terça-feira, 29 setembro, 2026
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Mais que números: censo busca dar visibilidade à comunidade surda da Amrec

Levantamento realizado pela Associação dos Surdos de Criciúma pretende conhecer o perfil, as necessidades e os desafios enfrentados pelas pessoas surdas na região para fortalecer ações de acessibilidade e inclusão - Foto: Nilton Alves

Por Alexandra Cavaler

 

Conhecer quantas pessoas surdas vivem em uma região é importante, mas entender quem são essas pessoas, como vivem e quais barreiras encontram no dia a dia pode ser ainda mais necessário. É com esse propósito que a Associação dos Surdos de Criciúma realiza um censo voltado à comunidade surda dos municípios da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec).

A proposta é construir um retrato mais amplo dessa população. O levantamento busca reunir informações como município de residência, faixa etária, escolaridade, situação profissional, formas de comunicação utilizadas e acesso à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e à acessibilidade.

Para Johana Medeiros, diretora educacional da Associação dos Surdos de Criciúma, intérprete de Libras, professora e integrante da Comunidade Surda desde 2009, o objetivo é justamente ir além da contagem. “Queremos conhecer um pouco mais sobre o perfil da comunidade surda, não apenas saber quantas pessoas existem”, explica.

A partir dessas informações, a associação pretende identificar onde estão as principais necessidades e quais áreas demandam maior atenção. A intenção é que os dados possam contribuir para o planejamento de ações e políticas públicas mais próximas da realidade da comunidade.

Transformar experiências em dados

Muitas das dificuldades enfrentadas pelas pessoas surdas aparecem no cotidiano, mas nem sempre são registradas em números. Um atendimento em um posto de saúde sem comunicação acessível, uma consulta médica sem intérprete, uma entrevista de emprego em que não há condições adequadas de comunicação ou a dificuldade para compreender uma informação pública são situações que podem fazer parte da rotina.

“Um levantamento mais organizado permite transformar uma percepção que muitas vezes fica apenas no campo das experiências individuais em informações que podem ser apresentadas aos órgãos públicos”, destaca Johana.

Segundo ela, dados sobre a quantidade de pessoas surdas e suas principais demandas podem ajudar a ampliar a discussão sobre saúde, educação, trabalho, acessibilidade, atendimento público, cultura, esporte e acesso à informação. “O censo não resolve essas questões por si só, mas fornece uma base importante para que a comunidade e o poder público possam compreender melhor a realidade existente e pensar em ações mais adequadas às necessidades da população surda”, afirma.

Inclusão começa pela comunicação

Entre os principais desafios apontados pela associação estão as barreiras de comunicação e de acesso à informação. Elas podem aparecer em diferentes ambientes, desde hospitais e instituições de ensino até empresas e repartições públicas.

A presença de intérpretes de Libras é uma das ferramentas que podem garantir essa comunicação, mas, para a associação, a acessibilidade precisa ser planejada e não oferecida apenas quando surge uma situação emergencial. “A barreira de comunicação ainda está presente em muitas situações do cotidiano”, ressalta Johana. “É importante entender que a acessibilidade em Libras não deve acontecer somente quando surge uma emergência ou quando a pessoa surda precisa reivindicar esse direito. Ela precisa estar presente de forma planejada nos serviços e espaços que atendem a população”.

A questão também passa pelo mercado de trabalho. De acordo com a diretora educacional, as dificuldades não terminam quando uma pessoa surda consegue uma oportunidade de emprego. Ainda existem obstáculos relacionados à capacitação, à promoção profissional e ao desenvolvimento de carreira. “Inclusão não significa apenas contratar uma pessoa surda, mas garantir acessibilidade, comunicação e oportunidades reais de crescimento e valorização profissional”, pontua.

Comunidade

A participação das pessoas surdas e de seus familiares é considerada fundamental para que o censo consiga alcançar uma parcela significativa da população. O formulário pode ser respondido pela própria pessoa surda, por familiares ou responsáveis, e a associação reforça que mesmo quem não mantém contato frequente com a entidade deve participar.

A intenção é justamente alcançar pessoas que ainda não aparecem nos registros existentes. “Cada resposta contribui para que tenhamos uma visão mais ampla da comunidade surda da Amrec. Quanto mais pessoas participarem, mais informações teremos para compreender as necessidades e planejar futuras ações”, explica Johana.

Depois da coleta, os dados serão organizados e analisados pela associação. A expectativa é utilizar os resultados como instrumento de diálogo com municípios, órgãos públicos, instituições e outras entidades.

Conhecer para transformar

O levantamento pretende ser também um ponto de partida. Com informações mais precisas sobre o perfil da comunidade surda, a associação poderá apresentar demandas de maneira mais estruturada e fortalecer a discussão sobre acessibilidade e inclusão na região.

A proposta, porém, não é enxergar a comunidade apenas pelas dificuldades. A própria realização do censo busca reforçar a presença das pessoas surdas na sociedade, reconhecendo sua identidade, sua cultura, sua língua e sua participação nos diferentes espaços. “A comunidade surda precisa ser conhecida não apenas pelas suas dificuldades, mas também pela sua presença, sua identidade, sua cultura, sua língua e sua participação na sociedade”, afirma Johana.

Para ela, a participação de cada pessoa pode ajudar a construir um retrato mais fiel da realidade regional. “Queremos conhecer a nossa comunidade, aproximar as pessoas e ter informações que nos ajudem a buscar cada vez mais acessibilidade, respeito e oportunidades para as pessoas surdas da região”.

Atenção:

Se você é uma pessoa surda ou tem um familiar surdo, participe do levantamento e compartilhe o formulário, o qual pode ser acessado pelo (48)99849-6322, com outras pessoas da região. O contato pode ser feito por pessoas de qualquer um dos 12 municípios da região Carbonífera diretamente com a Associação dos Surdos. A entidade também está disponível pelo Instagram @asc.surdoscriciúma.

 

Acesse o link e participe:

Levantamento da Comunidade Surda da AMREC

https://forms.gle/ZYCX8rD4YF6oAQxb7

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