Por Alexandra Cavaler
Mais do que formar profissionais, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) reafirma diariamente sua missão como universidade comunitária ao colocar conhecimento, ciência e cuidado a serviço da população. Um dos exemplos mais emblemáticos dessa conexão com a comunidade é o Programa de Atenção Materno-Infantil e Familiar (Pamif), que há mais de duas décadas acolhe gestantes, bebês e familiares, promovendo saúde, bem-estar e fortalecimento de vínculos por meio de uma atuação multiprofissional e humanizada. Integrando ensino, pesquisa e extensão, o programa demonstra na prática como a Universidade impacta positivamente a vida das pessoas em diferentes fases da vida, oferecendo atendimento gratuito e construindo uma rede de apoio fundamental para as famílias da região.
Criado em 2004, o Pamif nasceu da necessidade de aproximar a Universidade da comunidade e oferecer um espaço seguro para acolher dúvidas, promover orientações e fortalecer a confiança das mulheres durante a gestação e após o nascimento dos filhos.
Segundo a coordenadora do programa, professora Aríete Inês Minetto, o propósito sempre foi olhar para a maternidade de forma integral.
“O Pamif surgiu com a proposta de oferecer um espaço de cuidado e apoio para gestantes, bebês e suas famílias. A ideia nasceu da necessidade de aproximar a Universidade da comunidade, criando um ambiente de acolhimento, orientação e troca de experiências durante a gestação e após o nascimento do bebê”, explica.
Ao chegar ao programa, as futuras mães geralmente carregam dúvidas e inseguranças que vão desde o período gestacional até os primeiros cuidados com o recém-nascido. Questões relacionadas ao parto, à amamentação, às mudanças emocionais e físicas do puerpério estão entre as mais frequentes.
“O programa procura acolher essas questões com escuta e orientação profissional, ajudando as mulheres a se sentirem mais seguras e confiantes nesse momento tão importante”, destaca Aríete.
Atendimento que integra diferentes áreas da saúde

Um dos diferenciais do Pamif é justamente sua abordagem multiprofissional. O programa reúne professores, acadêmicos e profissionais das áreas de Fisioterapia, Enfermagem, Psicologia, Medicina, Nutrição e Farmácia, proporcionando um olhar ampliado sobre a saúde materno-infantil.
Essa integração permite que o atendimento contemple não apenas as necessidades físicas das gestantes e bebês, mas também aspectos emocionais, sociais e familiares.
Outro destaque são as rodas de conversa, consideradas momentos essenciais para a construção de autonomia e confiança. Nos encontros, as participantes compartilham experiências, medos e expectativas, enquanto recebem informações qualificadas de diferentes profissionais.

“Esse diálogo fortalece a autonomia das mulheres e aumenta a confiança delas para lidar com a gestação, o parto e os cuidados com o bebê”, afirma a coordenadora.
Entre os assuntos mais debatidos estão amamentação, puerpério, introdução alimentar, desenvolvimento infantil e uso seguro de medicamentos, temas que fazem parte do cotidiano das famílias e costumam gerar muitas dúvidas.
Hidroterapia promove bem-estar para mães e bebês

A hidroterapia também se tornou uma das marcas do programa. Desenvolvida nas Clínicas Integradas da Unesc, a atividade oferece benefícios físicos e emocionais às gestantes, auxiliando na redução de dores musculares e articulares, melhorando a circulação sanguínea e proporcionando relaxamento.
“A água oferece sensação de leveza, melhora a mobilidade e contribui para o bem-estar físico e emocional das gestantes”, comenta Aríete.
Os benefícios se estendem aos bebês. Por meio da fisioterapia aquática, as crianças recebem estímulos que favorecem o desenvolvimento motor, sensorial e psicomotor de maneira segura e lúdica.
Além disso, a atividade fortalece os vínculos familiares.
“Muitas das práticas são realizadas com a participação dos pais ou cuidadores, fortalecendo a relação afetiva e tornando esse momento ainda mais especial para toda a família”, ressalta.
Rede de apoio fortalecida

