes respiratórias, no município de Criciúma, cenário esperado para este período do ano. Nas últimas semanas, houve crescimento perceptível na procura por atendimentos”, explica a enfermeira Katiane Figueiredo, Gerente de Vigilância em Saúde de Criciúma.
Vigilância em Saúde de Criciúma faz alerta
As ações estratégicas para enfrentamento do aumento dos casos de doenças respiratórias na região Carbonífera estão sendo coordenadas pela Regional de Saúde, que realiza o monitoramento contínuo da situação epidemiológica e da capacidade assistencial da rede.
“A Regional acompanha diariamente os indicadores, tanto do ponto de vista epidemiológico quanto da ocupação hospitalar, para garantir respostas rápidas diante de qualquer agravamento do cenário”, declara Katiane reforçando que o momento exige atenção redobrada da população, especialmente por conta do período de maior circulação de vírus respiratório: “Estamos em uma época do ano em que há aumento natural desses vírus, o que exige cuidado especial com os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades”.
A gerente também enfatiza a importância das medidas preventivas para conter a disseminação das doenças. “É fundamental manter a vacinação em dia, higienizar frequentemente as mãos, manter os ambientes ventilados e utilizar máscara em caso de sintomas respiratórios. Ao apresentar sinais como febre persistente, falta de ar ou piora do estado geral, a orientação é procurar atendimento de saúde o quanto antes”, orienta, acrescentando que a colaboração da população é decisiva neste momento.“Com responsabilidade e cuidado coletivo, conseguimos reduzir a transmissão e proteger quem mais precisa”.
Ela revela que a cobertura vacinal contra a gripe Criciúma está entre os municípios de maior porte com melhor desempenho proporcional na aplicação de doses, superando cidades como São José, Chapecó e Joinville nesse indicador. “Foram aplicadas 23.492 doses da vacina contra influenza, alcançando uma cobertura de 42,09%.Entre os grupos prioritários, a cobertura está distribuída da seguinte forma: crianças: 4.777 doses (31,57%); gestantes: 1.029 doses (50,84%) e idosos: 17.686 doses (45,75%). Mas, apesar do avanço, a cobertura ainda está abaixo do ideal, especialmente entre as crianças, o que reforça a necessidade de ampliação da vacinação. Nesse sentido, a Secretaria vem intensificando a busca ativa, com ações em escolas e estratégias para facilitar o acesso da população à imunização”, esclarece Katiane.
Município concentra maior número de casos e óbitos
O levantamento com bade nos dados do Ciegesmostra que Criciúma lidera com folga os registros, concentrando 326 casos, 325 internações, 37 internações em UTI e 12 óbitos, mais da metade das mortes registradas em toda a região.Na sequência aparecem municípios como Içara (66 casos e duas mortes), Forquilhinha (37 casos e um óbito) e Cocal do Sul, que chama atenção pelo número proporcionalmente elevado de mortes: cinco óbitos em 23 casos, o que indica alta letalidade local.
Outras cidades como Morro da Fumaça, Balneário Rincão, Urussanga e Orleans também apresentam registros, ainda que em menor escala, evidenciando que o avanço das doenças respiratórias ocorre de forma disseminada em toda a região.
O secretário de Saúde de Criciúma, Deivid de Freitas Floriano, afirma que já há aumento na procura por atendimento por síndromes respiratórias no município.“Já observamos um crescimento significativo no número de pacientes buscando os serviços de saúde, desde UPA até unidades e hospitais, principalmente entre crianças e idosos”, revela, reforçando que o principal alerta neste momento é a vacinação.“A gripe é uma doença prevenível, e a forma mais eficaz de proteção é a vacina, especialmente para os grupos de risco, como crianças, gestantes e idosos”.
Influenza e bronquiolite impulsionam os casos
Ainda de acordo com os dados do Cieges, entre os diagnósticos associados à SRAG, a influenzaaparece como uma das principais causas de hospitalização. Os dados apontam:52 casos confirmados de influenza, 52 internações, um paciente em UTI e dois óbitos.
Além da gripe, outro destaque é a bronquiolite, doença que afeta principalmente crianças pequenas e está frequentemente associada ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Embora os dados não detalhem separadamente todos os vírus, o conjunto de infecções respiratórias contribui para o aumento das internações.
Grupos vulneráveis
Crianças pequenas e idosos seguem como os grupos mais suscetíveis a complicações. No caso da bronquiolite, o impacto é maior entre bebês, enquanto a influenza tende a causar quadros mais graves em idosos e pessoas com comorbidades. “A combinação de circulação viral intensa e baixa cobertura vacinal em alguns grupos pode agravar ainda mais o cenário uma vez que ainda há circulação concomitante de outros vírus respiratórios, como o rinovírus e o coronavírus, o que contribui para o aumento dos quadros respiratórios neste período”, assinala Katiane.
Vacinação e prevenção são essenciais
Diante do aumento dos casos, a principal recomendação das autoridades de saúde é reforçar as medidas de prevenção:
- Vacinação contra a gripe
- Higienização frequente das mãos
- Uso de máscara em caso de sintomas respiratórios
- Evitar contato com pessoas doentes
- Procurar atendimento médico ao surgirem sinais de agravamento
Sintomas como falta de ar, febre persistente e queda na oxigenação são considerados sinais de alerta e exigem avaliação médica imediata.
Entenda a doença
O que é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)?
A SRAG não é uma doença específica, mas sim um quadro clínico grave causado por diferentes vírus respiratórios, como:
- Influenza (gripe)
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR), comum na bronquiolite
- Covid-19
- Outros vírus respiratórios
Principais sintomas
- Febre alta
- Tosse persistente
- Falta de ar ou dificuldade para respirar
- Dor no peito
- Cansaço intenso
- Queda na oxigenação
Quando procurar atendimento?
Procure um serviço de saúde imediatamente se houver:
- Dificuldade para respirar
- Lábios ou unhas arroxeadas
- Febre persistente
- Prostração (fraqueza intensa)
Como se proteger
- Vacine-se contra a gripe
- Lave as mãos com frequência
- Use máscara se estiver com sintomas
- Evite aglomerações quando doente
- Mantenha ambientes ventilados


















