Dando sequência à série de reportagens com os candidatos à majoritária nas eleições de outubro, o Jornal Gazeta divulga matéria com Gilmar Bonifácio (Axé), do Psol, que lançou candidatura pura à Prefeitura de Içara, tendo a professora Adriana Fraga como vice na chapa “O Sonho Pode Governar”.
Histórico
Natural do município, 52 anos, casado e pai de dois filhos, Axé é formado em Filosofia e atua como comerciante e fotógrafo. Na vida pública, foi suplente de vereador e assumiu uma cadeira na Câmara de Vereadores por três meses. Também ocupou um cargo no Executivo em 2010, como integrante do Comitê Gestor.
Ele explica que o apelido diz respeito à empresa que mantém em sociedade com o irmão e também ao fato de ter atuado na Bahia entre 1985 e 1989, como missionário leigo e nos movimentos populares, principalmente ligados à área de sindicalismo dos trabalhadores rurais. A ligação com a Igreja Católica inclui ainda seis anos no seminário.
De volta da Bahia, Axé terminou o curso superior e montou a loja de fotografias que mantém até hoje. No início, trabalhava também como professor, profissão que manteve por nove anos em paralelo à de comerciante. “Chegou uma época que não conseguia mais conciliar os trabalhos e as questões partidárias”, justifica.
Pelo PT, candidatou-se à prefeitura de Içara em 1992, quando obteve 237 votos e ficou na quarta colocação entre as cinco chapas concorrentes. Quatro anos depois, disputou uma vaga na Câmara, mas, com 294 votos, não foi eleito. Em 2000, concorreu novamente ao Legislativo municipal e recebeu 395 votos, ficando como suplente. A terceira tentativa de eleger-se vereador veio em 2004, quando levou 403 votos, quantidade insuficiente para a eleição.
Nos pleitos de 2002 e 2006, Gilmar Axé também tentou ingressar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Na primeira vez, ficou como suplente, ao receber 6.622 votos. Na segunda, já como candidato do Psol, levou 1.065 votos e não foi eleito. “Saí para deputado estadual como estratégia do partido, que lançou candidatos para tornar o Psol conhecido em Santa Catarina”, diz Axé.
A professora Adriana Fraga é natural de Porto Alegre (RS), 39 anos, solteira, mãe de uma filha, professora da rede municipal e estadual há 16 anos. Pedagoga, com formação em Educação Física, atualmente leciona no ensino médio e na educação infantil.
Envolvimento desde cedo com a política
Gilmar Axé conta que o envolvimento com a política iniciou aos 14 anos, durante o primeiro emprego, em uma fundição de chumbo em Içara. “Tínhamos colegas que acabavam se machucando, por falta de equipamentos de segurança. Então, iniciamos um movimento por melhores condições de trabalho. Fizemos uma reunião com o dono da empresa e acabei mandado embora”, recorda.
A luta em defesa de direitos continuou junto aos trabalhadores rurais da Bahia e refletiu-se também na militância junto ao Movimento Içarense pela Vida (MIV), do qual está afastado atualmente.
Como postulante ao cargo de prefeito, Axé prega uma mudança na forma de gestão, capaz de reverter o descrédito da população em relação à política. “É necessário e possível ser diferente, abrir mão do poder, ter uma efetiva participação popular e transparência”, considera, revelando a intenção de promover uma auditoria nas contas da prefeitura e reativar a Ouvidoria caso seja eleito.
Sem opções para coligação
O Psol tenta chegar à prefeitura sem aliar-se a outras siglas. Segundo Gilmar Axé, foi a saída encontrada pela falta de opções para coligação. “Havia um indicativo nacional de não coligar com partidos que estivessem envolvidos com os casos de corrupção. Em Içara, um bloco de partidos menores se juntou e veio falar conosco, mas a maioria fazia parte daquele leque que se envolveu com negociatas a nível nacional. E em nome de uma eleição, não desrespeitaríamos os nossos princípios”, argumenta.