O Pamif compreende que a chegada de um bebê envolve muito mais do que a mãe. Por isso, pais, avós e outros familiares também são convidados a participar das atividades.
A inclusão da rede de apoio é considerada fundamental para que os cuidados sejam compartilhados e para que a mulher encontre suporte durante a gestação e o puerpério, período que exige atenção especial às questões emocionais.
Por meio de rodas de conversa e acompanhamento multiprofissional, o programa também trabalha a prevenção e identificação de possíveis fragilidades emocionais, oferecendo acolhimento e orientação sempre que necessário.
Formação acadêmica e transformação social
Além de beneficiar a comunidade, o Pamif representa uma importante experiência de formação para os estudantes da Universidade. Acadêmicos de Fisioterapia participam diretamente das atividades corporais e das sessões de hidroterapia, sempre supervisionados por professores.
Essa vivência proporciona aprendizado prático e reforça valores como empatia, cuidado humanizado e trabalho em equipe.
Para Aríete, esse é um dos maiores legados dos projetos de extensão universitária.
“Projetos como o Pamif aproximam a universidade da comunidade. Ao mesmo tempo em que oferecem serviços gratuitos de promoção e prevenção em saúde, proporcionam aos estudantes experiências práticas e contato direto com as necessidades da população”, enfatiza.
Aberto à comunidade e com participação flexível ao longo do semestre, o programa recebe gestantes em qualquer fase da gravidez, desde que estejam em acompanhamento médico.
Para 2026, a expectativa é ampliar ainda mais o alcance das ações e fortalecer o cuidado voltado à saúde materno-infantil.
“A intenção é continuar oferecendo um espaço de acolhimento, orientação e cuidado, contribuindo para o bem-estar físico, emocional e social de gestantes, bebês e seus familiares, além de reforçar o papel da universidade na transformação social da comunidade”, conclui a coordenadora.
Com mais de 20 anos de história, o Pamif segue demonstrando que a extensão universitária vai muito além da sala de aula: ela constrói pontes, transforma realidades e reafirma o compromisso da Unesc com as pessoas e com o desenvolvimento da região.
Mães relatam suas experiências
“Era o meu momento”: mãe relata como o Pamif transformou sua gestação após uma perda gestacional

Entre as histórias que ajudam a traduzir a importância do Pamif, está a de Daniela Manoel. Mãe da pequena Clara Manoel da Silva, hoje com 11 meses, ela chegou ao programa durante a quarta gestação, carregando sentimentos que muitas mulheres conhecem bem: medo, ansiedade e insegurança.
Daniela conta que conheceu o Pamif pelas redes sociais. Mesmo já sendo mãe, viu no programa uma oportunidade de se atualizar e trocar experiências.
“Não sendo mãe de primeira viagem, as coisas mudam a cada ano. Eu queria ter mais informações e também poder compartilhar um pouco da minha experiência com outras gestantes”, relata.
Mas havia uma razão ainda mais profunda para buscar apoio. A gravidez aconteceu após uma perda gestacional, o que tornou o período ainda mais delicado.
“Era uma gestação cercada de medo e insegurança. O receio de não conseguir levar a gravidez até o fim era muito grande. Então, quando você encontra outras pessoas para trocar experiências e escuta profissionais preparados, isso fortalece muito”, afirma.
As rodas de conversa, uma das principais atividades do Pamif, tornaram-se um compromisso especial em sua rotina.
“Eu ficava ansiosa esperando a quarta-feira chegar. Eu dizia para o meu marido e para os meus filhos que aquele era o meu momento. Eram poucas horas, mas eram horas só minhas, para ouvir, falar e desabafar. As rodas de conversa me ajudaram muito, inclusive em dúvidas que eu ainda tinha, mesmo já sendo mãe”, recorda.
Segundo Daniela, não houve uma orientação específica que tenha marcado mais do que as outras. Para ela, cada encontro trouxe aprendizados importantes.
“Todas as orientações foram fundamentais, tanto durante a gestação quanto agora com a minha bebê. Os cuidados e a dedicação dos profissionais fizeram toda a diferença.”
Ao falar sobre o acolhimento recebido, a emoção aparece nas palavras.
“O acolhimento deles é incrível. Ver o carinho, o cuidado e a dedicação com cada gestante, mãe e criança é lindo. Mesmo com os estudos e o trabalho, eles tiram um tempo para estar lá nos orientando, ajudando e até escutando nossos desabafos. Se eu pudesse tirar o chapéu para eles, tiraria mil vezes. Tudo o que vivi lá foi muito importante para mim.”
Hoje, com Clara nos braços, Daniela segue sendo uma das maiores defensoras do programa e faz questão de incentivar outras mulheres a participarem.
“O Pamif é muito importante na vida da gestante. Cada encontro é único, cada dia traz uma experiência diferente. Por isso, eu sempre digo para as mães participarem com dedicação, porque tudo é preparado com muito carinho. Eles recebem cada mulher de braços e coração abertos.”
A expectativa agora é retornar ao programa, desta vez acompanhada da filha.
“Eu sou apaixonada pelo Pamif. Sempre indico para as gestantes que conheço. Estou esperando o momento de voltar com a minha bebê para que ela também possa vivenciar tudo aquilo que eu vivi com ela ainda na barriga. Foram momentos incríveis, que jamais vou esquecer. Conheci pessoas que vou levar para sempre comigo pelo carinho, pela dedicação e pelo amor com que cuidaram de nós.”
O depoimento de Daniela resume a essência do Pamif: um espaço onde ciência, cuidado e acolhimento caminham juntos, transformando a experiência da maternidade e fortalecendo famílias por meio do compromisso comunitário da Unesc.
Preparação que trouxe segurança para a maternidade
Mãe de primeira viagem da pequena Luna Ritter Zaniboni, hoje com 29 dias de vida, Natalia Ritter guarda com carinho a experiência vivida no Pamif durante a gestação. Ela conta que o programa foi fundamental para esclarecer dúvidas e trazer mais tranquilidade para a chegada da filha.
“Tinha muitas preocupações relacionadas à saúde da bebê, higiene, amamentação e ao puerpério. Com o apoio dos profissionais e acadêmicos, consegui esclarecer muitas dúvidas e, quando a Luna nasceu, eu já me sentia mais segura e preparada”, relata.
Natalia destaca que o contato com profissionais de diferentes áreas da saúde foi um dos grandes diferenciais do programa. Além disso, a troca de experiências com outras gestantes ajudou a construir confiança para enfrentar os desafios da maternidade.
“Os encontros sempre acrescentavam muito conhecimento. Conversar com outras mães e compartilhar experiências me deixou mais tranquila e segura para viver esse momento.”
Já no puerpério, ela percebeu o quanto os ensinamentos recebidos fizeram diferença no dia a dia, especialmente em relação à amamentação.
“As orientações foram essenciais. Eu tinha dúvidas sobre a pega correta e outros aspectos da amamentação. Hoje consigo amamentar minha filha sem dores e ela está super saudável”, comemora.
Outro aprendizado marcante foi compreender a importância da rede de apoio. “Aprendi que não precisamos dar conta de tudo sozinhas e como é importante ter pessoas ao nosso lado. Meu esposo participou de um encontro sobre puerpério e foi muito importante para ele entender essa fase. Hoje ele me ajuda em tudo.”
Encantada com a experiência, Natalia já planeja retornar ao programa em breve. “A chegada da nossa filha foi uma bênção. Estou ansiosa para voltar ao Pamif quando ela completar seis meses e participar das atividades aquáticas com ela”, afirma.
Informação, acolhimento e troca de experiências

