Por Alexandra Cavaler
A rotina de moradores do Loteamento Mirante do Rincão, em Balneário Rincão, tem sido marcada por transtornos, improvisos e indignação diante da falta constante de água, problema que se arrasta há anos, mas que se agravou de forma significativa nos últimos dias. Desde a sexta-feira, famílias enfrentam longos períodos sem abastecimento, situação que, segundo os moradores, nunca havia chegado a um nível tão crítico.
Morador do loteamento e jornalista, Lucas Heckler relata que a falta de água é uma realidade conhecida por quem vive na região, especialmente durante o verão, mas destaca que o cenário atual ultrapassou todos os limites. “A falta de água ali é constante, principalmente no verão. Sempre aconteceu, mas nunca tinha chegado a essa situação. Desde sexta-feira sem água. É algo absurdo”, afirma.
O Loteamento Mirante do Rincão é considerado relativamente novo e está localizado na região da Lagoa do Faxinal. Ele inicia na parte mais baixa, próximo à rótula de acesso à Zona Sul e às lagoas, e sobe em direção a um centro de eventos nas proximidades. Lucas explica que adquiriu o terreno há cerca de três anos, construiu a residência e, desde o início, o problema no abastecimento já era conhecido. “Desde que comecei a construir, a gente sofre com isso. Não é um problema de agora. É relativamente constante. Por isso, já sabendo da situação, a casa foi construída com duas caixas d’água: uma maior na residência e outra menor no quiosque”, explica.
Segundo ele, até então, essa estrutura sempre foi suficiente para enfrentar os períodos de desabastecimento. “Toda vez que faltava água, a gente reduzia o consumo, se organizava, e as duas caixas davam conta. Normalmente faltava um dia, às vezes menos. Desta vez, porém, a situação saiu completamente do controle. Na sexta-feira a gente sentiu que a água tinha acabado na rua. Pode até ter faltado antes, mas foi na sexta que ficou claro. Passou sexta, sábado, domingo, e no domingo à noite as duas caixas estavam completamente vazias. Chegamos na segunda-feira sem nada de água”, relata com indignação.
O abastecimento só foi parcialmente retomado no fim da tarde de segunda-feira, dia 12. “No final do dia voltou a água, conseguimos encher as caixas, mas isso não durou. Nesta terça já faltou de novo. Tem água para usar porque a caixa encheu ontem, mas na rua já não tem mais”, diz.
Situação mais delicada na parte alta
A situação se mostra ainda mais crítica para moradores das áreas mais altas do loteamento. Lucas explica que seu imóvel fica aproximadamente na metade do morro e que, mesmo assim, já enfrenta dificuldades. Para quem mora no topo, o problema é ainda maior. “No grupo de WhatsApp do loteamento, vários moradores da parte de cima relataram que a água nem chegou a voltar ou voltou muito fraca, sem pressão suficiente para encher as caixas”, afirma.
Diante da escassez total, os moradores precisaram recorrer a alternativas extremas para garantir o mínimo de dignidade. “No domingo à noite, por sorte, choveu. A gente colocou baldes na rua para recolher água da chuva. Foi essa água que usamos na segunda-feira para lavar louça e até para o vaso sanitário”, relata.
Segundo ele, se não tivesse chovido, a situação seria ainda mais grave. “Se não tivesse essa chuva, não teria condição nenhuma, nem para o básico do básico. Nem vaso sanitário, nem lavar uma louça. A gente ficou dependendo literalmente da chuva”, desabafa.
A revolta dos moradores também se deve ao fato de que o problema é amplamente conhecido e frequentemente denunciado. “Não é falta de aviso. Toda vida os moradores reclamaram. Toda vida isso foi apontado, falado, denunciado. E nunca é feito nada. Agora chegou numa situação absurda”, afirma Lucas, esclarecendo: “A gente não quer confusão, quer soluça. Até porque não dá para normalizar ficar dias sem água. Água é o mínimo. Do jeito que está, não tem mais como conviver”, conclui.
Mais problemas
Outro morador do Loteamento Mirante do Rincão destaca que os problemas enfrentados pela comunidade vão além da falta de água. “A reclamação aqui não é somente sobre o abastecimento. O pessoal do grupo também fala muito sobre a iluminação pública e sobre o acostamento na rodovia. Falta iluminação e falta segurança”, relatou.
Segundo ele, algumas melhorias acabam sendo feitas pelos próprios moradores. “Essa luz aqui na frente da minha casa fui eu que coloquei. São duas luminárias que eu mesmo instalei, porque não tinha iluminação adequada”, contou.
O morador ainda afirmou que há relatos semelhantes de outros residentes do loteamento. “Se conversar com o pessoal do grupo, especialmente com uma das moradoras que participa ativamente, vai ouvir as mesmas reclamações. Não é um problema isolado”, completou.
Presidente do Samae diz que acompanha de perto
O presidente do Samae de Balneário Rincão, Bataclan Bitencourt Carpes, afirmou que a autarquia acompanha de perto a situação no Loteamento Mirante do Rincão e que equipes estão mobilizadas para normalizar o abastecimento. “Estamos trabalhando muito nesse caso. A água já conseguiu chegar até a metade do morro”, explicou.
Segundo Bataclan, a expectativa agora é pela estabilização do sistema. “Vamos aguardar a pressão se estabilizar para que o abastecimento consiga atender toda a área, inclusive as partes mais altas do loteamento”, completou.



















