quarta-feira, 14 outubro, 2026
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Quem mora ao lado?

A Rede de Vizinhos fortalece os laços de confiança e a prevenção comunitária

Você reconhece o rosto de quem mora ao lado. Sabe a rotina, o carro que costuma ficar na garagem e até o nome do cachorro que passa pela calçada.Mas você sabe o nome do vizinho?

Nunca estivemos tão perto fisicamente e, ao mesmo tempo, tão desconhecidos. Temos grupos de WhatsApp para quase tudo: escola, trabalho, futebol, condomínio. Estamos conectados o tempo todo. Ainda assim, muitas vezes não sabemos quem divide conosco a mesma calçada.

Essa distância disfarçada de proximidade não é apenas uma questão de convivência. Também pode ser uma brecha na nossa segurança.

Em uma situação que exige alguma iniciativa, é comum que a responsabilidade se espalhe. Cada pessoa espera que outra tome a decisão. E, quando todos pensam assim, ninguém age.

Na vida de uma comunidade, o vínculo muda esse cenário. Quando conhecemos quem está ao nosso redor, o outro deixa de ser apenas mais alguém na rua. Passa a ter nome, história e rosto conhecido.

Como policial militar, vejo isso na prática. Muitas vezes, a viatura chega depois. Antes dela, existe alguém que percebeu que alguma coisa mudou: um carro parado por tempo incomum, uma movimentação diferente, alguém precisando de ajuda. A prevenção pode começar quando alguém decide que aquilo merece atenção.

É nesse espaço que a Rede de Vizinhos, da Polícia Militar de Santa Catarina, encontra seu sentido. A iniciativa aproxima a corporação dos moradores, que passam a ter um canal organizado para compartilhar informações relevantes e contribuir para um ambiente mais atento e colaborativo.

Mas reduzir a Rede de Vizinhos a um canal de aviso é perder a parte mais importante. O que ela pode construir não é apenas uma rede de comunicação. É uma rede de confiança.

Quando os moradores passam a se conhecer, uma rua deixa de ser um conjunto de endereços e volta a ser comunidade. As pessoas percebem melhor o que muda ao redor e sabem com quem podem contar.

Não se trata de transformar o vizinho em policial, nem de vigiar cada movimento da rua.

Trata-se de não ser indiferente.

Câmera registra imagem. Aplicativo transmite aviso. A tecnologia ajuda, mas nenhuma delas substitui alguém que conhece o lugar onde vive e se importa com o que acontece nele.

No fim, segurança pública também é isso: saber que, quando algo acontece, existe gente por perto que não está apenas próxima.

Está presente.

 

ALÉM DA RONDA | Felipe Trichez

Policial militar por profissão, cidadão por princípio.

 

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