Mãe de primeira viagem do pequeno Joaquim Souza Lopes, de dois meses, Priscila Souza Fernandes encontrou no Pamif um espaço de aprendizado e acolhimento durante a gestação. Ela conheceu o programa por indicação de outras gestantes durante uma consulta e decidiu participar dos encontros ainda no ano passado.
Com muitas dúvidas comuns à primeira maternidade, especialmente relacionadas à alimentação, vitaminas e aos cuidados com o bebê, Priscila destaca que o contato com profissionais da saúde e com outras futuras mães foi essencial para tornar a gestação mais tranquila.
“Ter contato com profissionais que trabalham diariamente com essas questões traz esclarecimento e deixa a gente mais tranquila, porque são informações seguras. Isso ajudou muito a diminuir minhas preocupações”, conta.
Um dos temas que mais chamou sua atenção foi a orientação sobre nutrição e suplementação durante a gravidez. Diagnosticada com diabetes gestacional, ela encontrou nos encontros informações que complementaram o acompanhamento médico e nutricional que já realizava.
“Aprendi bastante sobre alimentação, vitaminas e cuidados importantes para a saúde do bebê. Foi uma troca muito rica, porque também pude ouvir experiências de outras gestantes em fases diferentes da gravidez.”
Além do conhecimento compartilhado pelos profissionais, a troca de experiências entre as participantes foi um dos pontos mais marcantes para Priscila.
“A gente conversava sobre tudo: as dores da gestação, o quarto do bebê, médicos, fraldas e expectativas para a chegada dos filhos. Isso amplia os horizontes e nos ajuda a perceber que muitas dúvidas são comuns a todas as mães.”
Ela também guarda com carinho a participação em um ensaio fotográfico promovido pelo programa. “Foi um momento muito especial. A forma como somos recebidas, com tanto carinho e respeito, faz toda a diferença.”
Agora, Priscila aguarda ansiosamente a oportunidade de retornar ao Pamif com Joaquim.
“Ele ainda é muito pequeno, mas estou contando os dias para voltar a participar das atividades e, futuramente, da hidroterapia. O Pamif é um programa que toda gestante deveria conhecer, porque agrega conhecimento, acolhimento e experiências que levamos para a vida toda”, afirma.

Cumprindo a missão com excelência
Ao longo de mais de duas décadas, o Pamif tem cumprido sua missão de acolher, orientar e transformar a experiência da maternidade para centenas de famílias da região. Por meio da união entre ensino, extensão e cuidado humanizado, a Unesc fortalece seu compromisso comunitário e demonstra, na prática, como o conhecimento produzido dentro da Universidade pode gerar impacto real na vida das pessoas. As histórias de Daniela, Natalia e Priscila são apenas alguns exemplos de como o programa se tornou uma rede de apoio, aprendizado e afeto, acompanhando gestantes, bebês e familiares em uma das fases mais importantes de suas vidas.
Observação:
As imagens fotográficas são de arquivo (Agecom Unesc) bem como o vídeo da professora Aríete, uma vez que o espaço no qual as atividades são desenvolvidas está em reforma.
As demais imagens foram enviadas pelas mamães entrevistadas.
Já o vídeo de encerramento foi produzido por mim para mostrar a diversificação e qualidade dos atendimentos (fotos usadas: Agecom Unesc).



















