Por Alexandra Cavaler
O que para muitos pode ser apenas um carro antigo, para o policial militar Luís Eduardo Martins, de 32 anos, representa um capítulo inteiro da vida. Natural de Biguaçu e atualmente morando no Paraná, ele iniciou uma busca carregada de afeto: reencontrar o veículo que fez parte da história da família por mais de uma década.
“Seria muito emocionante conseguir achar esse carro novamente”, resume Luís, ao falar sobre o Voyage adquirido pelo pai no ano 2000, por cerca de R$ 3 mil. Na época, ele tinha apenas sete anos.
O carro acompanhou momentos simples, mas inesquecíveis. Foi nele que Luís e os irmãos (Fabiano, Luís Fernando e Vitória) cresceram, viajaram e até aprenderam a dirigir. “Apesar de errado, a gente aprendeu a dirigir ali. Era o carro da família, o que levava a gente para todo lugar”, relembra.
As viagens aos fins de semana para visitar os avós, em diferentes comunidades de Biguaçu, ainda estão vivas na memória. “Era sempre aquele carrinho que levava e trazia a gente. Não tem como não lembrar”, diz.
Com o tempo, o pai se aposentou e comprou outro veículo. O Voyage acabou sendo repassado ao irmão mais velho, que posteriormente o vendeu. Desde então, nunca mais tiveram notícias.
Anos depois, já adulto e com a ausência da mãe, que faleceu em 2019, Luís decidiu tentar encontrar o carro novamente. Uma consulta no Detran de Santa Catarina trouxe uma pista: o veículo ainda constava em circulação e havia registro de uma multa em 2015, em Criciúma, quitada apenas em 2019.
“Eu acredito que até essa época ele ainda estava rodando. Senão, não teriam pago a multa”, explica.
A partir daí, começou uma verdadeira investigação por conta própria. Ele buscou contatos antigos, conversou com o antigo proprietário o qual ainda mora em Biguaçu, e tentou acionar colegas policiais para verificar possíveis registros em sistemas de monitoramento.
Mesmo assim, o paradeiro do carro segue desconhecido.
Agora, a esperança está na força da divulgação. “A ideia é essa: alguém pode conhecer, já ter visto ou saber com quem está. Às vezes, puxando um fiozinho, a gente chega lá”, afirma.
Mais do que recuperar um bem material, Luís quer reencontrar parte da própria história, ou seja, um símbolo de união familiar, de tempos mais simples e de lembranças que resistem ao tempo. “Não é só um carro. É onde a nossa história aconteceu”.



















