sábado, 12 julho, 2025
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Atendimento de médicos cubanos agrada

A equipe de dez médicos cubanos contratados pela Prefeitura de Içara e que integram o programa Mais Médicos do Governo Federal, está completando sete meses, o primeiro grupo e três meses, os demais profissionais que prestam atendimento nos postos de saúde do município. A proposta é de reforçar as equipes de estratégia de saúde da família nos bairros Demboski, Presidente Vargas, Primeiro de Maio, Boa Vista, Jaqueline, Jardim Silvana, Jardim Elizabete e Vila Nova. A expectativa é de que todos os profissionais fiquem em Içara num período de três anos. 

Poucos meses após chegarem ao Brasil, esses profissionais já recebem elogios da população que destacam o bom atendimento e a paciência como pontos principais da atuação. Moradora do bairro Primeiro de Maio, Alessandra Dutra Budny, conta que tem palavras que na hora é complicado entender, por causa da língua, mas afirma que a médica Maria Esther Diaz Betencourt que atende na unidade de saúde do bairro é muito paciente. “Ela repete quantas vezes for necessário e isso acaba sendo retribuído. Gosto bastante dela por causa disso, por ela ser bem atenciosa com os pacientes”, comentou.

O mesmo diz Marilza Fulan. “Tive apenas uma consulta para pedido de avaliação de requisição foi coisa rápida, mas deu para perceber que ela escuta bastante os pacientes e tranquilamente o que eles dizem”, elogiou. 

Já José Carlos Silveira acrescentou como diferencial desses médicos é que eles não olham apenas para a cara do paciente. “Eles dizem o que você tem e realmente fazem uma investigação para descobrir e fazer a coisa certa”, avalia. 

Médicos destacam a boa recepção 
A médica cubana Maria Esther Diaz Betencourt, natural de Caibarién, está em Içara desde dezembro do último ano, disse estar gostando da cidade, segundo ela, é um lugar tranquilo e as pessoas acolhedoras. Ela presta serviços na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do bairro Primeiro de Maio, por opção, já que reside no Centro de Içara, no entanto já havia trabalhado nas localidades de Demboski e Presidente Vargas.

Uma das grandes dúvidas quando surgiu a possibilidade de virem cubanos ao município foi com relação a língua, mas isto não foi barreira nem para os pacientes e muito menos aos profissionais. “Nós aprendemos a conversar com os pacientes no dia a dia. Nos postos de saúde falo somente português, por isso, acabo aprendendo mais do que no curso que tivemos em Brasília antes de vir para Içara. E sempre quando surge alguma dúvida, porque ainda estamos aprendendo procuro as enfermeiras que me explicam”, disse a profissional, que ainda conta que consegue ler livros em português tranquilamente, mas que a linguagem popular dificulta um pouco, mas mesmo assim, consegue compreender.

Com relação a mudança cultural ela relatou que não estranhou, já que havia tido experiência na Venezuela. “Lá existia um programa semelhante como este. Além disso, nós cubanos também somos latino-americanos e por isso a cultura é parecida. Sendo que o Brasil foi colonizado por Portugal e nós pela Espanha, dois países parecidos. O que nos preocupa agora é o frio”, destacou. 

Já a comunidade do loteamento Jussara, em Vila Nova, há o atendimento de um profissional desde o mês de abril. A responsabilidade por atender a população está por conta de Justo Quintero, que contou ser da cidade de Baracoa, o mais antigo município cubano fundado em 1511 por um conquistador espanhol. Ele, que também já passou pela Venezuela, destacou as boas vindas dos içarenses. “Tivemos uma boa recepção por parte das autoridades locais, incluindo um café com todos os médicos, prefeito, vice-prefeito, secretário e outras autoridades. Foi algo que nos motivou bastante, porque eles falaram da expectativa que tinham com a gente”, contou. 

Ele diz que ainda encontra dificuldades em relação a língua, mas garante que em breve isso será superado. “É difícil pegar uma língua de uma hora para outra. Por isso a gente vai aumentando o vocabulário ouvindo os pacientes e com o passar dos dias vai ficando mais fácil. Sinto que ainda falta muito para eu aprender para ter uma comunicação mais efetiva e lograr êxito com os pacientes, para que eu entenda mais facilmente os pacientes e que eles também me entendam, para dar um diagnóstico certo”, acredita. 

