O suicídio é causador do maior número de óbitos registrados nos 12 municípios da região carbonífera, contabilizando 23 casos no primeiro semestre deste ano. As ocorrências, no entanto, diminuíram quase pela metade, em comparação com o mesmo período de 2015, quando houve 45 casos. “A redução agrega-se ao fato de haver uma procura maior aos grupos de apoio, como é o caso do Centro de Valorização da Vida (CVV). Quanto mais as pessoas falam sobre o assunto, menos casos acontecem”, aponta o policial civil e técnico do IML de Criciúma, Almir Fernandes.
Entre os 23 casos registrados na região, oito foram em Criciúma, seis em Içara e um no Balneário Rincão. “Quando acontece, sempre há a abordagem junto com os familiares e na maioria dos casos a pessoa demonstrou algum indício. Os familiares dizem que havia comentários ou então que a pessoa já tinha até tentado outra vez cometer o suicídio. Então, é fundamental que as pessoas conversem sobre o assunto. Este é um tabu que precisa ser quebrado o quanto antes. A família não pode subestimar”, coloca.
Números podem ser maiores
“O número não é verdadeiro. Há muitos casos de acidentes de trânsito, de afogamentos, entre outros, que são suicídios, mas que não são reconhecidos assim. A questão é que em um acidente de trânsito, por exemplo, seria necessária uma investigação mais a fundo, que poderia apontar de fato como suicídio”, expõe Fernandes.
Capacitação de pessoal
O Movimento Abrace Uma Vida – que atua no combate ao suicídio – promove nesta terça-feira, dia 26, uma capacitação com os integrantes das instituições que compõem o movimento. O encontro ocorre das 14h às 17h, na Associação Empresarial de Criciúma (Acic). “Vamos explanar as ações de trabalho para receber essas pessoas com pensamento destrutivo. Como vamos abrir o nosso coração para ouvi-las”, explica o coordenador regional do CVV, Paulo Borges.
A entidade oferece ajuda emocional, de forma anônima e sigilosa, via telefone. “Não é de hoje que escutamos que quem ameaça se matar não faz. Isso é falso. A maioria das pessoas que cometem suicídio dão algum indício e é fundamental ficarmos atentos a ela. O simples gesto de conversar alivia a angústia e a tensão”, coloca a psicóloga Carina Mengue. O atendimento no CVV acontece pelo telefone 141, 24 horas por dia. Na unidade de Criciúma também é disponibilizado para atendimento o telefone (48) 3439-0222.
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