Por Alexandra Cavaler
Colorida, nutritiva e cada vez mais presente na mesa dos consumidores, a pitaya deixou de ser apenas uma fruta exótica para se tornar uma alternativa sólida de renda no campo. Em Içara, esse avanço ganha rosto e história na propriedade da família Mazzuchello, onde o cultivo da fruta vem crescendo de forma consistente há oito anos, impulsionado pelo trabalho conjunto de pai, filho e cunhado.
À frente da produção está o produtor Tiago Dal Molin Mazzuchello, sócio do pai, Itamar Mazzuchello, e do cunhado, Gilson Mazzuchello Tezza. Hoje, a propriedade soma cinco hectares plantados e cerca de 20 mil plantas de pitaya, resultado de um investimento contínuo que teve início de forma quase despretensiosa, mas que se transformou em um projeto de vida. “Nós estamos há oito anos no ramo da pitaya. Tudo começou em 2016, quando a minha mãe visitou uma propriedade em Turvo e ficou encantada com o cultivo. Aquilo despertou a curiosidade da família. Depois de uns três anos, começamos a investir de verdade, e desde então só viemos crescendo”, conta Tiago.
O avanço mais recente ocorreu entre o ano passado e este, com a ampliação de cerca de 700 palanques, fortalecendo a estrutura da lavoura. A expectativa para a atual safra é positiva, mesmo com a produção ainda em fase inicial. “Ainda não dá para fechar números exatos, porque estamos no começo da colheita, mas acreditamos em um aumento de 20% a 30% em relação ao ano passado. O clima, até agora, tem ajudado bastante”, avalia o produtor.
Diversidade de variedades e safra prolongada

Um dos diferenciais da propriedade está na diversidade de cultivares. A família produz pitaya roxa, branca, amarela e outras variedades, inclusive algumas com espinhos e características específicas de sabor. “Tem variedades mais doces, outras com características diferentes, e isso é importante para atender melhor o mercado e o gosto do consumidor”, explica Tiago, acrescentando que na região, a safra da pitaya se estende por vários meses: “O período de colheita começa agora em janeiro e vai até maio ou junho, mais ou menos. É uma safra relativamente longa, o que ajuda bastante na comercialização”.
Alcance nacional

A comercialização acompanha o crescimento da produção. Parte significativa da fruta é vendida diretamente ao consumidor, na própria propriedade, que é aberta à visitação. Além disso, a produção abastece dois grandes mercados da região, garantindo presença local constante. Quando há excedente, a pitaya ganha novos destinos. “A gente também vende para as Ceasas, como a de Florianópolis e até São Paulo. Isso ajuda a escoar a produção e dá mais segurança para continuar investindo”, afirma.
Desafio
Apesar do bom momento do mercado, o cultivo da pitaya não está livre de dificuldades. Segundo Tiago, o principal gargalo hoje é a mão de obra. “Sem dúvida, o maior desafio é a mão de obra. Está muito difícil encontrar pessoas para trabalhar. É algo bem complicado mesmo. Por outro lado, o mercado tem respondido positivamente. Graças a Deus, a pitaya está sendo bem aceita. A gente vem crescendo e vendendo normalmente, então, por enquanto, não enfrentamos grandes dificuldades na comercialização”, pontua.
Mercado em expansão e otimismo para o futuro
Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade no crescimento, tanto da produção quanto do consumo. “O mercado da pitaya só vem crescendo. A cada ano, a meta é sempre superar o anterior. É uma fruta muito nutritiva, muito boa, excelente mesmo”, destaca Tiago.
Ele percebe esse avanço diretamente no dia a dia da propriedade. “A gente vê que as pessoas estão consumindo mais pitaya. Isso fica claro porque a gente aumenta a plantação, aumenta a quantidade de fruta e consegue vender. Isso é muito gratificante. Dá vontade de seguir investindo e melhorando cada vez mais”, conclui.
Colaboração: Jornal Tribuna de Notícias



















