Pintura, climatização,mobiliário e modernização. Essas são apenas algumas das melhorias que precisam ser feitas na Sociedade Recreativa Ipiranga, em Içara. O clube, que já existe há 74 anos, é tradicional no município, mas há algum tempo vem perdendo a força e sendo pouco utilizado pela população. Tanto é que este ano, o tradicional baile de debutantes não será realizado. E dos 200 associados, apenas metade faz uso das atividades oferecidas pela sociedade.
“Hoje, o Ipiranga não deve nada, tem apenas os custos de manutenção. No entanto, o que recebe, dá só para pagar as despesas. Por conta disso, não há dinheiro em caixa para que sejam feitos novos investimentos e, por sua vez, melhorias”, destaca o diretor do clube, Paulo Roberto Brígido que cita os sócios beneméritos como um dos fatores para o problema. “Temos poucos associados hoje se considerarmos o número populacional de Içara. Mas temos muitos sócios beneméritos, que são aqueles que contribuíram por 25 anos e agora não pagam mais. Ou seja, eles usufruem dos serviços do clube, mas não pagam mensalidade”, acrescenta.
A secretária da Associação,Sandra Maria Bento Bazzi, diz ainda que muitos associados estão inadimplentes, fazendo com que o dinheiro não entre para o caixa do clube. “Dependemos de títulos novos e mensalidades. E existem muitos inadimplentes, principalmente no inverno, existe uma grande redução. A mensalidade para o associado é de R$70, isso para a família toda. Só que muitos não pagam e, se não pagam o dinheiro não entra”, afirma.
Necessidades
Paulo Brígido ressalta que muitas melhorias precisam ser realizadas no clube. Segundo ele, para que o Ipiranga seja inteiramente climatizado e modernizado, necessitaria de, no mínimo, R$200 mil. “É uma construção muito antiga, precisa ser melhorada. Desde a entrada até o clube em si. Todavia, para que isso seja feito precisamos de dinheiro, e o Ipiranga não tem nada em caixa. O que é arrecado com os poucos eventos que são feitos, acaba sendo revertido para as questões pontuais, para o que realmente é prioridade”, coloca.
Esse ano, inclusive, a festa das debutantes não será realizada, que é um dos eventos mais rentáveis para o clube. “No ano passado foram poucas meninas e o dinheiro serviu para pagar as despesas. Esse ano já percebemos que não teve muito interesse e acabaria sendo inviável. Então foi optado por não fazer”, acrescenta Brígido.
Na academia e também na área da piscina, toda a estrutura do teto foi trocada. De acordo com a secretária, muitas outras coisas ainda precisam de melhorias. “Também colocamos para-raios e fizemos outras alterações solicitadas pelo Corpo de Bombeiros. Mas, por exemplo, temos mesas que já têm 70 anos. Precisamos trocar as janelas do clube para poder climatizar, o teto precisa ser arrumado, faltam cadeiras e mesas e muitas outras coisas. A direção faz o possível com o dinheiro que tem”, garante Sandra.
Apesar disso, as atividades oferecidas pelo clube continuam funcionando de forma normal. Tem academia, musculação, aeróbica, zumba, vanerão, hidroginástica e natação. Todas as aulas são ministradas por professores formados e possuem dias específicos durante a semana. “Somente a piscina não estava funcionando neste inverno porque os associados não utilizam e a manutenção é alta. No mais, tudo funciona normalmente e as aulas têm grande participação dos associados”, coloca a secretária.
Soluções
Duas medidas foram citadas pelo diretor do clube como possíveis soluções para o problema do Ipiranga. “Ou se muda o estatuto do clube para ir atrás de verba, ou coloca ele a venda para construir em uma outra área”, sintetiza.
Brígido coloca ainda que falta mais engajamento da própria população para ajudar o clube que é o mais tradicional da cidade. “A população tem que abraçar a causa. Muitos reclamam que poderiam fazer vários eventos ali, mas que a estrutura não beneficia. Mas poucos tentam ajudar de alguma forma. O Ipiranga não é de um dono, é de uma sociedade e se todos ajudassem, as coisas iriam melhorar”, aponta.
Já sobre o futuro do clube, o diretor diz que não vê outra possibilidade se não encontrar uma área que seja mais afastada. “Para o futuro do Ipiranga não existe outra saída além de negociar o terreno e mudar a estrutura para outro local. Um terreno de uma quatro ou cinco hectares e aí sim se construiria um clube mais completo. Até porque, hoje a área central não é ideal, não há estacionamento e diversos outros fatores que prejudicam. Então falta isso, união dos sócios para colocarem a venda, comprar outro terreno e apoio da população para fazer as coisas funcionarem”, finaliza.
Especial Jornal Gateza


















