quinta-feira, 23 abril, 2026
Ultimas noticias

Comunidade denuncia risco constante em rodovia e cobra medidas urgentes

Por Alexandra Cavaler

Entre a pressa dos veículos e a vulnerabilidade de quem vive às margens da Rodovia Juvenal José Silvano, em Içara, o medo se tornou rotina. Moradores do trecho entre os bairros Boa Vista e Coqueiros decidiram se mobilizar após uma sequência de acidentes e situações de risco, principalmente envolvendo crianças que dependem do transporte escolar. A comunidade agora cobra, com urgência, a instalação de lombadas e de um ponto de ônibus seguro antes que uma tragédia aconteça.

A paisagem tranquila, típica de área residencial, contrasta com a realidade enfrentada diariamente por quem mora às margens da rodovia. Sem acostamento adequado, com pouca sinalização e um longo trecho sem redutores de velocidade, o local se transformou em um ponto crítico para acidentes.

Segundo relatos dos moradores, os veículos trafegam frequentemente acima do limite permitido. Em alguns casos, as velocidades chegam a ultrapassar os 100 km/h, especialmente em um trecho de descida que favorece o ganho de velocidade.

A ausência de lombadas em um intervalo de aproximadamente um quilômetro é apontada como um dos principais fatores de risco. Entre dois pontos com redutores já existentes, motoristas aceleram sem controle, criando um cenário perigoso para pedestres e moradores.

Ida à escola

A situação se torna ainda mais preocupante nos horários em que crianças precisam aguardar o transporte escolar. Estima-se que cerca de dez crianças utilizem diariamente o ponto informal existente na beira da estrada que, na prática, não passa de uma estreita faixa de grama.

Sem abrigo, sem sinalização e sem qualquer proteção física, elas permanecem expostas ao fluxo constante de carros, caminhões e motocicletas. Moradora da região, Jessica Loren Cabral da Silva Vitório acompanha de perto essa realidade. Mãe de três crianças, ela descreve o cotidiano como um desafio permanente.

“É uma situação de risco o tempo todo. A gente fica ali esperando o ônibus com as crianças, seja no sol ou na chuva, sem nenhum abrigo. E os carros passam muito rápido, não reduzem a velocidade, mesmo vendo que tem gente na beira da estrada”, relata.

Jessica também chama atenção para o perfil do trecho, que combina descida e reta, favorecendo altas velocidades. “Os veículos vêm da lombada lá de cima já embalados. Quando chegam aqui, estão a mais de 100 quilômetros por hora. Não tem como parar a tempo se acontecer alguma coisa”, afirma.

Acidentes frequentes aumentam sensação de insegurança

Os relatos de acidentes recentes reforçam a preocupação da comunidade. Segundo moradores, as ocorrências têm sido frequentes; em alguns períodos, praticamente semanais.

Entre os casos citados, está a colisão entre um carro e um trator registrada há cerca de três semanas. Também houve um acidente envolvendo motocicleta, no qual uma mulher ficou ferida após ser arremessada com o impacto. “Não é algo isolado, é recorrente. Toda semana acontece alguma coisa. A gente já perdeu a conta”, diz a moradora.

Além disso, motociclistas são apontados como responsáveis por manobras perigosas constantes. Entre as infrações relatadas estão ultrapassagens pelo acostamento, circulação na contramão e práticas como empinar motos em alta velocidade.

Uma situação recente, envolvendo crianças que desembarcavam do transporte escolar, exemplifica o nível de risco. “Elas estavam descendo do ônibus e vieram dois motoqueiros em alta velocidade. Um na contramão, deitado na moto, e outro empinando, passando muito perto. Foi por pouco que não aconteceu algo grave”, relembra Jessica.

Falta de estrutura agrava cenário

Outro problema crítico apontado pelos moradores é a ausência total de infraestrutura para quem depende do transporte coletivo ou escolar. Sem um ponto de ônibus adequado, os moradores aguardam o transporte em um espaço improvisado, sem qualquer tipo de proteção. “É só um carreirinho de grama na beira da estrada. Se um carro perder o controle, não tem para onde correr”, explica Jessica.

A dificuldade também se estende ao acesso às residências. Sem acostamento, entrar ou sair de casa exige atenção redobrada e, muitas vezes, manobras arriscadas. “Até para entrar em casa é complicado. A gente precisa esperar muito, porque os carros não dão espaço e vêm muito rápido”, completa.

Mobilização da comunidade

Diante da falta de respostas e da sensação crescente de insegurança, os moradores decidiram agir. Um abaixo-assinado começou a circular entre as famílias da região, com o objetivo de formalizar as reivindicações. O documento deve ser levado à Prefeitura de Içara e, se necessário, também à Câmara de Vereadores.

Entre os principais pedidos estão a instalação de novas lombadas ao longo do trecho, com sugestão de ao menos duas no intervalo de um quilômetro, e a construção de um ponto de ônibus com abrigo e sinalização adequada. “A gente não está pedindo nada além do básico. É segurança, principalmente para as crianças. Se precisar ir até a Câmara, a gente vai. Se precisar insistir, a gente vai insistir. Porque depois que acontece uma tragédia, não adianta mais”, reforça a moradora.

Alerta antes que seja tarde

A principal preocupação dos moradores é que a situação já ultrapassou o limite do aceitável. Para eles, o cenário reúne todos os elementos de risco para um acidente grave: alta velocidade, falta de estrutura, imprudência no trânsito e presença constante de crianças.

“A gente vive com medo. Todo dia é uma apreensão. E o pior é saber que isso poderia ser evitado com medidas simples”, conclui Jessica.

Sinalização é priorizada antes de nova lombada

O chefe do Departamento de Trânsito, Willian Acordi Pizzetti, explicou o posicionamento do governo em relação às demandas dos moradores da Rodovia Juvenal Silvano.

“Recebemos a solicitação dos moradores para a implantação de uma lombada no local. A partir disso, realizamos inicialmente um estudo técnico preliminar, que apontou a necessidade de revitalizar toda a sinalização vertical ao longo da via. Já existiam duas lombadas em um intervalo de aproximadamente 800 metros, então entendemos que o primeiro passo seria melhorar a sinalização existente”, destacou.

Segundo ele, o trabalho de revitalização já foi concluído e agora uma nova análise está em andamento.

“Após a conclusão dessa etapa, estamos realizando um novo estudo técnico para avaliar a possibilidade de implantação de uma nova lombada no trecho indicado pelos moradores. A prioridade foi verificar se a melhoria na sinalização resolveria o problema. Caso isso não ocorra, seguimos analisando tecnicamente a viabilidade da nova intervenção”, completou.

 

Foto: Nilton Alves 

Gostou da notícia então compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Mais lidas da semana

Noticias em destaque

Noticias

Outros links uteis