Por Alexandra Cavaler
Às vezes, a coragem não vem em forma de palavras difíceis ou grandes discursos. Às vezes, ela chega em uma bolsa colorida, carregada de afeto, cuidado e pequenas descobertas. É assim que nasce o Projeto Doce Coragem, lançado neste início de 2026 por uma terapeuta de Criciúma, com o propósito de tocar corações, fortalecer emoções e acolher crianças que convivem diariamente com o diabetes tipo 1.
O Doce Coragem é uma bolsa pedagógica itinerante, desenvolvida por Cristina Juliani Ruchert, pensada especialmente para atender não apenas a criança com DM1, mas toda a família que caminha ao seu lado. Mais do que um recurso educativo, o projeto se propõe a ser uma experiência viva, sensível e transformadora.
“A criança com diabetes tipo 1 enfrenta desafios que vão muito além do controle da glicemia. Existem medos, inseguranças, frustrações e sentimentos que muitas vezes não conseguem ser verbalizados. O Doce Coragem nasce justamente para acolher essas emoções”, explica Cristina.
A proposta é simples e, ao mesmo tempo, profundamente simbólica: a bolsa percorre diferentes lares de crianças com DM1, passando de família em família. Em cada casa, ela permanece por um período, levando materiais lúdicos cuidadosamente escolhidos para ajudar a criança a reconhecer emoções, compreender sua própria força e se sentir mais segura diante das exigências do dia a dia.
Cada item que compõe a Doce Coragem foi pensado com sensibilidade e respeito à realidade do diabetes tipo 1. Jogos, atividades e recursos pedagógicos estimulam o diálogo, a escuta e a construção de um olhar mais gentil sobre a própria condição de saúde. “Não é apenas sobre ensinar. É sobre criar vínculo, gerar pertencimento e mostrar para a criança que ela não está sozinha nessa jornada”, reforça a diretora de Projetos.
Uma experiência que se escreve com o coração
Para tornar a vivência ainda mais especial, a bolsa acompanha um Caderno de Registro da Experiência. Nele, cada família é convidada a escrever livremente sobre o período em que recebeu a Doce Coragem em casa: como foi a experiência, o que sentiram, o que aprenderam e quais mudanças perceberam no comportamento e no emocional da criança.
“O caderno é um espaço de memória afetiva. É onde as famílias podem registrar sentimentos, conquistas e até dificuldades. Quando a bolsa segue para outra casa, ela leva junto essas histórias, criando uma rede de empatia e conexão entre as famílias”, destaca Cristina.
Assim, o Doce Coragem deixa de ser apenas um projeto e se transforma em um elo entre pessoas que compartilham desafios semelhantes, fortalecendo a sensação de comunidade e apoio mútuo.
Cuidado emocional como prioridade
O lançamento do projeto marca o início de 2026 com um olhar atento ao cuidado emocional das crianças com diabetes tipo 1; um aspecto que, muitas vezes, acaba ficando em segundo plano diante das demandas clínicas da doença. “O emocional precisa caminhar junto com o tratamento. Quando a criança se sente acolhida, compreendida e fortalecida, todo o processo de cuidado se torna mais leve”, afirma Cristina Juliani Ruchert.
O Doce Coragem também abre caminho para novas ações ao longo do ano. A iniciativa é o primeiro passo de uma série de projetos, eventos e atividades que a profissional pretende desenvolver em 2026, ampliando o impacto do trabalho e reforçando a importância de olhar para a criança de forma integral. “Esse projeto nasce pequeno no formato, mas enorme no propósito. Ele planta sementes de coragem, autoestima e afeto que podem acompanhar essas crianças por toda a vida”, conclui acrescentando que com sensibilidade, escuta e muito amor, o Projeto Doce Coragem mostra que, quando o cuidado emocional é levado a sério, ele também pode transformar realidades de uma casa, uma criança e uma história de cada vez.


















