quinta-feira, 8 janeiro, 2026
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Segunda fase de operação prende prefeito e empresários por corrupção em Garopaba

A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a segunda fase da Operação Coleta Seletiva, em Garopaba, no Litoral Sul do Estado. A ação resultou na prisão de três pessoas apontadas como centrais em um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos no município.

Foram presos o prefeito Júnior de Abreu Bento (Progressistas), o empresário Joaquim Pacheco, proprietário da empresa Resamb, responsável pela coleta de lixo na cidade, e o servidor público Silas Gonçalves, que atuava como pregoeiro e era responsável pelos processos licitatórios. A operação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção da DEIC e mobilizou cerca de 50 policiais civis.

Durante a ofensiva, foram cumpridos simultaneamente mandados judiciais nos municípios de Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão. Ao todo, a Justiça determinou três prisões preventivas, 16 mandados de busca e apreensão, dois afastamentos cautelares de secretários municipais, além do sequestro de bens e valores que se aproximam de R$ 1 milhão. Os detidos foram encaminhados ao Presídio Regional de Tubarão.

De acordo com a Polícia Civil, a operação é resultado da conclusão do Inquérito Policial nº 637.2025.0001, que apurou a existência de um esquema de corrupção sistêmica envolvendo fraudes em licitações, direcionamento de contratos e repasses indevidos a agentes políticos. As investigações indicam que o esquema teria se iniciado em 2016, atravessado diferentes gestões municipais e permanecido ativo entre 2021 e os dias atuais, mesmo após mudanças no comando do Executivo de Garopaba.

Além do atual prefeito, as medidas cautelares também atingem o ex-prefeito de Garopaba e o atual prefeito de Pescaria Brava, filiados ao PSD e ao PP, respectivamente, que são alvos de diligências no mesmo inquérito. Os afastamentos recaíram sobre dois secretários municipais considerados estratégicos para o funcionamento do esquema investigado.

A investigação é um desdobramento da Operação Maestro, iniciada em 2024. Em relatório produzido meses antes das prisões, a Polícia Civil já havia indiciado o prefeito Júnior de Abreu Bento como líder de uma organização criminosa instalada no Executivo municipal. Conforme o documento, ele exerceria controle direto sobre licitações, contratos e pagamentos, com poder de decisão sobre vencedores de certames e beneficiários de recursos públicos.

O relatório reuniu provas obtidas por meio de quebras de sigilo, perícias, análise de mensagens, depoimentos e rastreamento financeiro. Segundo a corporação, foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada do prefeito, além de prejuízos aos cofres públicos em contratos de obras e serviços. Os crimes investigados incluem fraude à licitação, organização criminosa, pagamentos irregulares e uso indevido de recursos públicos.

 

Com informações do Jornal Razão 

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