Empresário, 38 anos, morador de um bairro nobre de Criciúma, casado e com um filho pequeno. O perfil do acusado por abusar sexualmente de uma menina de 11 anos, em Cocal do Sul, no dia 11 de agosto, chocou a população do Sul do Estado por ser diferente do estereótipo desse tipo de criminoso. O homem que, além da criança, já foi reconhecido por mais duas adolescentes, por crimes semelhantes cometidos em Içara e Balneário Rincão, continua numa cela isolada no Presídio Santa Augusta.
Esse caso ganhou notoriedade pelo perfil e forma de atuação do criminoso. Mas ocorrências de abusos sexuais contra crianças e adolescentes são registradas diariamente, cometidas muitas vezes por pessoas acima de qualquer suspeita. O Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) de Içara, por exemplo, trabalha para reduzir os impactos psicológicos a mais de 60 vítimas desse tipo de violência no município.
Os casos acompanhados atualmente envolvem desde crianças de dois anos a adolescentes de 17 anos. “A maior parte dos abusos é cometida por familiares ou por pessoas com quem as vítimas têm alguma relação de confiança, como vizinhos ou amigos”, afirma a psicóloga Barbarella Réus, responsável pelo atendimento aos menores de 18 anos.
Sintomas que levantam suspeitas
De acordo com a especialista, quem é vítima de abuso sexual costuma apresentar mudanças de comportamento. “A criança ou adolescente fica isolada do convívio familiar, apresenta baixo rendimento escolar, fica agitada e, muitas vezes, tem dificuldades para dormir”, salienta.
Outra situação que dificulta o atendimento ocorre quando quem deveria proteger a vítima fica ao lado do agressor. “Muitas mães são coniventes com os abusos. Outras têm medo de denunciar. Por isso ressaltamos a importância de a família sempre acreditar no relato da criança”, enfatiza.
O começo
Com a confiança das vítimas, a maioria dos agressores começa tentando se aproximar dos menores. “Oferecem doces ou presentes, depois apresentam materiais pornográficos e, por fim, cometem o abuso”, comenta a psicóloga, informando que a legislação estabelece como crime sexual qualquer ato libidinoso, mesmo que não ocorra penetração. “A punição é a mesma, ainda, para quem, mesmo que consensualmente, pratica atos sexuais com menores de 14 anos, pois são considerados vulneráveis”, aponta.
Denúncias podem ser anônimas
Quem percebe algum comportamento semelhante aos citados pela psicóloga deve acionar o Conselho Tutelar, Polícia Civil ou Ministério Público. “Existe ainda o Disque 100, cuja ligação é gratuita e anônima. Qualquer pessoa que suspeitar que alguém, seja criança, adolescente, ou adulto, é vítima de crime sexual pode denunciar”, ressalta Barbarella Réus. “Se a vítima não receber tratamento especializado, as consequências podem ser permanentes”, conclui a psicóloga.
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