O câncer do colo do útero permanece como um importante desafio de saúde pública no Brasil, o que reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção. Durante a campanha Janeiro Verde, o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON) destaca a vacinação contra o HPV como a principal estratégia para reduzir a incidência da doença, que está entre os tipos de câncer mais comuns entre as mulheres brasileiras.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre as mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Em Santa Catarina, o impacto também é expressivo. Somente em 2025, o CEPON, unidade do Governo do Estado gerida pela FAHECE, realizou 1.758 atendimentos a pacientes diagnosticadas com a doença, evidenciando a importância do investimento em medidas preventivas.
De acordo com o diretor-geral do CEPON, Dr. Alvin Laemmel, o câncer do colo do útero é, em grande parte, evitável. “A vacinação contra o HPV representa um dos maiores avanços da saúde pública na prevenção desse tipo de câncer. Ao incentivarmos a imunização, especialmente entre crianças e adolescentes, estamos investindo no futuro e protegendo vidas. Como hospital público de referência em oncologia em Santa Catarina, o CEPON reforça seu compromisso com a promoção da informação, da prevenção e do acesso às políticas de saúde”, destaca.
A principal causa da doença é a infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV). Embora o organismo consiga eliminar o vírus na maioria dos casos, a infecção crônica pode evoluir para lesões precursoras e, posteriormente, para o câncer. Fatores como tabagismo, imunossupressão, múltiplos parceiros sexuais, ausência do uso de preservativos e presença de comorbidades aumentam o risco de desenvolvimento da doença.
A gerente técnica do CEPON, Dra. Mary Anne Taves, reforça que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. “A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde conforme orientação do Ministério da Saúde, previne a infecção pelo vírus e, consequentemente, as complicações e os cânceres associados”, afirma.
Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero pode ser assintomático, o que dificulta o diagnóstico precoce. Com a progressão da doença, podem surgir sintomas como sangramento vaginal anormal, especialmente após relações sexuais, corrimento com odor desagradável e dor na região do baixo ventre.
Além da vacinação, outras estratégias são fundamentais para a prevenção, como o uso de preservativos e a realização periódica do exame Papanicolau, que permite identificar alterações celulares antes que se tornem malignas, aumentando as chances de tratamento precoce e cura.
A vacina contra o HPV é ofertada gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Pessoas com condições clínicas especiais, como pacientes oncológicos, transplantados, imunossuprimidos e pessoas vivendo com HIV/Aids, podem receber o imunizante até os 45 anos.
Ao reforçar a campanha Janeiro Verde, o CEPON destaca que prevenir é salvar vidas e que o acesso à informação, à vacinação e ao diagnóstico precoce é fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer do colo do útero.
















