Aos 57 anos, o içarense Amarildo Padilha é uma figura folclórica da área central da cidade. Há mais de uma década morando nas ruas de Içara, é difícil quem não o conheça, ainda mais que tradicionalmente é visto com camisa do Palmeiras. Entretanto, poucos conhecem sua história ou sequer sabem o que o levou a optar por essa vida de incertezas. “Perdi pai, perdi mãe, perdi irmãos, padrinhos, e isso fez com que eu tomasse esta decisão, de morar na rua. Perdi um filho também em acidente de moto, me separei, o que fez com que eu vivesse assim”, justifica. Antes de partir para a vida sem rumo, ele conta que atuava como cobrador, chegando até a trabalhar na cidade de São Paulo.
Atualmente, vai driblando os problemas que aparecem do jeito que dá. Sem um teto onde se abrigar, no momento de dormir tem um cantinho certo onde conciliar o sono. “Tenho um barraquinho para dormir, com colchão, cobertor, com tudo que preciso”, afirma. “E tem vezes que vou nas minhas tias para tomar um banho e durmo por lá mesmo”, completa. Ele tem familiares na região, que residem em Içara e em Criciúma, mas prefere permanecer da forma como está. “Me acostumei assim”, explica.
Para se alimentar, além de contar com algumas doações, ele comenta que procura realizar alguma atividade. “Sempre capino lote, estou fazendo alguma coisa. Tem algumas pessoas que me ajudam, me dão alguma coisa para fazer. Agradeço muito quando tenho alguma coisinha para fazer”, reitera. De acordo com Padilha, a equipe de assistência social do município também oferece apoio. “Eles sempre estão me procurando, estão querendo saber como estou”, coloca.
O morador de rua destaca o bom convívio que tem com os içarenses. “O pessoal conversa bastante comigo, são legais. Acredito que até pelo fato de eu ter jogado por quase 22 anos os campeonatos de futebol por aqui, inclusive sendo por muitas vezes capitão”, relata. “Eu era lateral direito. Acredito que era calmo, porque nunca fui expulso”, acrescenta. Sobre o futuro, ele diz que não pretende formar uma nova família, tampouco sair da rua. “Eu quero é paz, é tranquilidade”, aponta.
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