Da série de entrevistas que estão sendo publicadas pelo Jornal Gazeta, a conversa desta quarta-feira é com o candidato a deputado federal Jorge Boeira. Eleito deputado federal pela primeira vez em 2002, de lá para cá já exerceu três mandatos. Atualmente filiado ao PP, onde segundo ele, trata-se de um partido que tem raízes nos valores da família, no trabalho e na crença em Deus.
Boeira destaca ainda que a tradição e a força que o PP tem em Santa Catarina, lhe dá um entusiasmo para tornar sua atuação política mais ampla, pautada pela honestidade. “Os valores da legenda me deixam seguro de que poderei continuar atuando para a melhoria da vida das pessoas, principalmente aquelas que vivem com menos, pois são as que mais precisam do Estado brasileiro”, acredita. Acompanhe a entrevista:
Porque o desejo de disputar a reeleição?
Para continuar a melhorar a vida das pessoas e eu acredito que é a educação que faz isso acontecer, por isso, quando concorri eleitoralmente pela primeira vez, em 2002, minha única promessa era trazer a Universidade Federal para a região Sul do Estado. Eleito eu destinei grande parte de minhas emendas para isso e, em 2009, o campus de Araranguá da UFSC foi inaugurado. No meu segundo mandato o foco foi o ensino profissionalizante e conseguimos trazer para Criciúma, Araranguá e Tubarão o campus do Instituto Federal de Educação. Agora queremos avançar na direção do ensino em tempo integral nas escolas públicas.
Considera importante a região ter uma representatividade na Câmara Federal?
Oque está em disputa são os recursos da União, recursos estes que nada mais são do que o dinheiro que pagamos em impostos diariamente. Anualmente cada deputado tem direito de indicar emendas para municípios, entidades, etc. No ano passado foram cerca de R$15 milhões (por deputado), destinados para construção de postos de saúde e creches, aquisição de equipamentos agrícolas, máquinas para as prefeituras, pavimentação de ruas entre outras coisas. Além disso, um deputado consegue trabalhar politicamente junto aos órgãos públicos, para conseguir que programas federais cheguem ao seu Estado. E também pode fazer as duas coisas, como fiz para conseguirmos instalar a UFSC e o IFSC aqui no Sul. Destinei emendas e articulei politicamente com o Governo Federal para que isso se tornasse realidade. Hoje temos ensino superior e profissionalizante públicos e gratuitos na região. E a consolidação disso é a abertura do curso de medicina na Ufsc de Araranguá e a perspectiva de abertura de Engenharia Mecânica no Ifsc.
Quais as vantagens dessa representatividade?
Sem representantes uma região tem mais dificuldade para conseguir os recursos e investimentos citados.
Como você avalia a situação da região Sul? E o estado de Santa Catarina, qual a sua avaliação para o momento vivido atualmente?
Há uma grande perspectiva de crescimento futuro, em virtude das grandes obras estruturais que estão sendo realizadas na região. Mas os investimentos em educação, com a implantação da Ufsc e do Ifsc, também têm sido fundamentais.
Que projetos estariam dentro de sua visão estratégica para a região?
A escola em tempo integral nas escolas de ensino fundamental e médio. É uma ideia simples, mas revolucionária: um conceito de educação onde a criança passa o dia inteiro na escola, estudando em um período e no outro poderão fazer cursos diversos, atividades esportivas e terão reforço escolar. Isso ajuda a tirar a criança da rua e afastá-las da criminalidade. Também facilita a vida dos pais, que podem trabalhar tranquilos sabendo que seus filhos estão no ambiente escolar e aumenta a renda da família. Além disso, quando a criança volta para casa, poderá ficar mais com os pais, pois já terá feito suas tarefas na escola.
Quais as áreas que precisam de mais atenção, a seu ver, na região?
A agricultura familiar, educação, infraestrutura e saúde.
Já ocupou algum cargo público eletivo? Se sim, quais foram os principais projetos ou ações desenvolvidos durante a sua gestão?
Sou deputado federal no terceiro mandato. O que mais me orgulha foi ter trazido a Universidade Federal e o Instituto Federal de Educação para a região Sul, como já citei. Entre os principais projetos de Lei que apresentei está um que pretende assegurar o poder aquisitivo dos brasileiros com a valorização do salário mínimo. Atualmente a lei que fixa os reajustes do salário tem validade de apenas quatro anos. A que foi aprovada em 2011 perderá validade em 2015, sendo necessária a criação de uma nova regra. Isso gera inclusive incerteza sobre os futuros valores. Com esse projeto vamos assegurar a manutenção de uma política clara e permanente de aumento do salário. O reajuste será feito conforme a variação positiva do PIB, de forma se recupere rapidamente o poder de compra de quem vive se salário mínimo, inclusive os aposentados e pensionistas.
Cite dois projetos que pretende apresentar, se eleito, e explique de onde virão os recursos para implementá-los?
O projeto de valorização do salário mínimo já foi aprovado e está pronto para o votarmos na Câmara Federal. Já estou trabalhando em outro que permitirá ao juiz decidir se os menores infratores que cometeram crimes hediondos serão julgados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente ou pelo Código Penal. Outro trabalho que vou continuar fazendo é pressionar o governo para garantir que os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social sejam realmente aplicados na saúde e na educação, conforme aprovamos no Congresso. Já existe dinheiro no Fundo Social e o governo não está repassando para a saúde, porque ainda não regulamentou e também não tem interesse em regulamentar. O governo está usando este dinheiro para fazer superávit primário e pagar juros da dívida externa. Portanto as pessoas estão morrendo porque o governo prefere pagar juros da dívida.
Perfil
Nome: Jorge Catarino Leonardeli Boeira
Apelido: Boeira
Naturalidade: Vacaria (RS)
Idade:58 anos
Estado Civil: Casado
Grau de instrução: Superior Completo
Quantos filhos e netos: Duas filhas
Ocupação declarada: Engenheiro Mecânico
Especial Jornal Gazeta

















