Uma reunião com integrantes do Movimento Içarense pela Vida (MIV), resultou em mais uma definição a respeito da possibilidade de instalação da empresa TransGas no município. De acordo com Gilmar Bonifácio, um dos líderes do MIV, muitas pessoas ainda desconhecem o que a vinda da empresa pode trazer de consequência para Içara. Com isso, reuniões serão realizadas em comunidades rurais com o objetivo de esclarecer que as atividades de mineração do carvão irão aumentar.
“O que percebemos é que muito se fala na questão financeira, que serão mais de R$6 bilhões investidos em Içara, mas esquecem das consequências e prejuízos que a instalação da TransGas pode trazer. Por isso, nós vamos estar visitando as comunidades e conversando com os agricultores. A tendência é que o primeiro encontro seja realizado já na próxima semana. Vamos nos sentar com as lideranças de cada bairro. E, também, iremos realizar um ato junto com os agricultores no desfile cívico do dia 7 de setembro que fomos convidados a participar”, explica.
Também integrante do MIV, Renato Brígido fala que o município já sofre com o desperdício de água, mas que o problema será agravado após a instalação da empresa. Segundo ele, a TransGas precisa de 80% do carvão que é minerado na região. “Laudos do Ministério Público (MP) comprovam que os trabalhos de extração hoje na cidade representam um desperdício de 4 milhões de litros d’água por dia. Portanto, se a TransGas vir para cá, esse número aumentará para 40 milhões. Isso faz parte de uma matemática básica, se uma mina percola 4 milhões, dez percolariam 40”, assinala.
Proposta inconcebível
Na última semana, o MIV esteve reunido com representantes da empresa TranGas e também com o prefeito de Içara, Murialdo Canto Gastaldon. Segundo Brígido, no encontro, os próprios representantes deixaram claro que haverá, de fato, o desperdício de água. E, para isso, propuseram uma medida compensatória.
“Eles ressaltaram que não negam que os aquíferos profundos serão rebaixados. Mas alegaram que podem ajudar com a vinda de um hospital, com melhorias de ruas, saneamento básico, etc. Agora eu pergunto: qual é o ser humano que tem o poder, ou uma procuração, para trocar a água da natureza por serviços para a comunidade? Hospitais e melhorias quem têm que buscar e trazer para a população são os políticos já constituídos. Essa é uma responsabilidade deles. Trocar água por isso é uma proposta inconcebível”, argumenta.
Gilmar Bonifácio afirma que a posição dos integrantes do MIV mediante a instalação da empresa não mudou. “Nós temos os laudos do Ministério Público que comprovam que já existe o desperdício. Soubemos pela própria empresa que esse prejuízo será ainda maior. Porque seremos então favoráveis a instalação dela? Isso não porque é a TranGas. Independente de empresa, a nossa preocupação é a água. Pode ser que as consequências não sejam vistas de imediato. Mas e daqui vinte anos? E os nossos filhos, netos e tataranetos? Não vai haver mais planeta?”, indaga.
Sem certeza
O prefeito Murialdo Canto Gastaldon diz que há um equívoco quando se fala que a TransGas confirma o desperdício de água. Segundo ele, a empresa se comprometeu a realizar o reaproveitamento do que for utilizado para a fabricação de fertilizantes.
“Eles falaram que não cabia ficar discutindo se vai ter problema ou não com a água. Apresentaram uma medida para que isso não ocorra, que é dar o tratamento correto a água que estiver utilizando. Ou seja, a água que verter da mina receberá tratamento para ser utilizada na agricultura ou onde o município quiser. Hoje, esses quatro milhões apontados no laudo como desperdiçado, são jogados fora. O que for utilizado pela TranGas será reaproveitado, o que é bem diferente”, afirma.
E apesar das várias discussões que já foram realizadas para falar sobre a possibilidade da vinda da TranGas para Içara, Gastaldon garante que não há nenhuma definição a esse respeito. “O presidente da TranGas virá no inicio de setembro para Santa Catarina. Ele virá com o objetivo de tratar das negociações de compra da reserva de carvão. Oque não implica, necessariamente, que seja em Içara. Ele pode optar por outro município. Mas, se alguma proposta nos for feita, daí então iremos realizar visitas para saber quais impactos podem ser acarretados e analisar todas as questões antes de tomar uma decisão. Por ora, o que existe são apenas conversas”, finaliza.
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