Depois de fechar mais de 5 mil vagas em dezembro e terminar 2025 com o pior desempenho do período pós-pandemia, o mercado de trabalho formal no Sul do Estado voltou a registrar saldo positivo em janeiro, com a abertura de 1.353 novas vagas. O desempenho da mesorregião foi liderado pela indústria.
O setor industrial registrou saldo positivo de 1.114 empregos formais. Entre as atividades com maior contribuição individual destacam-se o processamento industrial do fumo (242 vagas), a confecção de artigos do vestuário e acessórios (230), a fabricação de material plástico (196) e o abate e fabricação de produtos de carne (86).
Outro setor a contribuir positivamente foi a construção civil, com o acréscimo de 334 postos. Individualmente, o destaque coube à construção de edifícios, que adicionou 242 empregos com carteira assinada ao longo do mês na mesorregião.
“O desempenho dessas cadeias produtivas reforça a relevância da base industrial e do setor imobiliário para a dinâmica econômica regional. Esses segmentos foram determinantes para sustentar o resultado agregado da mesorregião”, aponta o economista Leonardo Alonso Rodrigues.
O saldo também ficou positivo na agropecuária (57 vagas) e nos serviços (51), enquanto o comércio varejista registrou o principal impacto negativo no período, com saldo de -203 postos de trabalho.
“Esse resultado está associado ao desligamento de trabalhadores temporários contratados para atender à demanda adicional do fim de ano, movimento tradicionalmente observado nos primeiros meses do exercício”, explica o economista Alison Fuza.
Análise
“Em resumo, podemos dizer que o mercado de trabalho formal no Sul catarinense iniciou 2026 com movimentos distintos, refletindo tanto fatores sazonais – especialmente ligados ao comércio no pós-festas – quanto a continuidade do desempenho positivo de setores estruturais, como indústria e construção. Esse comportamento evidencia a combinação entre ajustes típicos de início de ano e a resiliência de atividades com maior peso produtivo”, ressalta Rodrigues.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, bem como a análise dos economistas compõem o Boletim do Emprego Formal, que a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) disponibiliza para consulta em seu site oficial.
Desafios
Mesmo com o desempenho positivo, os especialistas salientam que a análise de um único mês não permite a consolidação de uma tendência para o mercado de trabalho ao longo do ano.
“O ambiente macroeconômico de 2026 permanece desafiador, marcado por taxas de juros elevadas, incertezas fiscais no cenário doméstico e tensões geopolíticas no âmbito internacional, fatores que podem influenciar o ritmo de contratações nos próximos trimestres”, pontua Fiuza.





















