sábado, 21 março, 2026
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Içara reduz número de famílias na agricultura

Seguindo um panorama nacional, o município de Içara também registra uma redução no número de famílias que se dedicam ao trabalho no campo. Antigamente conhecida pela grande produção de fumo, a cidade perdeu produtores rurais com a crise no setor fumageiro e a busca por outras atividades longe das lavouras.

“A cada dia que passa, diminui mais o número de pessoas no campo. Os jovens estão cada vez com mais formação e ninguém está conseguindo segurá-los na agricultura. Eles acreditam que, com a formação, na cidade podem acabar tendo maiores chances de vencer e por isso não seguem na atividade dos pais”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Içara, Jair D’Stefani. 

O presidente enfatiza que a mudança não se deve apenas à opção dos jovens por outras atividades.  “Há muitas pessoas que estão com idade avançada e, como os filhos não deram sequência ao trabalho no campo, acabam vendendo suas terras, formando loteamentos. Isso reduz a área agrícola de Içara”, aponta.

Segundo ele, atualmente em Içara são cerca de 4,5 mil trabalhadores da agricultura. Este número representa aproximadamente 10% do total de habitantes do município. “Já teve época de chegar a ter 35% da população”, lembra. 

No entanto, ele ressalta que o êxodo rural é um processo antigo e esta não é uma situação registrada somente em Içara. “Temos até o registro de cidades que acabaram diminuindo a população, porque era totalmente agrícola e os moradores partiram para outros lugares à procura de emprego. Claro, este não é o caso de Içara, que a população cresce a cada dia, em função das várias empresas que tem por aqui. Mas a população rural reduz”, sustenta.

Ele ainda frisa que o processo inverso é muito raro. “É muito complicado alguém que vá da área urbana para a rural, mas da rural para a urbana tem aos montes. São atraídos por oportunidades, porém muitas vezes vemos que essa oportunidade não acontece”, destaca.

Conforme o presidente, o sindicato atua junto ao produtor rural, procurando dar orientações. “Existem alguns programas que estão à disposição, mas não é o suficiente. Porém, muitas vezes vemos que falta planejamento, pois há casos em que se produz algo sem o conhecimento necessário. Isso tende a dar errado e acaba desanimando o agricultor. Mas orientação nós sempre estamos dando”, coloca.

De acordo com ele, a mudança gera consequências à economia. “A produção de fumo já caiu em quase 50%. O feijão também teve uma queda. Outras culturas seguiram na mesma linha. O município está se urbanizando muito”, finaliza.

 

Especial Jornal Gazeta

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