segunda-feira, 2 fevereiro, 2026
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Sul do Estado fecha 2025 com o menor saldo de empregos formais dos últimos anos

O mercado de trabalho formal no Sul de Santa Catarina encerrou 2025 com saldo positivo de 7.704 vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O desempenho foi o mais fraco para o período desde 2020, ano marcado pelos efeitos da pandemia.

A variação ao longo do ano se constituiu na principal característica da geração de empregos na mesorregião. Em janeiro e fevereiro de 2025, foram registrados os melhores desempenhos, havendo saldo positivo também em março e abril e o primeiro saldo negativo em maio. Nos meses de junho, julho, agosto e setembro, o saldo voltou a ficar positivo, embora em patamares menores que no mesmo período do ano anterior.

“Esse desempenho mais fraco já era parcialmente esperado, diante de fatores estruturais e conjunturais, como a perda de dinamismo da indústria local, especialmente em setores tradicionais como cerâmica, confecção e metalmecânica, que não tiveram um bom desempenho ao longo do ano”, explica o economista Leonardo Alonso Rodrigues.

“Junto a isso, houve a manutenção da taxa de juros em patamares elevados e o consequente aumento do custo do crédito no país, que desestimulou investimentos e contratações, e incertezas fiscais e econômicas, que levaram empresas a adotar postura mais defensiva”, completa o também economista Alison Fiuza.

Com base nos dados do Caged, os especialistas elaboram o Boletim do Emprego Formal, disponibilizado pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic). O documento na íntegra, com informações e análises dos economistas, está disponível para consulta no site da entidade.

Recuperação e recuo acentuado

Já em outubro, o mercado de trabalho no Sul do Estado deu mostras de recuperação, obtendo no mês o terceiro melhor saldo do ano. “Esse resultado está majoritariamente associado à contratação de temporários, especialmente no comércio e em segmentos de serviços, em preparação para o período de final de ano”, aponta Rodrigues.

No entanto, os economistas ressaltam que não se tratou apenas de um efeito sazonal típico. “Além da antecipação da demanda natalina, outubro refletiu uma janela de recuperação conjuntural, sustentada principalmente por serviços, e não por uma retomada mais ampla da indústria, que já apresentava sinais de fragilidade ao longo do ano”, destaca Fiuza.

Na sequência, o movimento de desligamento se acentuou, com saldo negativo na mesorregião em novembro e dezembro, mês em que foram fechados 5.196 postos de trabalho com carteira assinada na região.

“Historicamente, dezembro costuma registrar mais demissões que admissões, devido ao encerramento de contratos temporários e ajustes de fim de ano. Contudo, em 2025 esse movimento foi significativamente mais intenso, resultando no pior dezembro desde a pandemia. O saldo negativo expressivo teve impacto direto no acumulado anual, que fechou como o menor resultado desde 2020”, reitera Rodrigues.

Região Carbonífera

Na Região Carbonífera, o saldo acumulado de janeiro a dezembro ficou positivo em 2.093 empregos formais, também o menor resultado desde 2020. Em dezembro, a região registrou saldo negativo de 2.446 vagas.

Todos os 12 municípios da Amrec apresentaram retração no estoque de empregos no último mês do ano, com destaque para Treviso, que teve a menor variação negativa (-0,07%), e Balneário Rincão, com a maior queda (-2,98%).

Já Criciúma, principal polo econômico da região, fechou 2025 com saldo positivo de 724 empregos formais, mas também com o menor desempenho anual desde a pandemia. Em dezembro, o município apresentou saldo negativo de 1.069 vagas, influenciando diretamente o resultado regional.

 

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