Em busca do “corpo ideal”, muitas pessoas têm recorrido ao uso de canetas emagrecedoras que prometem controlar o apetite e reduzir medidas. Com a popularização desses medicamentos, cresce também o risco associado à aquisição de produtos sem registro ou de origem irregular.
Por isso, alertar os moradores de Içara sobre as consequências do uso de canetas emagrecedoras sem prescrição médica é um dos objetivos da Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância Sanitária. Com esse foco, será realizada uma palestra nesta quarta-feira, dia 4, a partir das 19h. O evento ocorrerá no salão paroquial do Presidente Vargas.
O encontro será ministrado pela médica endocrinologista Érika Ferreira Rodrigues Tesa, que irá abordar os riscos do uso irregular de medicamentos à base de tirzepatida, substância presente no Mounjaro, fabricado pela Eli Lilly. Durante a palestra, serão esclarecidas dúvidas sobre diabetes, indicação correta do Moujaro, necessidade de acompanhamento médico e os perigos da aquisição de produtos sem registro sanitário.
A Vigilância Sanitária de Içara também alerta a população sobre o uso e a venda indevida de medicamentos emagrecedores, especialmente produtos comercializados como “Mounjaro do Paraguai”.
A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, fabricado pela farmacêutica Eli Lilly. A substância atua em dois receptores hormonais, GIP e GLP-1, auxiliando na liberação de insulina, no controle da glicemia, na regulação do apetite, no esvaziamento gástrico e no metabolismo de gorduras. O medicamento é aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns países, também para controle de peso, como no caso do Zepbound.
Segundo a médica endocrinologista Erika Ferreira Rodrigues Tesa, a tirzepatida é uma molécula complexa, de alto custo de produção e que exige rigoroso controle de pureza, estabilidade e esterilidade. Atualmente, não há versões genéricas ou similares aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além do medicamento original.
“Produtos vendidos como tirzepatida provenientes do Paraguai, Turquia, Índia ou China frequentemente não contêm o princípio ativo correto, apresentam doses inadequadas ou contaminantes, são armazenados de forma incorreta ou contêm peptídeos falsificados”, explica.
Entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) alertam que o uso de medicamentos falsificados pode resultar em danos graves à saúde, incluindo reações adversas inesperadas, exposição a substâncias sem controle de qualidade e ineficácia terapêutica, comprometendo o tratamento de doenças crônicas como o diabetes.
Venda controlada e proibições
A venda de medicamentos emagrecedores é restrita a farmácias e drogarias. No caso do Mounjaro e de outros produtos com a mesma finalidade, é obrigatória a apresentação de prescrição médica, com retenção da receita no estabelecimento.
Segundo a coordenadora da Vigilância Sanitária de Içara, Lisandra Zilli, a comercialização fora desses critérios configura irregularidade sanitária. “Medicamentos como a tirzepatida exigem controle rigoroso desde a prescrição até a dispensação. A venda fora de farmácias ou sem retenção de receita coloca a saúde da população em risco e descumpre a legislação sanitária”, afirma.
O uso sem prescrição é ilegal e pode trazer riscos clínicos e jurídicos ao paciente. Conforme o Alerta DIVS nº 03/2026, profissionais habilitados podem prescrever, mas não podem comercializar medicamentos em clínicas ou consultórios.
O órgão destaca que o uso da tirzepatida exige acompanhamento médico, com avaliação da indicação, ajuste de dose e monitoramento de possíveis efeitos adversos, especialmente por se tratar de medicamento injetável que requer controle rigoroso de conservação e transporte.
A Anvisa publicou a Resolução-RE nº 214 de 20 de janeiro de 2026, proibindo a comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de produtos à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, lotes a partir de 01/01/2020, além da retatrutida, todas as marcas com lotes a partir de 01/01/2020, por ausência de registro no país.
Segundo o secretário de Saúde de Içara, Acélio Casagrande, a informação correta é essencial para decisões seguras. “É importante que a população conheça os novos tratamentos disponíveis na área da saúde para que sejam utilizados em benefício da qualidade de vida. No entanto, é fundamental evitar o uso de produtos sem certificação da Anvisa, garantindo mais segurança nos cuidados com a saúde”, afirma.
De acordo com o alerta, a atenção deve ser redobrada em relação a medicamentos sem informações em língua portuguesa no rótulo. Nesses casos, o produto não possui autorização da Anvisa e a venda é proibida no Brasil.
Denúncias
Casos de venda irregular, inclusive por redes sociais ou aplicativos de mensagens, podem ser denunciados pelo canal oficial do município:
https://icara.celk.com.br/denuncia
A medida busca proteger a saúde pública e assegurar o cumprimento da legislação sanitária.
Foto: coldsnowstorm/Getty Images


















