quarta-feira, 28 janeiro, 2026
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Maus-tratos animais. Até quando?

Caso do cão Orelha, morto após agressões, expõe a escalada dos maus-tratos contra animais também em Balneário Rincão - Foto: OPA Balneário Rincão

Por Alexandra Cavaler

 

O corpo do cão Orelha não resistiu às agressões. Mas a violência que o matou segue viva — silenciosa, cotidiana e cada vez mais freqüente. Um exemplo é o que vem ocorrendo em Balneário Rincão. O caso, que gerou comoção e revolta, está longe de ser isolado. Por trás dele, existe uma rotina cruel de animais amarrados ao sol escaldante, sem água, sem comida, abandonados em estradas ou mutilados pela negligência humana. Uma realidade enfrentada diariamente por voluntários que, mesmo exaustos, seguem sendo a última linha entre a vida e a morte.

Presidente da ONG OPA de Balneário Rincão, Renato Gugliemi, descreve uma rotina que mistura urgência, indignação e cansaço extremo. Segundo ele, os casos de maus-tratos se repetem praticamente todos os dias. “Hoje a gente atende, no mínimo, uma ocorrência por dia. Chega a cerca de dez ocorrências semanais só de maus-tratos”, relata indignado.

Segundo ele, as situações são variadas e, muitas vezes, chocantes. Cadelas abandonadas com filhotes à beira da estrada, animais feridos por espinhos de porco-espinho, cães presos ao sol, sem sombra, água ou alimento, em pleno verão. “Nesta terça-feira atendi uma cachorra com a boca cheia de espinho de porco-espinho, outra que foi abandonada na estrada com os filhotes… é uma atrás da outra”, conta Renato.

 

Um dos casos mais graves recentes ocorreu na região da Lagoa dos Freitas, onde a ONG atuou em conjunto com a polícia. “Era um pitbull super magro, com fome, com sede, dormindo no relento, preso atrás da casa. Durante o dia, ficava no sol, sem sombra nenhuma. Foi um caso muito difícil, mas conseguimos prender o responsável”, afirma acrescentando que o problema não é apenas a violência explícita, mas a naturalização da negligência. “Tem gente que sai para trabalhar e deixa o cachorro o dia inteiro no sol quente, sem água, sem comida. Isso também é maus-tratos”, reforça.

Fiscalização e parceria com a prefeitura

Apesar do cenário preocupante, Renato destaca a parceria com o poder público como um ponto positivo no enfrentamento aos casos. “A gente tem uma parceria muito boa com a prefeitura, principalmente com a fiscal Daniela Delfino. Tem denúncias que a gente atende junto, outras sozinhos, e algumas que a prefeitura faz por conta própria. Esse trabalho em conjunto tem feito a diferença. Inclusive, alguns a gente traz para a casa de passagem para tratamento. Outros, a gente autua o tutor e obriga a comprar medicamento, levar ao veterinário, melhorar as condições. A lei precisa funcionar de verdade”, concluiu.

Leis aprovadas

Duas novas leis (Lei 19.719/2026 e Lei 19.726/2026) sancionadas no início deste ano ampliam a proteção animal em Santa Catarina. De autoria do deputado estadual Marcius Machado (PL), as normas reconhecem os direitos de cães e gatos comunitários — animais de rua cuidados pela população — e proíbem, em todo o estado, a circulação e o uso de veículos de tração animal, bem como a condução de animais com carga e competições de arrasto sem rodas. A legislação prevê exceções para atividades tradicionais, de segurança pública e do meio rural, desde que não comprometam a saúde e a integridade dos animais.

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