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Içarenses relembram tragédia após 12 anos da queda dos Correios

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“Não tem como esquecer deste dia, é algo totalmente impossível”. A frase é do estudante de Ciência Contábeis Marcelo da Silva, no entanto, poderia ser de qualquer pessoa que presenciou talvez a maior tragédia da história do município de Içara: a queda do prédio dos Correios, na região central da cidade. O fato aconteceu há exatos 12 anos e, mesmo mais de uma década depois, as pessoas que presenciaram o ocorrido não conseguem esquecer aquele 10 de agosto de 2005.

Silva é apenas um dos diversos exemplos. Na época, ele tinha 14 anos. “Cheguei no lugar era perto do meio-dia e o que vi ali realmente parecia uma cena de guerra, daquelas que eu somente via na TV. Eram escombros, policiais e bombeiros para tudo que é lado. Era choro, pessoal desesperado, e muitos jornalistas. Nunca tinha imaginado ver algo como aquilo. Nunca esqueci, fico pensando muito nas pessoas que acabaram sendo vítimas desta tragédia”, revela o estudante.

Há também aquelas pessoas que haviam planejado ir ao Correio naquele dia e por algum motivo não estavam no local no momento da queda. É o caso, da dona de casa Albertina Gutner. “Aquele dia eu teria que ter ido ao Correio, assim como outras vezes. Mas sempre deixava para ir perto do meio-dia, depois de deixar meu filho pronto para a escola. E no meio do serviço da casa escutei pelo rádio o que havia ocorrido. Entrei em pânico, comecei a chorar, imaginando que eu poderia estar ali”, relata.

Quatro pessoas morreram no desabamento

A queda do prédio dos Correios de Içara teve ao todo 15 vítimas. Quatro delas foram a óbito: Mário Ávila, Nádia Maria Borges, Nivaldo José Fernandes e Pedra Borges de Souza. O incidente resultou ainda em 11 feridos, entre eles, Sayonara Dal Pont, que tinha como uma de suas rotinas de trabalho ir até o local para realizar alguns serviços, pois trabalhava em um escritório de contabilidade.

“Quando cheguei, já tinha pessoas na fila e eu fiquei esperando o atendimento na direção da porta de saída. Foi algo bem rápido, acredito não ter ficado mais que cinco minutos, quando um senhor que estava atrás de mim na fila me cutucou e falou pra eu correr. Nisso ele já ia saindo. Lembro que só deu tempo de virar e olhar para a direção da porta. Em seguida já senti um impulso nas costas, como se fosse um forte empurrão”, descreve.

Ela conta que depois disso somente se lembra de estar caída no chão, em frente ao local onde havia a porta de entrada, que neste momento não existia mais. “Já me perguntaram se eu senti tremer, se eu vi alguma rachadura no interior do prédio, mas sinceramente, não deu nem tempo para isso. Não sei se tinha rachadura, não vi”, revela.

Mesmo com toda a pressão, ela diz que os danos foram apenas emocionais, principalmente por saber que todas as demais pessoas que estavam lá dentro acabaram soterradas. “Houve apenas alguns arranhões nas mãos e também um pequeno pedaço de vidro atingiu a perna, mas a cicatriz foi pequena”, cita. O terreno onde ficava a edificação segue desocupado e está à venda.

 

Especial Jornal Gazeta

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