Por Alexandra Cavaler
A fauna silvestre de Içara foi tema de uma apresentação realizada pelo biólogo Vitor Rosauro Bastos durante o horário político da sessão ordinária da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (21). Pesquisador de mamíferos desde 2020, Bastos utiliza 28 armadilhas fotográficas para monitorar a fauna no Sul de Santa Catarina e também desenvolve estudos em diferentes comunidades de Içara.
O trabalho é realizado nas regiões de Esperança, Poço Oito, Terceira Linha, Ponta do Mato, Nossa Senhora de Fátima e Demboski. Além de registrar espécies, o pesquisador busca aproximar a população da fauna nativa e utilizar o conhecimento produzido como ferramenta de educação ambiental.
“Içara tem áreas de mata ainda bem preservadas, com muita biodiversidade”, afirmou Bastos durante a apresentação.
Entre os animais registrados pelo pesquisador estão o gato-maracajá, gato-do-mato-pequeno, ouriço, lontra, macaco-prego, bugio, quati, tamanduá-mirim, tatu-do-rabo-mole-grande, araponga e cachorro-do-mato.
Durante a sessão, também foram exibidas imagens captadas pelas câmeras instaladas nas áreas de mata. Entre os registros considerados especiais está o de um esquilo, espécie considerada rara na região.
“Pela primeira vez eu filmei na minha pesquisa no sul de Santa Catarina o esquilo, e foi aqui em Içara, na região do Rio Esperança. O esquilo é um animal que existe aqui no Sul de Santa Catarina, mas é muito raro”, relatou.
Outro registro chamou a atenção do biólogo. Na localidade de Demboski, ele encontrou um bugio, primata considerado ameaçado e que, segundo o pesquisador, atualmente é raro na região.
“No bairro Demboski encontrei um dos primatas mais ameaçados do mundo, o bugio, que hoje infelizmente na região é raríssimo. Fiquei muito surpreso desse animal ainda existir na localidade”, contou.
Pesquisa feita de forma voluntária
Bastos também falou sobre as dificuldades enfrentadas durante os anos de pesquisa. Segundo ele, o trabalho é realizado de forma independente, sem remuneração, e exige deslocamentos constantes pelas áreas de mata.
“Eu nunca ganhei nada para fazer esse trabalho. São animais difíceis de filmar. Foi um trabalho que eu fiz sozinho, indo na mata, conhecendo as pessoas, botando minhas câmeras de pesquisa, que muitas foram roubadas até por caçadores”, relatou.
Além da perda dos equipamentos, o pesquisador aponta outros fatores que ameaçam a fauna silvestre, como a redução das áreas protegidas, a caça ilegal e os atropelamentos em rodovias.
Para Bastos, é necessário conectar os remanescentes florestais e considerar a presença dos animais no planejamento de obras, loteamentos e estradas. A instalação de passagens de fauna também é apontada como uma das medidas que podem reduzir os atropelamentos.
Educação ambiental
Durante a apresentação, o biólogo também destacou a importância da educação ambiental para aproximar a população da fauna existente no município.
Segundo Bastos, Içara possui iniciativas que contribuem para esse trabalho, especialmente por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Içara (Fundai).
“Içara é o município do Sul que mais promove educação ambiental. A Fundai faz um trabalho na educação muito legal, com palestras nas escolas”, destacou.
Além das pesquisas de campo, Bastos utiliza as imagens dos animais em conteúdos científicos e audiovisuais sobre a fauna catarinense. O pesquisador também realiza palestras em escolas e mantém o perfil @faunativacriciuma, onde compartilha parte dos registros e informações sobre as espécies encontradas na região.
A apresentação na Câmara reforçou que, além das áreas urbanizadas e das atividades econômicas, Içara ainda mantém espaços naturais que servem de abrigo para diferentes espécies. Para o pesquisador, conhecer esses animais é um dos primeiros passos para estimular a preservação e fortalecer a relação da população com a biodiversidade local.




