Com poucos recursos financeiros e humanos – conforme dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleioral (TSE), o PSOL tem apenas seis filiados em Içara – o partido pretende basear a campanha em reuniões nas comunidades, participação em debates e programas de rádio. “(Para vencer) Contamos com a insatisfação popular com esse tipo de política que estão fazendo. Se as pessoas estão querendo mudar, a chance é agora. Estamos sozinhos, mas temos uma política coerente e uma proposta diferenciada. Entendemos que temos chances reais de chegar à vitória eleitoral”, sustenta.
Eleições diretas para diretores de escolas municipais
Os candidatos entrevistados tiveram a oportunidade de falar sobre seus planos de governo, destacando itens à própria escolha em áreas como saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico, entre outras. A seguir, serão apresentadas algumas propostas apontadas por Gilmar Axé.
Uma das sugestões elencadas no plano de governo do Psolpara a educação são as eleições diretas para diretores de escolas da rede municipal. “A comunidade escolar precisa participar da escolha dos gestores, assim como da discussão do plano pedagógico, que o diretor terá o compromisso de cumprir”, defende o representante do partido.
Nas unidades de saúde, ele também sugere que a comunidade eleja os coordenadores de equipe. “A maioria dos profissionais que precisamos já estão na prefeitura. São funcionários efetivos, comprometidos em fazer um bom trabalho. Pretendemos usar ao máximo esse potencial técnico”, aponta.
Infraestrutura e desenvolvimento econômico
Para que haja melhorias na infraestrutura de Içara e também a atração de novas empresas para o município, possibilitando o desenvolvimento econômico, Gilmar Axé entende que é preciso aprovar o Plano de Mobilidade Urbana e a atualização do Plano Diretor, da qual participou na condição de delegado, representando a região central de Içara.
“Sem colocar em pauta esses dois assuntos, a cidade continuará ‘engessada’, porque falta legislação. A sociedade deve estar atenta, tanto na escolha dos vereadores que vão apreciar essas matérias, evitando que haja mudanças posteriores na Câmara, quanto em fiscalizar sua aplicação”, pontua.
Na economia, um dos setores citados por ele é a produção rural. “Precisamos dar mais apoio à agricultura familiar. Para as áreas degradadas pela mineração, há um projeto de piscicultura, para a produção e beneficiamento de pescados através de uma cooperativa. Outro ponto que vamos trabalhar é a efetivação do CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais)”, compromete-se.
A ideia é, com os recursos oriundos do CFEM, criar um fundo para aplicação em projetos voltados ao desenvolvimento econômico, sobretudo, sustentável. Já na questão da mobilidade, a intenção é implantar rotas de ônibus circulares, interbairros, e ampliar o número de ciclovias, bem como construir bicicletários. “As pessoas tendo onde deixar as bicicletas, poderão vir trabalhar com elas e isso vai inclusive aumentar o número de vagas de estacionamento na região central”, considera.
Segurança pública
O candidato do Psol acredita que a criminalidade não deve ser combatida apenas com policiamento ostensivo. Ele entende que é necessário investir na prevenção, com a ampliação do número de câmeras de vídeo monitoramento, estendendo o sistema também para os bairros, e do programa Vizinho Solidário.
“Precisamos também de um trabalho para tirar as pessoas da marginalidade, dando oportunidade aos excluídos, com atividades de cultura, esporte e lazer nos bairros, que possam ocupá-los com ações que levem ao seu crescimento pessoal”, destaca Axé.
Partindo desse princípio, ele cita a ideia de criar uma colmeia industrial cooperativada, cuja intenção principal é dar prioridade a empresas voltadas ao atendimento às famílias em vulnerabilidade social. “Dando treinamento, emprego e possibilidade de renda, numa ação conjunta com o município, que pode até buscar recursos internacionais”, projeta.
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