Ainda de acordo com ele, a ida para medicar em outros países já é algo que eles aprendem e levam durante a vida. “Temos uma doutrina de internacionalismo na medicina e na educação. O importante é que é material humano que estamos ajudando e nós somos médicos, temos isso por vocação, por isso prestamos essa assistência”, pontuou. 


Saudades da família


Para se dedicar ao programa Mais Médicos, os profissionais se abstêm de algumas coisas como por exemplo, a família. Maria Esther tem um filho universitário e para ela, a saudade neste momento é bem grande. “Ele está estudando engenharia civil, então não pode parar para vir ao Brasil ficar comigo. O jeito é aguentar esta saudade”, lamentou. Já Quintero, é casado e também tem um filho. “Estamos fazendo todos os trâmites para que eles possam ficar aqui no Brasil comigo. Espero logo tê-los ao meu lado”, fala em tom de esperança. 

Secretário comemora resultados positivos



O resultado positivo dos profissionais cubanos no município está tendo os resultados comemorados. O secretário de Saúde, Lauro Nogueira, enfatizou o elogio que a população está dando ao atendimento, como também a redução no número de reclamações na área de saúde em Içara. “Onde vamos percebemos que está havendo uma aceitação muito grande em relação aos médicos das estratégias de saúde. Isso nos deixa mais tranquilos, para que possamos fazer com calma outras necessidades que a cidade precisa e não conseguíamos antes. Volta e meia tínhamos alguns problemas com médicos que estavam saindo e éramos obrigados a ir atrás, sendo que somente é possível conseguir os profissionais em julho e em janeiro, meses em que as universidades formam novos. Fora disso é impossível porque todos estão trabalhando”, colocou. 

Ainda conforme Nogueira, a questão da linguagem era preocupante, mas com a ajuda da própria população acabou extinta. “Foi o que eu menos tive problema. Nos organizamos muito bem porque primeiro recebemos dois profissionais e foi muito fácil. Com eles nós aprendemos que a língua era em decorrência do tempo e com isso, as reclamações iriam diminuir, mas elas nem aconteceram no começo. Eles foram muito atenciosos com os nossos usuários, aceitaram bem a nossa população e o povo içarense os aceitou muito bem também. Todas as semanas eles tinham convites para eventos e foram muito bem acolhidos. Eles, por sua vez, acabaram correspondendo”, conta satisfeito chefe da pasta. 

O secretário municipal de saúde a todo instante destacou o fato de haver queixas de mau atendimento. “Todas as vezes que tentaram registrar queixas, sempre provaram cientificamente que estavam extremamente corretos. Atendimento à população excelente. Nunca recebi alguém em minha sala para reclamar. Além da língua que dá para entender, a letra também é legível. O que a gente nota é que a medicação que é dada em nosso posto de saúde, a quantidade que vem em cada comprimido é diferente da quantidade de cada comprimido de Cuba. Com isto, tivemos que nos preparar e montar um esquema para que eles identificassem as medicações e soubessem quanto tinha de medicação em cada um dos remédios”, relatou Nogueira. 

A redução da quantidade de pedido de exames também foi observada pelo secretário. “Com a vinda dos médicos cubanos tivemos uma diminuição muito grande no pedido de exames e o que mais me preocupava Hoje diminuiu bastante dentro da secretaria. Com os médicos cubanos está sendo muito resolutivo o paciente dentro das estratégias, isso é muito positivo e acontece porque eles usam o quadro clínico dos pacientes e o histórico para fazer o diagnóstico. Por isso, não pedem tantos exames que antes da chegada deles eram desnecessários”, colocou.

Nogueira rasgou elogios ao programa Mais Médicos. “Foi algo muito inteligente, onde demonstraram uma perspicácia muito grande. No momento em que mais precisávamos veio este auxílio humanitário e isso foi algo que deixou a gente extremamente contente. Este programa veio combater um problema das pequenas cidades, onde os médicos brasileiros não querem clinicar”, destacou o secretário. 







Especial Jornal Gazeta

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