Desde o fim do ano passado, os catadores da Cooperativa de Reciclagem de Içara (Cooperi) não passam mais pelo bairro Cristo Rei, em Içara, para realizar o recolhimento de lixo reciclável. A coleta seletiva fazia parte de uma parceria entre a cooperativa e a Administração Municipal e ainda não há previsão de quando será retomada. A situação tem gerado preocupação entre os cooperados, já que assim não conseguem ter uma produção mais expressiva como antes.
“A gente fazia a coleta do lixo com um caminhão que era meu mesmo, já que a prefeitura não tinha um caminhão para este tipo de serviço. Por isso, me dava uma ajuda de custo, porém chegou um momento em que cortaram este fornecimento e com isso o serviço acabou parando”, justifica o presidente da cooperativa, Valmir Jorge Antônio.
Segundo os cooperados, a principal expectativa fica quanto à aquisição de um caminhão pela Administração Municipal, que deve vir através da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). “Mas enquanto tudo está parado, tem coisa no centro de triagem (na localidade de Urussanga Velha) que está enferrujando. Isso é bastante preocupante”, diz o presidente da Cooperi.
De acordo com ele, no período em que eram feitas as coletas, todas as quartas-feiras, no bairro Cristo Rei, havia um grande volume de material. “Sempre conseguíamos um número expressivo de lixo reciclável. Girávamos em torno de 2 mil quilos de material reciclável, por dia”, lembra. “A população já estava bastante acostumada”, acrescenta o presidente.
Segundo Fundai, há entraves a resolver
De acordo com o biólogo da Fundação de Meio Ambiente de Içara (Fundai), Ricardo Garcia, em relação ao caminhão realmente se espera a aquisição através de projeto junto à Funasa. “Os recursos humanos seriam da própria prefeitura e o material então seria levado à cooperativa para ser trabalhado. E os catadores não precisariam mais se preocupar com a coleta, apenas com a triagem, separação e outros trabalhos. Estamos encaminhando desta forma. Esta é uma maneira de minimizar os custos, já que é muito alto o custo de terceirizar um caminhão”, informa.
Segundo ele, não há previsão para o retorno do serviço. “Precisar uma data não é possível porque dependemos bastante de fatores externos, mas estamos trabalhando para que no início do próximo semestre retorne. Tínhamos parado o pedido na Funasa por causa do recesso. Agora vamos reiniciar as conversas e o procedimento para se adquirir este caminhão”, detalha.
De acordo com o biólogo da Fundai, ainda há outros entraves. “Temos que sanar alguns problemas, como o próprio galpão de triagem, que tem algumas situações para regularizar, até porque há aproximadamente um ano houve um roubo lá, levaram extintores, danificaram portas e nós temos que ver isso”, comenta.
Conforme Garcia, a situação da própria cooperativa precisa ser regularizada. “Eles são cooperados há bastante tempo, mas existem documentos e algumas taxas que estão pendentes. Além disso, há toda a questão da capacitação técnica. Não podemos apenas soltar o material e esperar que eles produzam, tem que haver a capacitação”, afirma.
Segundo ele, todos os entraves precisam ser sanados para que as atividades de coleta seletiva retornem. “Então, nós temos que trabalhar essas três questões. O caminhão, o galpão de triagem e a capacitação. Sanando uma delas, o problema não estará resolvido. Os três devem caminhar juntos, pois é um ciclo: se uma delas falhar, não dá certo”, destaca Garcia.
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