Catarina se destaca como referência nacional em doação e transplante de órgãos, impulsionada por políticas públicas eficazes e pela qualificação de seus profissionais. Para manter esse reconhecimento, é necessário investir em aprendizado e atualização contínua. Com esse propósito, o Governo do Estado, por meio da SC Transplantes, está realizando entre os dias 3 e 5 abril, o XXXI Curso de Formação de Coordenadores Hospitalares de Transplantes de Santa Catarina, em Florianópolis.
A capacitação prepara profissionais para a atuação como coordenadores hospitalares, com uma formação abrangente sobre o processo de doação e transplante. O encontro reúne cerca de 200 profissionais de 70 hospitais de diferentes regiões e estados para compartilhar vivências e conhecer boas práticas que podem ser implementadas em suas instituições.
“Essa é a mais importante iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde, por meio da SC Transplantes, para melhorar os resultados do processo de doação de transplantes no estado. Neste ano, voltamos a discutir o aproveitamento de órgãos, que é uma questão muito importante para nós, junto com outros transplantadores”, destacou o Coordenador Estadual de Transplantes de Santa Catarina, Joel de Andrade.
A troca de saberes contribui diretamente para a melhoria do atendimento à sociedade e o aumento do número de vidas salvas. “O ganho esperado para a população de Santa Catarina com esse processo de educação é um aprimoramento do sistema, um maior número de doadores e transplantes feitos com mais qualidade e segurança”, acrescentou o gestor.
O médico coordenador da Comissão Hospitalar de Transplantes do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, Thiago Andrade Wawginiak, confirma a relevância do curso para todas as partes envolvidas. “É de fundamental importância para o cenário catarinense e para os hospitais vinculados. Certamente, todos saem com uma importante e grande bagagem de conhecimento. É algo que eleva o serviço e o atendimento prestado à sociedade”, afirmou.
O papel da família na decisão pela doação
No processo de transplante, a figura central é a família do doador, que tem a responsabilidade de autorizar a doação. Por isso, a abordagem adequada no momento da entrevista é essencial. A conversa com familiares é um dos principais temas abordados no evento. “O ‘sim’ da família deve ser dito em um ambiente de esclarecimento, onde não restem dúvidas sobre o processo de morte encefálica. Por isso, é importante que os profissionais sejam treinados para que os familiares sejam acolhidos e estejam esclarecidos, e assim a família possa optar pela doação de órgãos para transplante”, explicou a coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes, Patricia Gonçalves Freire dos Santos.
Transplante pediátrico
Outro assunto debatido é o transplante pediátrico. A nefrologista Clotilde Druck Garcia, chefe do Transplante Renal Pediátrico da Santa Casa de Porto Alegre, ressaltou a valiosa colaboração entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “A maioria das crianças que precisam de transplante renal em Santa Catarina fazem transplante conosco. No ano passado, nove delas passaram pelo procedimento na unidade. O estado catarinense não apenas encaminha pacientes, mas também envia órgãos, então muitas crianças são beneficiadas”, pontuou.
A especialista revelou ainda que um acordo foi firmado com a Secretaria de Estado da Saúde para que profissionais acompanhem os transplantes realizados na capital gaúcha, com o objetivo de viabilizar futuramente o serviço em Santa Catarina.
Referência em gestão
A SC Transplantes é responsável por coordenar as atividades de transplantes de órgãos em todo o estado, atuando na captação, no transplante e no gerenciamento das listas únicas de receptores de órgãos e tecidos, além de organizar a distribuição desses órgãos. A instituição também formula políticas para aprimorar o sistema de transplantes em Santa Catarina.
Foto: Robson Valverde