O dia 12 de dezembro de 2006, dificilmente sairá da memória de Elias e de sua esposa, Maria Cardoso. Esta data é um fatídico dia para a família, que reside no loteamento Antônio Lima, em Içara. Na época uma de suas três filhas acabou desaparecendo durante a tarde sendo encontrada à noite já sem vida.
Isabelle que na época tinha nove anos foi vítima fatal de um afogamento, ao cair em um poço em obra de saneamento que estava sendo realizada na localidade pelo Sistema Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) por meio da empresa Artevila Artefatos de Cimento. Após quase oito anos de processo na justiça, no início desta semana houve o registro em primeira instância, o juiz Fernando Dal Bó Martins condenou a empresa Artevila ao pagamento de indenização moral de R$ 200 mil, aos pais de Isabele, ou, no caso de insolvência, ao poder público, por meio do Samae. A responsabilidade ao Samae foi considerada como subsidiária por não ter sido a causadora direta do acidente.
A principal acusação à empresa que fez a obra foi que não foram tomados os devidos cuidados para manter as pessoas longe do espaço. “Acrescenta-se que a Artevila nem se quer alegou, assim como não comprovou, que tenha tomado medidas suficientes de segurança na obra”, expôs o juiz.
Por outro lado, o advogado da Artevilla, Vanderlei Zanetta, alegou que ainda não sabia da sentença publicada na última segunda-feira e que somente irá se manifestar após ter conhecimento completo e conversar com o cliente. “Assim que ficar sabendo, conversarei com meu cliente para saber o que iremos fazer. Antes disso, não posso dizer nada, muito menos se vamos ou não recorrer da sentença. Mas, acredito que até o fim da semana teremos isso definido”, argumentou Zanetta.
Lembranças
As lembranças daquele momento ainda estão vivas na memória do casal, principalmente por meio das últimas fotos de Isabele e recortes de jornais, que deram ampla cobertura ao caso na época e nos meses seguintes. “Hoje ela teria 17 anos. Ela faz muita falta. Acredito que não haja pai neste mundo que não sinta a falta de um filho, principalmente da forma como aconteceu. Levo uma foto dela comigo na carteira”, disse Cardoso.
O valor de R$ 200 mil, de acordo com os pais da menina, não é o suficiente para que seja feita justiça em relação a morte da garota. “É pouco, porque não há preço que pague pela vida dela. Nada paga aquela morte. Acredito que não tenha acontecido justiça porque os culpados ficaram soltos, foram punidos apenas financeiramente”, lamentou dona Maria. “Não queria pegar R$ 1 deles, apenas queria a minha filha de volta”, acrescentou, emocionado, o pai.
No início do processo, surgiram várias acusações, entre elas, que os próprios pais cometeram homicídio e até mesmo que Cardoso teria estuprado a filha e posteriormente a matado. “Na época surgiu de tudo, até os vizinhos chegaram a desconfiar da gente. Teve uma vez, que estava tão transtornado, que cheguei a dizer para o delegado que se fosse o caso poderia me prender. Não estava mais aguentando aquela situação. Mas, tempo depois, foi confirmado que na realidade ela morreu por afogamento. E agora, a Justiça deu a sentença, assim colocando de vez que somos inocentes”, ressaltou Cardoso.
A morosidade do processo na Justiça não fez com que os pais de Isabele, desacreditassem do processo e quizessem desistir. “Não desisto. Nunca pensamos nisso. E o valor era indiferente, só queremos que tivesse justiça”, finalizou Cardoso.
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