Para alguns, a droga é considerada um caminho sem volta. Já para outros, a história é totalmente diferente. Uma prova viva de que o dependente químico pode se reabilitar é Ricardo Possamai, que hoje auxilia outras pessoas a superar o vício, na condição de presidente do Centro de Tratamento de Adicções (Cetrad), localizado no bairro Poço 3, em Içara.
“Comecei nesse mundo de droga aos 13 anos. E não vou dizer que foi por família estar desestruturada ou algo assim, porque não foi. Minha família sempre foi uma grande parceira, sempre esteve junto. Comecei na droga por curiosidade. E por causa dessa curiosidade, foram praticamente 20 anos buscando a recuperação, mas não era algo fácil”, comenta Possamai.
O Cetrad foi inaugurado de forma oficial em novembro de 2011, através da família de Possamai. “Quando o Ricardo estava finalmente se recuperando, a gente observou que esta poderia ser uma grande chance, de ajudar na recuperação dele, além de poder ajudar com que outras pessoas deixassem essa dependência. Então assim optamos por criar este local”, lembra o administrador do espaço e pai de Ricardo, João Érico Possamai. Atualmente, o Cetrad conta com 25 acolhidos.
PORTA ABERTA, SEM AMARRAS
A equipe de coordenação elenca como diferencial do centro o fato de não haver a obrigatoriedade do acolhido ficar no local. Conforme os gestores, a decisão de permanecer é da pessoa. “Quando ela quer sair, a gente senta, conversa, fala que é melhor concluir o tratamento, tenta mostrar isso. Mas a decisão é do acolhido. Se ele não quer, não adianta forçar, é melhor realmente deixar ir”, comenta Ricardo Possamai.
O tratamento que é realizado no Cetrad tem duração de nove meses. Neste período, o adicto fica no local, onde tem espaço para dormir, para comer e ao mesmo tempo conta com a obrigação de ajudar nas tarefas do dia a dia, como a limpeza. “Tudo é feito pelos acolhidos. Não há funcionários, a própria comida é feita por eles”, destaca.
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