segunda-feira, 26 janeiro, 2026
Ultimas noticias

Vacina contra HPV está disponível no SUS e protege contra os quatro subtipos de câncer

Por Alexandra Cavaaler

O HPV é o vírus responsável por quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras. E  ainda pode causar câncer no ânus, pênis, vagina e garganta. Para evitar essas doenças, há um imunizante disponível atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) o qual protege contra os quatro subtipos que mais provocam câncer e também verrugas e feridas nos órgãos genitais. Neste contexto, o Ministério da Saúde realiza, durante todo o ano, uma campanha de resgate, para identificar e vacinar a faixa etária preconizada para receber a vacina.

 

Denise Becker Feliciano Silveira, enfermeira e coordenadora do Setor de Imunização da Regional de Saúde de Criciúma, a vacinação contra o HPV é, na verdade, uma estratégia dos governos federal e estadual, para inibir a transmissão do responsável por várias infecções sexualmente transmissíveis. “O papiloma vírus humano, que é o HPV, ele está associado a uma grande quantidade de casos de câncer de colo de útero em mulheres, e tumores e verrugas anogenitais em homens e mulheres, meninos e meninas. Quanto a campanha, ou seja, a imunização, essa é uma estratégia de estar vacinando adolescentes para que os mesmos cheguem à vida adulta com maior proteção contra os cânceres e essas doenças sexualmente transmissíveis, que é transmitida pelo papiloma vírus humano”, explicou.

 

Preservativo

A profissional também faz um alerta quanto ao uso de preservativos. “Além da imunização, ainda há a questão do uso do preservativo que também faz parte da prevenção. Ainda cabe ressaltar que atualmente a vacina pode ser aplicada tanto em meninas quanto em meninos, de 9 a 14 ano, é gratuita e distribuída pelo SUS. Outras situações como, por exemplo,  pacientes com HIVs, porque são imunodeprimidos e estão mais suscetíveis a contrair HPS; pessoas abusadas sexualmente na faixa etária entre 15 e 45 anos; pacientes que estão em profilaxia de pré-exposição de HIV ( de 15 a 45 anos); pacientes portadores de papilomatose respiratória recorrente a partir de dois anos de idade, todos esses casos podem receber a vacina”, revelou Denise.

Menor preconceito, maior aceitação

A coordenadora do Setor de Imunização da Regional de Saúde ressalta que a cobertura vacinal está bastante positiva. “Em Santa Catarina, nós temos uma boa cobertura com relação ao número de doses aplicadas, adolescentes que estão contemplados e a procura. Hoje, podemos dizer que há maior conscientização com relação à vacina do HPV. Se desmistificou aquela questão do porquê vacinar uma criança se ela não está em atividade sexual. Sabe-se que hoje essa vacina está sendo uma prevenção para esse futuro adulto, ou seja, não existe relação entre vacinar contra o HPV e estar adiantando a vida sexual dessas crianças, desses adolescentes. Isso é prevenção. Além disso, cabe salientar que estamos em época de muitas festas, carnaval chegando, e eu aproveito para fazer um apelo para o uso do preservativo e também para que procurem as unidades de saúde, falo das crianças e adolescentes que têm essa faixa etária, para estar iniciando o esquema de vacinação”, alertou Denise.

A enfermeira enfatiza que a questão do câncer relacionada ao HPV não acomete só as mulheres. “O HPV, ele não causa somente o câncer em mulheres. Existe também a questão do câncer de pênis, e por isso que é direcionado a ambos os sexos. Ainda, quando menciono que a vacina não está ligada ao incentivo da vida sexual precoce do adolescente, é porque já enfrentamos preconceito e mitos relacionados ao imunizante. Mas hoje a gente tem uma cobertura boa, a gente tem boa procura, porque ficou entendido pela população que a gente quer imunizar precocemente esses futuros adultos. E outra questão também que tinha um mito bem interessante no início do HPV, da vacinação, com relação ao imunizante causar infertilidade o que atrapalhava um pouco a cobertura vacinal. Mas graças a Deus essas duas questões não tem mais se mostrado um empecilho”.

Saúde de Criciúma prepara ação especial

O câncer do colo do útero, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), é um problema de saúde pública no Brasil, sendo o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (excetuando-se o câncer de pele não melanoma), e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país. Apesar de ser um câncer frequente, suas lesões iniciais podem ser identificadas pelo teste de Papanicolau (exame preventivo) e, quando tratadas, evitam o surgimento da doença.

 

Para alertar e conscientizar sobre a prevenção acontece, no próximo mês, a campanha Março Roxo. Desta forma, no dia 8 de março, dia internacional da mulher, a rede e saúde de Criciúma promove uma ação voltada ao tema. Quem dá os detalhes é a Enfermeira Evelyn Brognoli, coordenação imunização do município. “A ação está inserida no projeto do Saúde em Cores. Para isso, no dia 8 de março as unidades de saúde estarão abertas das 13h às 17h para mutivacinação, ou seja, quaisquer imunizantes disponíveis, com foco na vacinação do HPV que previne o Câncer de colo de útero e câncer de pênis. As unidades agendarão por meio de busca ativa as mulheres para realizarem a coleta de preventivo nesse dia. E cada equipe fará a busca ativa do público alvo para vacinação do HPV, que são meninos e meninas de 9 a 19 anos, 11 meses e 29 dias”, detalhou.

Saiba quem deve ser imunizado:


– Meninas e meninos de 9 a 14 anos, no esquema de duas doses, com um intervalo de seis meses entre a primeira e a segunda dose. Adolescentes que receberem a primeira dose dessa vacina nessas idades poderão tomar a segunda dose mesmo se ultrapassado os seis meses do intervalo preconizado, para não perder a chance de completar o seu esquema;


– Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos, com esquema de três doses (0,2,6 meses), independentemente da idade.


As meninas e meninos não necessitam de autorização ou acompanhamento dos pais nos postos de saúde. Basta que apresentem um documento de identificação ou a carteira de vacinação.

 

OBS.: Ministério da Saúde adotou, em 2024, uma nova estratégia de vacinação contra o HPV quando o esquema passou a ser em dose única, substituindo o antigo modelo em duas aplicações. A recomendação da dose única foi embasada em estudos com evidências robustas sobre a eficácia do esquema frente às versões com duas ou três etapas. Além disso, o esquema segue as recomendações mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

 

 

 

 

Gostou da notícia então compartilhe:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Mais lidas da semana

Noticias em destaque

Noticias

Outros links uteis