Criado há cinco anos, após a identificação de dificuldades de aprendizagem entre estudantes da Rede Municipal de Ensino, o projeto Içara Ensina Mais tornou-se uma política permanente de recomposição, recuperação e reforço das aprendizagens. A iniciativa atende alunos do Ensino Fundamental que ainda não consolidaram habilidades essenciais, com acompanhamento individualizado e intervenções pedagógicas no contraturno.
O projeto passou por diferentes etapas e ampliou o atendimento. Em 2025, foram contemplados cerca de 1,1 mil estudantes. Em 2026, o programa atende 1.197 alunos. “Mais do que uma aula adicional no contraturno, o Içara Ensina Mais estabelece uma rede de acompanhamento. Professores regentes, professores do projeto, equipes pedagógicas, gestão da Secretaria e famílias participam do processo. A normativa prevê, inclusive, acompanhamento dos estudantes durante e depois da participação, relatórios individuais, utilização das informações em reuniões pedagógicas e Conselhos de Classe e diálogo permanente com as famílias”, explica a secretária de Educação, Ciência e Tecnologia, Nerilda Felisberto.
Neste ano, o Içara Ensina Mais está organizado em duas modalidades. O Bloco Alfabetizador/Alfabetiza Içara atende principalmente estudantes do 1º e 2º ano com dificuldades em leitura, escrita e conhecimentos matemáticos básicos. Já o Bloco de Recomposição das Aprendizagens contempla alunos do 3º ao 9º ano, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática.
“Desde o começo do ano, muitas vezes os alunos chegavam apreensivos com a matemática ou achavam que não iriam conseguir aprender, por falta de capacidade. Mas, fazendo as aulas com os recursos pedagógicos, com as atividades, vemos os alunos aos poucos aprendendo e a autoestima deles aumentando, e eles estão entendendo que têm capacidade de aprender matemática. A gente vê a evolução deles e eles se sentem até mais interessados para aprender outras coisas. Eles se tornaram mais curiosos”, afirma a professora Sthefanie Lemos.
Outra novidade em 2026 é a adoção do Ciclo de Intervenção Focalizada para Equidade (CIFE), que considera, além do desempenho escolar, fatores como frequência, distorção idade/ano e condições socioeconômicas e raciais. A proposta é identificar estudantes em maior situação de vulnerabilidade educacional e direcionar ações para reduzir desigualdades.
“É justamente nessa combinação entre diagnóstico, intervenção, acompanhamento e equidade que está um dos principais diferenciais da iniciativa: identificar quem está ficando para trás, compreender por que determinadas aprendizagens ainda não foram consolidadas e criar oportunidades para que esses estudantes possam avançar”, comenta a Coordenadora Pedagógica da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, Joyciane Vidal.
A estudante Lara Caroline Vieira Prudencio, de 11 anos, participa das aulas e conta que tem melhorado o desempenho por meio das boas notas: “conseguimos aprender várias coisas através de jogos e brincadeiras. Ajudou em matemática e português, minhas notas melhoraram muito, as professoras ensinaram várias coisas que eu não sabia”.
Reconhecimento nos índices
Os resultados recentes da Rede Municipal mostram avanços na aprendizagem. No Ideb 2025, Içara alcançou 7,6 nos anos iniciais e 6,4 nos anos finais do Ensino Fundamental, os maiores índices registrados pelo município. Na alfabetização, 81,53% das crianças estavam alfabetizadas ao final do 2º ano em 2025, superando a meta municipal de 72,97%.
O projeto também já recebeu reconhecimento estadual. Em 2023, o Içara Ensina Mais foi selecionado entre mais de 50 práticas inscritas para representar Santa Catarina no Fórum da Undime/SC e Região Sul.
Com diagnóstico, intervenção, avaliação e acompanhamento contínuos, o projeto busca garantir que estudantes com dificuldades tenham oportunidades de recuperar aprendizagens essenciais e avançar em sua trajetória escolar.



















