A situação crítica do comércio em Balneário Rincão parece que está longe de ser resolvida. O problema antigo é a dificuldade dos lojistas em se manter na baixa temporada. Do verão para o inverno o número de habitantes cai de 100 mil para um pouco mais de dez mil. Na alta temporada inúmeros estabelecimentos abrem as portas para atender os turistas e veranistas, mas as atividades são encerradas logo depois dos três meses justamente por não compensar ter um comércio aberto durante todo o ano.
Enquanto isso, àqueles que tentam trabalhar durante os 12 meses, precisam buscar meios de conseguir atrair clientes. Só neste mês de setembro, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), pelos menos cinco estabelecimentos fecharam as portas. Um número que assusta, já que nos meses anteriores, outros sete também não conseguiram se firmar.
Um dos casos foi o do empresário Valério Serafim, que há dez meses inaugurou o Supermercado Serafim na comunidade de Pedreiras. No último dia 7, ele resolveu encerrar os trabalhos. “Movimento extremamente fraco. O Balneário Rincão não comporta ainda este tipo de estabelecimento, que veio com uma proposta totalmente diferenciada do que já existe. Nesse quase um ano, logo após a temporada de verão, eu segui colocando dinheiro e tentando de todas as maneiras fazer com que o negócio desse certo, mas não deu. Estou triste por não ter dado certo, mas alegre por ter tomado a decisão de fechar já que não estava valendo à pena”, relata.
As mercadorias já foram vendidas e os móveis estão sendo negociados. Para Serafim, não haverá nova oportunidade de investimento no Rincão e seu anseio agora é voltar a trabalhar com finanças. “Não tenho mais absolutamente nenhum interesse de investir no Balneário Rincão. Estou liquidando todas as pendências e ajustando todas as questões financeiras e já coloquei o prédio a venda. Vou continuar morando aqui, mas não pretendo mais ter algum tipo de estabelecimento porque com essa minha experiência eu percebi que não é viável, o Rincão ainda está longe de ser autossustentável”, afirma.
Ainda segundo o empresário, são diversos os fatores que resultam na realidade que hoje é enfrentada por todos os comerciantes. “Não tenho nenhuma bandeira político-partidária, por isso digo que esse não é um problema da gestão atual. Mas é sim um problema do poder público que já vem se estendendo por muitos anos. Eu investi muito dinheiro nesse negócio e em nenhum momento vieram me perguntar porque fechei as portas. Eu pagava Imposto Sobre Serviço (ISS), mas eles não se preocuparam em saber o que houve. Então dá para perceber que não há interesse e também sinto que o povo pouco prestigia o comércio daqui”, coloca.
“Se analisarmos o Rincão três ou dois anos atrás, percebemos que essa redução está sendo gradativa. E a tendência natural é que evoluísse. Hoje o comércio do município vive praticamente só do verão e tem casos de empresas grandes que antes vinham durante a temporada, mas que agora não irão vir mais porque não compensa. É um problema pontual e não dá para simplesmente ficarmos parados vendo empresas fecharem sem fazer nada”, ressalta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Fernando Selinger.
De acordo com o prefeito de Balneário Rincão, Décio Góes, as dificuldades do comércio não são restritas ao município. Tampouco podem ser vistas como um problema, mas sim como uma consequência de uma cidade turística. Tanto é que só este ano, segundo ele, 60 novas empresas abriram na cidade, 350 solicitações de alvarás foram realizadas e 800 imóveis transacionados ocorreram. “Há uma potencialidade muito grande, inclusive pelo interesse que empresas já despertaram de se instalarem aqui. Há a dificuldade de se manter na baixa temporada, mas não é um problema que vai ser resolvido de um dia para o outro. Isso já vem de anos e não é porque o Rincão se emancipou que vai simplesmente ser resolvido”, explica.
Inadimplência dificulta
Outro problema que também auxilia no fechamento dos estabelecimentos é a inadimplência. Neste ano, 78 associados realizaram 3,6 mil consultas no Serviço de Proteção ao Crédito (SCP), e destas, 28% estavam inadimplentes. “Ou seja, foram 1017 pessoas que deixaram de comprar em Balneário Rincão por constarem registro no SPC.”, destaca o representante comercial regional sul da FCDL, Ronaldo Luiz Lutz.
Especial Jornal Gazeta


















