4 em cada 10 empreendedoras não faturam o suficiente para cobrir os custos de seus negócio

Uma pesquisa recente do Índice de Resiliência das Mulheres Empreendedoras (IRME) trouxe à tona uma realidade impactante: quatro em cada dez mulheres à frente de negócios ainda lutam para atingir o ponto de equilíbrio financeiro. Essas empreendedoras relatam que muitas vezes enfrentam o desafio de cobrir os custos operacionais, com apenas uma em cada dez conseguindo lucrar o suficiente para reinvestir.

Os dados coletados através de uma pesquisa feita com 4.180 mulheres apontam para um cenário desafiador, onde a busca pela estabilidade financeira é uma batalha árdua para a maioria das empreendedoras. De acordo com a empresária Simone Resende, muitas delas enfrentam a difícil tarefa de equilibrar as contas do negócio com as despesas pessoais, cuidados da casa e de crianças. “Esse é um empecilho diário para quem empreende. Ao longo dos últimos anos, eu enfrentei constantemente o desafio de sacrificar o convívio familiar e acompanhar as fases de desenvolvimento e crescimento dos meus filhos de perto para me capacitar, participar de reuniões com parceiros, fornecedores e oportunidades de network”, relata Simone.

Ela conta que por diversas vezes passou mais de 15 dias no mês fora do estado e do país para investir na sua carreira, e que a distância da família sempre foi um grande desafio. “É difícil passar tanto tempo longe de casa, perder momentos importantes ao lado dos meus filhos e marido. Porém eu sempre estive presente, mesmo distante. Acompanho a educação, organizo as despesas da casa, assuntos pessoais, é como uma dupla jornada. Mas ao mesmo tempo me sinto grata por ter essa oportunidade, diversas outras mulheres não têm essa chance de passar esse tempo fora de casa, muitas além de dar conta de organizar a casa, cuidar das crianças, ainda gerem um negócio sozinhas”, reflete a profissional.

Ela acrescenta que também é um grande dilema para pequenas empreendedoras saber conciliar o equilíbrio financeiro entre as contas da empresa e da vida pessoal. “É um malabarismo constante, porque as demandas financeiras da empresa muitas vezes competem diretamente com as necessidades pessoais. A incerteza nos negócios, as despesas imprevistas no nosso lar e a pressão por resultados; Além disso, o peso emocional de tomar decisões financeiras impacta tanto no aspecto profissional quanto na vida pessoal, o que adiciona uma camada extra de complexidade. É um equilíbrio delicado que requer flexibilidade, planejamento cuidadoso e muito controle emocional”, ressalta Resende.

Apesar dos desafios, pesquisas da área também destacam a resiliência das empreendedoras, evidenciando que uma parcela significativa delas persiste na busca por soluções inovadoras e estratégias para impulsionar seus negócios. “É daí a necessidade de desenvolver cada vez mais a inteligência emocional para não desistir diante dessas dificuldades que são comuns à maioria das empreendedoras. É difícil estar bem em casa quando o nosso negócio vai mal, porque é diferente de um emprego comum que se precisar sair, é só procurar outro. Aquele negócio é o seu sonho, mas você não pode deixar as crises te abalarem”, destaca a empresária.

Segundo Simone, nessas horas é necessário parar e analisar, buscar soluções, parcerias com pessoas ou outras empresas da sua região, novos nichos para atender, novos produtos. “São constantes os problemas enfrentados, por isso a necessidade de sabermos usar estratégias e a criatividade para superarmos os desafios até atingirmos um equilíbrio nas contas pessoais e empresariais. Não é fácil, mas não é impossível!  O importante é termos em mente que também existem milhões de outras empreendedoras passando por essa mesma situação, e você pode superar isso!”, afirma a especialista em economia.

Ela recomenda investir em capacitações, além de saber separar o que você pode gastar na vida pessoal e na empresa. “Se veja de forma séria! Não leve seu negócio na brincadeira, mesmo que seja uma pequena barraquinha de produtos, uma pequena loja on-line ou encomendas de produtos artesanais. Saiba separar o que você pode gastar, mas saiba guardar para investir no crescimento do negócio. A longo prazo isso trará mais benefícios. Nem que seja necessário contar cada centavo em Planilhas, mas é essencial sabermos dividir o dinheiro pessoal do profissional. Você pode por exemplo pagar um salário mensal a você mesma, e a cada 6 meses ou 1 ano verificar se há alguma parcela de lucro para retirar”, pondera Simone.

Ela finaliza incentivando que os leitores apoiem pequenos negócios de pessoas próximas e até desconhecidas, reconhecendo essas batalhas e trabalhando em conjunto para criar um ambiente propício ao crescimento sustentável das mulheres no mundo dos negócios.

Sobre Simone Resende

Profissional com formações em Ciências Econômicas e Direito. Ao longo de 31 anos no Tribunal de Justiça do DF, se destacou como Diretora-Geral Administrativa da Vara da Infância e Juventude. Com certificações em Mastercoach pela Federação Brasileira de Coach Integral Sistêmico, é Treinadora Comportamental, PNL e Mastercoach pelo Instituto Marcelo Lyouman. Participou de um curso de Oratória com Samer Agi.

 

Colaboração: Simone Resende  (MF Press Global)

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