terça-feira, 20 janeiro, 2026
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GAECO desmonta esquema milionário que explorava idosos e fraudava a Justiça em SC

Da Redação

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Entre Lobos II, voltada à desarticulação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes judiciais, estelionato contra idosos, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. A ação é coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), no âmbito de investigação conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Miguel do Oeste, Caibi, Chapecó, Lages, Itajaí e São José. Por decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas, também foi determinado o bloqueio de contas bancárias dos investigados, com valores que podem chegar a R$ 9,6 milhões, além da apreensão de veículos de alto padrão.

A Justiça ainda impôs medidas cautelares alternativas à prisão, como o uso de monitoramento eletrônico por quatro investigados, a suspensão do exercício de funções em empresas sob investigação e a proibição de solicitar ou receber valores por meio de alvarás judiciais relacionados a processos envolvendo empresas de fachada atribuídas ao grupo.

Entre os alvos da operação estão quatro advogados. Conforme prevê a legislação, o cumprimento das ordens judiciais ocorreu com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A nova fase da operação é resultado do aprofundamento das investigações iniciadas na primeira etapa da Operação Entre Lobos, deflagrada em julho do ano passado. Na ocasião, foi identificado um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro utilizado para manter as atividades criminosas e garantir o recebimento de valores ilícitos oriundos de ações judiciais. Após essa fase, um terceiro investigado teria assumido a condução de um dos escritórios envolvidos.

Com a continuidade das apurações, os investigadores identificaram a criação de uma nova empresa de fachada, supostamente utilizada para aplicar golpes em idosos por meio da compra de cessões de créditos judiciais em ações bancárias. Segundo o GAECO, o grupo atuava de forma estruturada e recorrente, causando prejuízos a pelo menos 280 idosos em situação de vulnerabilidade.

A fase inicial da investigação teve abrangência em cinco estados — Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas — e apura crimes de estelionato, organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro. Nesta etapa, a operação contou com apoio da Polícia Militar, da Polícia Civil de Santa Catarina e da Polícia Rodoviária Federal.

De acordo com o Ministério Público, o nome “Entre Lobos II” faz alusão ao caráter predatório das práticas criminosas e à quebra de confiança das vítimas, em sua maioria idosos. A denominação também presta homenagem a uma das vítimas da investigação, de sobrenome Wolf, que faleceu durante o andamento do caso.

Todo o material apreendido será encaminhado à Polícia Científica para perícia. As provas devem embasar novas diligências, possibilitar a identificação de outros envolvidos e aprofundar as investigações, que seguem sob sigilo judicial. Novas informações poderão ser divulgadas após a liberação dos autos.

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