quarta-feira, 21 janeiro, 2026
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Unesc realiza monitoramento de praias em Balneário Rincão e Jaguaruna

Foto: Divulgação

A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) está realizando o monitoramento das praias no trecho entre os municípios de Balneário Rincão e Jaguaruna, em Santa Catarina, abrangendo quase 53 quilômetros de praias, como parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP).

A realização do PMP-BP é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.

O monitoramento na região será realizado de segunda a sexta-feira e inclui o atendimento a encalhes, o resgate de animais marinhos vivos e o recolhimento de animais mortos, conforme os protocolos do projeto. As equipes também atendem chamados feitos pela comunidade e por órgãos ambientais.

As ações são realizadas por equipes formadas por biólogos, médicos veterinários, oceanógrafos e outros profissionais da área ambiental, capacitados para atuar no monitoramento e no atendimento aos animais.

Conforme a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, integrar um projeto dessa magnitude reforça o papel transformador da Universidade. “A Unesc carrega um compromisso profundo com a sustentabilidade e a preservação da vida. Estar envolvida em uma ação internacional de monitoramento costeiro mostra a força da nossa ciência, a relevância dos nossos pesquisadores e o impacto positivo que geramos para toda a região. É mais uma evidência de que a Universidade Comunitária está a serviço do conhecimento e do futuro do planeta”, destaca Gisele.

A atuação da Universidade na iniciativa reforça um histórico de mais de 15 anos de dedicação à causa ambiental. Desde 2007, a Universidade integra a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sul do Brasil (Remasul), por meio do Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski, realizando monitoramentos periódicos no litoral sul catarinense.

“O Museu de Zoologia da Unesc tem atuado na pesquisa e no monitoramento da fauna, contribuindo para a conservação das espécies. O monitoramento dos animais é essencial para que possamos compreender as transformações nos ecossistemas e desenvolver estratégias de proteção da biodiversidade. Cada dado coletado, cada registro realizado, é uma peça importante para manter o equilíbrio da vida e preservar o nosso patrimônio natural”, ressalta a professora e pesquisadora Morgana Cirimbelli Gaidzinski, coordenadora do Projeto de Monitoramento de Praias – Setor B.

Como será a participação da Unesc

Morgana explica ainda que a operação contará com espaços estruturados para atender as equipes que atuarão na iniciativa e garantir as condições necessárias para a realização eficiente das atividades de campo e análise. O Museu de Zoologia assume a execução do projeto no trecho sob sua responsabilidade, em uma ação contínua que se estenderá pelos próximos 26 meses.

“O trabalho envolve uma série de responsabilidades ambientais essenciais para a conservação da fauna marinha e para a produção de dados científicos utilizados em estudos nacionais. Entre essas atribuições está a realização diária de monitoramentos em trechos específicos da orla, com o objetivo de registrar e coletar carcaças de aves, tartarugas e mamíferos marinhos encalhados. Esses registros alimentam bancos de dados públicos que ajudam a compreender causas de mortalidade e padrões de encalhe ao longo do tempo”, explica.

A coordenadora também salienta que o Museu é responsável pelo resgate de animais encontrados vivos, garantindo o encaminhamento para atendimento veterinário na base da Udesc, em Laguna. Já os animais coletados mortos (código 2) são transportados para a mesma base, onde são realizadas necropsias para avaliar causas de óbito e possíveis impactos ambientais.

Educação Ambiental

Além das atividades técnicas, Morgana ressalta que o Museu de Zoologia também desenvolverá ações de educação e sensibilização ambiental, fortalecendo a relação entre ciência e sociedade e promovendo a conservação da fauna marinha.

Morgana destaca ainda que o material biológico coletado e depositado no Museu de Zoologia da Unesc possibilitará o incremento das coleções científicas e didáticas da Instituição, ampliando sua representatividade e potencializando as ações de pesquisa, conservação e educação ambiental desenvolvidas pela Universidade.

Quem encontrar um animal marinho, vivo ou morto pode entrar em contato pelo telefone (48) 991838663. O mesmo número também atende pelo WhatsApp.

Pesquisa, geração de conhecimento e preservação ambiental

A Bacia de Pelotas consolidou-se como uma nova fronteira exploratória, despertando o interesse do setor de petróleo após grandes descobertas na Namíbia. A região africana compartilha a mesma formação geológica do Sul brasileiro, o que eleva o potencial da área.

“A pesquisa da TGS expande significativamente o conhecimento que temos sobre a Bacia de Pelotas. Ao alavancar recursos avançados de aquisição de dados e experiência em imageamento, o estudo ajudará a compreender melhor as estruturas geológicas da região”, explica o country manager da TGS no Brasil,  João Correa.

O executivo destaca, ainda, a importância do monitoramento das praias, das ações de sensibilização ambiental e dos projetos de preservação integrados à pesquisa. “A pesquisa sísmica e o programa ambiental constituem, juntos, o que provavelmente será a maior iniciativa integrada de biodiversidade já realizada na plataforma continental brasileira. Combinamos a exploração de uma nova fronteira com uma ciência ambiental robusta de parceiros como a Unesc”, afirma ele.

“Mais do que um passo técnico, trata-se de um progresso estratégico: avançamos no conhecimento geológico da Bacia de Pelotas enquanto expandimos nossa compreensão dos ecossistemas marinhos no Sul do país”, destaca Correa.

Monitoramento

O monitoramento de praias já vem sendo utilizado pelo Ibama desde o início dos anos 2000 como uma ferramenta para avaliar os impactos que ocorrem no ambiente marinho. Aqui na região sul do Brasil vem sendo feito desde 2015, mas ia até Laguna. Agora, com o início do PMP para as atividades de prospecção sísmica na Bacia de Pelotas, teremos todas as praias do estado sendo monitoradas.

“A participação de instituições que já atuavam na área, como a Unesc, traz uma grande vantagem. São instituições que conhecem as condições das praias e, principalmente, as comunidades locais. Nós precisamos do apoio das comunidades, pois os animais podem encalhar depois das equipes de monitoramento terem passado. Esse olhar contínuo é muito importante para animais que encalham vivos e precisam de atenção imediata”, disse o coordenador geral do projeto, André Silva Barreto.

A UnivaliI vem participando do monitoramento de praias em Santa Catarina desde o início. “Já aprendemos muito sobre a fauna marinha e os motivos dos encalhes nas regiões central e norte do estado. Pessoalmente, estou muito curioso para ver os resultados quando fecharmos o primeiro ano de monitoramento no litoral sul de SC. Tenho certeza de que aprenderemos muito com esse PMP”, argumentou Barreto.

Abrangência do projeto

A área de abrangência do projeto, denominada Pelotas Nordeste, compreende cerca de 260 quilômetros de extensão de litoral, entre os municípios de Laguna, em Santa Catarina, e Palmares do Sul, no Rio Grande do Sul. A coordenação geral é realizada pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), e as atividades de campo são divididas em cinco setores operacionais, cada um sob responsabilidade de uma instituição executora:

Setor A: entre a Barra de Laguna e a Barra do Camacho, executado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Unesc);

Setor B: da Barra do Camacho até a Barra do Rio Araranguá, executado pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc);

Setor C: entre a Barra do Rio Araranguá.

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